"Código Penal deve equilibrar rigor doutrinário e opinião pública"

08/08/2012 - 15h03 Comissões - Código Penal - Atualizado em 08/08/2012 - 21h43

Eunício: Código Penal deve equilibrar rigor doutrinário e opinião pública

Gorette Brandão

Após ser eleito presidente da Comissão Especial Interna que examinará o projeto de lei de reforma do Código Penal (PLS 236/2012), nesta quarta-feira (8), o senador Eunício Oliveira (PMSB-CE) afirmou que os integrantes do colegiado estão capacitados a produzir um texto que combine a “excelência doutrinária” do anteprojeto elaborado por um grupo de juristas e o sentimento da opinião pública.

- Hoje, infelizmente, esse sentimento reflete a insegurança de uma cidadania amedrontada e indefesa diante da escalada da criminalidade, da violência e da impunidade – afirmou.

O cargo de vice-presidente da comissão ficou com o senador Jorge Viana (PT-AC). Indicado relator, Pedro Taques (PDT-MT) apresentará aos colegas ainda nesta quarta, em nova reunião, às 18h, um plano de trabalho para a comissão.

O presidente e o vice foram eleitos por aclamação, logo após a instalação do colegiado pelo senador Benedito de Lira (PP-AL), o mais idoso entre os integrantes. Após ouvir manifestações favoráveis de outros senadores, Eunício disse que o nome de Taques era também o que ele próprio considerava para o posto de relator e formalizou a indicação.

Temas polêmicos

Taques foi o propositor do requerimento que deu origem aos trabalhos de reforma do Código Penal, inicialmente por meio da comissão especial de juristas. Segundo o senador, a comissão não pode ter receio de debater temas polêmicos, apontando como exemplo a necessidade de prever punição para o crime de enriquecimento ilícito e de atualização das normas penais sobre os crimes financeiros.

O relator disse ainda ser indispensável não perder o foco na avaliação das questões mais difíceis, sem prejuízo do debate com a sociedade. Afirmou ainda que devem ser garantidas as audiências públicas, mesmo com as dificuldades que o período eleitoral impõe à agenda legislativa. Segundo assinalou, todo esforço precisa ser feito para garantir que o novo código seja aprovado até dezembro.

- Não podemos perder o momento histórico e a vontade política de aprovar o código ainda este ano – afirmou Taques.

Jorge Viana, assim como Eunício, destacou que a elaboração do novo código deve servir para a produção de uma legislação que ajude no enfrentamento da criminalidade e da impunidade, temas mais debatidos pela sociedade. O vice-presidente do colegiado disse que a tarefa dos senadores é facilitar os trabalhos dos operadores do Direito, os que lidam com a aplicação das leis.

A desatualização do código vigente foi enfatizada por todos. Como destacou Eunício, o texto foi aprovado em 1940, para um Brasil predominantemente “rural, oligárquico e arcaico”. Agora, assinalou, o texto deve refletir as necessidades de um país “urbano, democrático, moderno, globalizado e plural”.

Marta Suplicy (PT-SP) observou que, devido a tabus, temas que agora precisam ser enfrentados sequer podiam ser discutidos à época da aprovação do código vigente. A senadora considerou que os juristas tiveram a sensibilidade de abordar muitas dessas questões no anteprojeto convertido no PLS 236/2012, citando, como exemplo, uma flexibilidade maior em relação às hipóteses de aborto e ao uso e porte de drogas.

- Temos que ser destemidos, assim como a comissão que atuou antes – defendeu Marta.

Emendas

Uma primeira decisão da comissão foi ampliar o prazo inicial de 20 dias úteis para a apresentação de emendas, a partir do dia em que foi publicado o projeto de lei. O novo período deverá ser confirmado em votação na reunião na noite desta quarta-feira e valerá para todos os senadores e não apenas para os da comissão interna.

A comissão é composta ainda pelos seguintes membros titulares: Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), Armando Monteiro (PTB-PE), Clovis Fecury (DEM-MA), Magno Malta (PR-ES) e Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

 

Agência Senado

 

Notícias

e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário

e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário Renato Martini e André Caricatti A relevância do e-Not Provas não está apenas na captura de uma tela, está na tentativa de resolver a volatilidade do conteúdo online e o risco de desaparecimento do vestígio. sexta-feira, 16 de janeiro de...

Nova Carteira de Identidade: 10 dúvidas comuns sobre o documento

Nova Carteira de Identidade: 10 dúvidas comuns sobre o documento Juliane Aguiar 15/01/2026 14:10 A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) continua sendo um documento de identificação válido em todo o Brasil. No entanto, ela não substitui a CIN, que é o documento de registro civil oficial do...

Bens situados no exterior são mantidos fora de divisão de herança no Brasil

Bens situados no exterior são mantidos fora de divisão de herança no Brasil 14/01/2026 Lei brasileira não rege sucessão de bens no exterior. A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 9ª Vara da Família e das Sucessões da Capital que negou pedido de homem...

STJ afasta execução contra cônjuge de empresário em comunhão universal

Recuperação judicial STJ afasta execução contra cônjuge de empresário em comunhão universal Para 3ª turma, a comunhão total do patrimônio impede tratar o cônjuge como garantia “externa” à recuperação judicial. Da Redação terça-feira, 13 de janeiro de 2026 Atualizado às 11:56 A 3ª turma do STJ...