Renan recebe proposta para regulamentação do trabalho doméstico

04/06/2013 - 20h35 Comissões - Regulamentação Constitucional - Atualizado em 04/06/2013 - 20h47

Renan recebe nesta quarta-feira proposta de Jucá para regulamentação do trabalho doméstico

Da Redação

Deve ser entregue nesta quarta-feira (5) ao presidente do Senado, Renan Calheiros, o projeto do senador Romero Jucá (PMDB-RR) para a regulamentação do trabalho doméstico. Após reunião com as centrais sindicais, nesta terça, Jucá informou que ainda faria mudanças no texto antes da apresentação a Renan. A votação do projeto pela comissão de consolidação das leis e de dispositivos constitucionais está marcada para quinta.

Entre as principais reivindicações das centrais está a redução do limite para caracterização de vínculo de emprego para as diaristas. O critério aplicado pela Justiça do Trabalho - três ou mais dias de trabalho por semana - foi incorporado ao projeto de Jucá. As centrais querem que o vínculo já seja caracterizado a partir de dois dias de trabalho semanais, mas Jucá não deve fazer modificações nesse ponto.

- A gente entende que dois dias são vínculo e não houve esse acordo, mas vamos continuar lutando, cobrando dos parlamentares, das centrais, de avançar em outro momento – afirmou a presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Creuza Maria Oliveira.

Apesar de não mudar o entendimento em relação às diaristas, Jucá decidiu incorporar ao texto algumas das reivindicações das centrais e ainda estuda fazer mais alterações. Entre os pontos que podem ser modificados está o pagamento da multa de 40% sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço em caso de demissão do trabalhador.

O recolhimento de provisão para pagamento da multa será feito mensalmente. A proposta inicial de Jucá era de que o valor acumulado fosse sacado pelo trabalhador sempre que houvesse rompimento do vínculo de trabalho. Na prática, os empregados receberiam os 40%, independentemente de terem pedido demissão, abandonado o emprego ou terem sido demitidos, com ou sem justa causa. Após críticas de parlamentares e da sociedade, o senador alterou o texto, estabelecendo que o dinheiro seja devolvido ao empregador em caso de demissão por justa causa ou a pedido do empregado.

Para as centrais, o dinheiro não deve ser recebido pelos empregadores, que podem usar artifícios para receber o dinheiro. Além disso, as centrais usam o argumento de que o recolhimento do valor referente à multa, de 3,2% do salário, será compensado pela redução da contribuição do empregador ao INSS (de 12% para 8%). A sugestão é de que os recursos voltem para o INSS ou para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

- Eles temem que isso vá gerar tentativa de demissão por justa causa para o empregador receber um dinheiro que, em tese, como foi dado com isenção do INSS, foi dado pela sociedade brasileira, então não seria justo o empregador retomar esse dinheiro – explicou o relator, que deve analisar as sugestões.

Romero Jucá disse esperar que a possibilidade de o dinheiro voltar aos cofres públicos faça com que o governo aceite a compensação da multa pela redução na alíquota do INSS. Em entrevista recente, o ministro da Previdência Social, senador licenciado Garibaldi Alves, afirmou que as contas do INSS não suportariam o ônus.

Banco de horas

Outra reivindicação das centrais que será analisada pelo senador é a mudança na forma de compensação das horas trabalhadas. O projeto de Jucá prevê um banco de horas com duração de um ano, mas os sindicalistas querem reduzir o tempo de compensação para três meses. Além disso, reivindicam que as primeiras duas horas extras por dia sejam pagas em dinheiro e só as excedentes sejam incorporadas ao banco. O impacto da mudança no orçamento das famílias será estudado pelo senador.

Jucá informou que aceitará a sugestão para que as férias sejam divididas em no máximo dois períodos, como prevê a CLT, e não em três, como previa inicialmente o texto. Além disso, por reivindicação dos sindicalistas, deve mudar o nome do banco de horas para sistema de regulação de horário.

Para a presidente da Fenatrad, apesar dos pontos em que não houve concordância, o resultado das conversas foi positivo para os trabalhadores domésticos.

- O senador conversou com a centrais e a conversa foi positiva. Claro que a gente não conseguiu tudo o que desejava, mas o que conseguimos acordar foi positivo para a categoria.

 

Agência Senado

 

Notícias

Pedido de justiça gratuita pode ser feito a qualquer tempo

Extraído de Veredictum Pedido de justiça gratuita pode ser feito a qualquer tempo by Max De acordo com a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, o pedido de concessão do benefício da justiça gratuita pode ser feito pela parte a qualquer momento ou grau de jurisdição. Quando for solicitado...

Trabalhador retirou-se da audiência porque calçava chinelos de dedos

  Indenização para trabalhador que, calçando chinelos, foi barrado em audiência (04.03.11) Um dia depois da matéria de ontem (3) do Espaço Vital sobre exigências formais (gravata, paletó e calçados) para participar de atos judiciais, surge a notícia de que a União foi condenada a reparar o...

Não é possível reconhecer uniões estáveis paralelas

23/02/2011 - 14h21 STJ decide que é impossível reconhecer uniões estáveis paralelas A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça admitiu que não é possível reconhecer uniões estáveis paralelas entre um funcionário público aposentado do Rio Grande do Sul e duas mulheres, com as quais manteve...

Imunidade profissional não é absoluta

03/03/2011 - 14h08 DECISÃO Advogado é condenado por calúnia e difamação contra colega Em mais um julgamento sobre excessos verbais cometidos por advogado no curso do processo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou seu entendimento de que a imunidade profissional prevista na Constituição...