Regras para patentes estão em pauta na Comissão de Ciência e Tecnologia

Relator, Valdir Raupp considera o projeto prejudicial para inventores individuais e institutos públicos de pesquisa  Marcos Oliveira/Agência Senado

Regras para patentes estão em pauta na Comissão de Ciência e Tecnologia

  

Da Redação | 09/05/2016, 12h26 - ATUALIZADO EM 09/05/2016, 15h14

A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) votará na terça-feira (10), em decisão terminativa, projeto que institui uma nova fórmula de cálculo do custo para manutenção de patentes.

A proposta (PLS 689/2011) também revoga dispositivo da Lei 9.279/1996, que regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial, para eliminar o que o autor, o ex-senador Vital do Rêgo, considera excessivo no prazo de proteção da patente.

O projeto já foi aprovado pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Assuntos Econômicos (CAE). O relator na CCT, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), recomenda, porém, a rejeição da proposta.

Prazo de vigência

O projeto estabelece que o valor da retribuição a ser pago pelo inventor será progressivo durante o prazo de vigência da patente. Seu cálculo se dará pela multiplicação do valor previsto para o terceiro ano da data do depósito pelo número de anos decorridos. Sistema semelhante adotado pela Alemanha reduziu para oito anos o tempo de vida médio de uma patente.

Hoje, o prazo de proteção de patente no Brasil é de 20 anos após a data do depósito. O autor do projeto entende que a cobrança de um custo maior para a manutenção da patente, a partir do terceiro ano, estimulará a competição entre os agentes econômicos. A elevação progressiva, no caso, funcionaria como desestímulo à prática de manter o registro por 20 anos apenas para impedir que o conhecimento caia em domínio público e possa ser utilizado por outros empresários e consumidores.

INPI

O projeto prevê ainda a integração do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) ao comitê gestor da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim). O objetivo é assegurar maior eficiência nas outorgas de registro, em benefício dos que demandam atendimento nessa autarquia.

A proposta foi classificada pelo relator Valdir Raupp como prejudicial para inventores individuais e institutos públicos de pesquisa, que teriam que arcar com custos maiores para manter suas patentes em vigor. Em seu voto pela rejeição da proposta, Raupp alerta que “haverá desestímulo à atividade inventiva por parte desses agentes e menos invenções disponíveis para beneficiar a sociedade.”

O relator também sublinhou ser mais adequado que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior decida sobre a conveniência de integrar o INPI à Redesim, em face das limitações orçamentárias enfrentadas pela autarquia.

Outros projetos

Na mesma reunião, a CCT vota projetos que tratam de serviços de publicidade da administração pública (PLS 178/2013), da criação do sistema de comunicações óticas para a defesa nacional (PLS 158/2015) e de diretrizes para incentivo à dessalinização da água (PLS 259/2015).

Estão também na pauta 19 projetos de decreto legislativo sobre outorga para funcionamento de emissoras de rádios.

 

Agência Senado

Notícias

Por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido?

Por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido? Por Júlia Cople — Rio de Janeiro 08/01/2026 03h30  Atualizado há 23 horas Embora muitas mulheres ainda adotem o sobrenome do marido (foram mais de 371 mil só em 2024), a maioria hoje escolhe não fazê-lo, seja pelo receio da...

Contrato de namoro: Bobagem ou blindagem patrimonial?

Contrato de namoro: Bobagem ou blindagem patrimonial? Izabella Vasconcellos Santos Paz O artigo aborda a importância do contrato de namoro como proteção patrimonial em relacionamentos informais. terça-feira, 23 de dezembro de 2025 Atualizado às 13:24 "Os tempos são líquidos porque tudo muda tão...

STJ julga caso inédito de adoção unilateral com manutenção de poder familiar

Família STJ julga caso inédito de adoção unilateral com manutenção de poder familiar 4ª turma fixou solução inovadora proposta pelo ministro Buzzi. Da Redação sexta-feira, 6 de dezembro de 2019 Atualizado em 7 de dezembro de 2019 16:30 A 4ª turma do STJ concluiu na quinta-feira, 5, julgamento que...

Inclusão do cônjuge do devedor na execução: até onde vai a conta do casamento?

Opinião Inclusão do cônjuge do devedor na execução: até onde vai a conta do casamento? Lina Irano Friestino 19 de dezembro de 2025, 9h25 A decisão do STJ no REsp 2.195.589/GO reforça algo que, no fundo, já estava escrito na lógica do regime de bens: casar sob comunhão parcial significa dividir não...