Porte de armas não reduz criminalidade, diz presidente da CDH

Moreira Mariz/Agência Senado

Porte de armas não reduz criminalidade, diz presidente da CDH

  

Da TV Senado e Da Redação | 30/10/2017, 17h51 - ATUALIZADO EM 30/10/2017, 20h00

A presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), senadora Regina Sousa (PT-PI), reconheceu, em entrevista ao programa Salão Nobre, que aumentam as vozes no Congresso e na sociedade a favor do porte de armas. Para ela, porém, essa não é a solução para a criminalidade.

— A sociedade cobra da gente, o parlamentar acha que a solução mais fácil é liberar o armamento, mas não vai dar certo — disse.

A senadora acredita que liberar o porte de armas não amedronta os bandidos e que eles não vão deixar de abordar as pessoas. Ela defende melhorias da segurança pública, por exemplo, combate efetivo ao tráfico de drogas, pois, segundo ela, os mercados de droga e de armas têm “os mesmos personagens”.

Regina Sousa é contra a liberação do porte e também da posse de armas, mesmo em áreas rurais, o que poderá ser permitido caso os parlamentares aprovem o PLS 224/2017, em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Na visão da senadora, a proposta abre um precedente perigoso.

— A arma estimula a pessoa a ficar valente, a se sentir segura, e pode fazer besteira — avaliou.

Ela também ponderou que crianças podem ter acesso em casa, como no caso do atentado num colégio em Goiânia, em que um adolescente de 14 anos matou dois colegas e feriu quatro, usando a arma de um dos pais, ambos policiais.

Regina afirmou que, no Congresso, a pressão pelo armamento vem da indústria de armas e os parlamentares já têm sua opinião formada. Na sociedade, porém, ainda é possível debater e convencer a população de que “a solução não é ter arma”. A presidente da CDH informou que vai pedir que os projetos sobre armamento passem pela análise da comissão, mas caso não seja possível, que o tema pelo menos seja debatido no colegiado.

A presidente da CDH também falou contra a portaria 1.129, editada pelo Ministério do Trabalho, que alterou o conceito de trabalho escravo. Regina criticou a demanda ruralista.

— Por que se pede uma portaria dessa? Porque se está com intenção de refazer a escravatura? — indagou.

Ela e outros três senadores petistas apresentaram projeto para sustar a portaria (PDS 190/2017). Na Câmara, outras 19 propostas têm o mesmo teor. A portaria também está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) e foi suspensa por decisão da ministra Rosa Weber, mas as ações ainda vão passar pelo plenário do STF.

COMO ASSISTIR

Salão Nobre: programa de entrevistas produzido pela TV Senado. Líderes partidários, presidentes das comissões, autores e relatores de projetos discutem temas de relevância nacional.

Dia e horário: Quinta, 2/11, às 20h

Como sintonizar: Sistema analógico, Sistema digital, Canais abertos UHF Digital, Canais Abertos UHF Analógico, Canais de TV por Assinatura

Pela internet: O programa estará disponível na página da TV Senado (acesse aqui)

 

Agência Senado

Notícias

Inclusão do cônjuge do devedor na execução: até onde vai a conta do casamento?

Opinião Inclusão do cônjuge do devedor na execução: até onde vai a conta do casamento? Lina Irano Friestino 19 de dezembro de 2025, 9h25 A decisão do STJ no REsp 2.195.589/GO reforça algo que, no fundo, já estava escrito na lógica do regime de bens: casar sob comunhão parcial significa dividir não...

Contrato e pacto antenupcial pela perspectiva de gênero

Contrato e pacto antenupcial pela perspectiva de gênero Autor: Rodrigo da Cunha Pereira | Data de publicação: 16/12/2025 O Direito das Famílias e Sucessões está cada vez mais contratualizado. Isto é resultado da evolução e valorização da autonomia privada, que por sua vez, vem em consequência do...

Autocuratela o novo instrumento que redefine autonomia no futuro

Autocuratela o novo instrumento que redefine autonomia no futuro Marcia Pons e Luiz Gustavo Tosta Autocuratela, agora regulamentada pelo CNJ, permite que qualquer pessoa escolha seu curador antecipadamente, reforçando autonomia e prevenindo conflitos familiares. terça-feira, 9 de dezembro de...

Valor Investe: Seu imóvel vai ganhar um 'CPF': veja o que muda a partir de 2026

Valor Investe: Seu imóvel vai ganhar um 'CPF': veja o que muda a partir de 2026 Por Yasmim Tavares, Valor Investe — Rio 02/12/2025 06h30  Atualizado há 4 dias A implementação do CIB acontecerá de forma escalonada: capitais e grandes municípios terão até agosto de 2026 para atualizar seus...