“A IDEIA DO ATO É QUE ALGUÉM POSSA COMPRAR UMA EMPRESA SEM PREJUÍZOS OU CONTRATEMPOS”

“A IDEIA DO ATO É QUE ALGUÉM POSSA COMPRAR UMA EMPRESA SEM PREJUÍZOS OU CONTRATEMPOS”

Notário francês Stéphane Rezek explica a utilidade do ato de Compra e Venda de Ativos Comerciais no país, em entrevista à ANB

Notário de Mimizan, comuna francesa na região administrativa da Nova Aquitânia, no departamento Landes, Stéphane Rezek fala com a Academia Notarial Brasileira (ANB) sobre a 9ª edição do livro “Compra e Venda de Ativos Comerciais” (Achat et vente de fonds de commerce). A obra, listada entre os principais livros recomendados pela Câmara de Notários Francesa, se tornou referência de estudo sobre o ato que permite a compra de uma empresa já estabelecida por meio de escritura pública.  Em sua nova edição, Rezek atualiza a legislatura vigente no país e adiciona novos casos e exemplos aos notários que pretendem entender melhor o ato.

ANB – Como funciona o ato de “Compra e Venda de Ativos Comerciais” na França?

Stéphane Rezek – O ato concretiza negócios que são considerados “intangíveis”. O documento estabelece alguns dos elementos que estarão na transação de uma empresa já feita, assim como seus ativos e valores que muitas vezes não podem ser incluídos em contratos normais. Assim, a compra e venda de ativos comerciais incluem o nome comercial da marca, o direito de uma locação, patentes, licenças e, até mesmo, clientes. Com o conhecimento jurídico do notário, também é possível incluir os contratos de ativos da empresa e os termos assinados, como contratos de seguro e contratos de trabalho, caso o tabelião entenda que eles podem manter suas vigências sem interferência negativa a terceiros.

ANB – Qual a importância do ato no país?

Stéphane Rezek – Primeiramente, a facilidade. É muito mais prático envolver um tabelião na transação da compra de uma empresa pois, com ambas as partes de acordo, é possível cortar burocracias durante o ato. A ideia é que alguém possa comprar uma empresa sem prejuízos ou contratempos, sem parar suas atividades, mantendo contratos e parcerias de forma tranquila e com uma transição prática de direção. Isso é muito importante também para a diminuição de empresas que abrem falência, já que facilmente suas dívidas poderão ser renegociadas após a compra, ou mesmo, pagas com o dinheiro de investimento no negócio.

ANB – Quais são as limitações do ato?

Stéphane Rezek – Já continuando o assunto de falência, o documento não inclui dívidas externas. Fica a critério dos negociantes o pagamento de tais dívidas pelo comprador ou pelo vendedor. Outra limitação é a não inclusão de edifícios, já que a venda de um imóvel deve ser feita por meio da Escritura de Compra e Venda de Imóveis. Por fim, documentos contábeis também não podem ser transferidos, mas o comprador terá o direito de consulta por três anos após a transação. Ressalto que todos estes pontos não criam grandes barreiras aos negócios, que apenas dependem de outras ações para permitirem a realização da compra e venda de ativos comerciais.

ANB – Qual a iniciativa do livro? E por qual motivo a obra recebe sua 9ª edição?

Stéphane Rezek – A obra surgiu a partir de um “texto de apoio”, mas logo ganhou peso e constitui-se uma redação bem completa, com toda a jurisprudência necessária descrita e explicada, assim como diferentes situações que colegas da profissão compartilham cotidianamente. A escrita foi pensada não só a estudantes, mas também aos profissionais que se deparam com o ato. A formatação de tal documento é complexa e, mesmo após anos de prática, gera dúvidas em sua construção.

Fonte: Colégio Notarial do Brasil

Notícias

Lei mineira que impede desconto em folha inferior a 10 reais é contestada no STF

Quinta-feira, 10 de março de 2011 Lei mineira que impede desconto em folha inferior a 10 reais é contestada no STF A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4571) com pedido de liminar, no Supremo Tribunal Federal (STF), na qual contesta...

STJ garante à companheira partilha dos bens adquiridos durante união de 18 anos

09/03/2011 - 16h06 DECISÃO STJ garante à companheira partilha dos bens adquiridos durante união de 18 anos A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisão que reconheceu a união estável, pelo período de 18 anos, de um casal cujo homem faleceu, bem como a partilha dos bens...

Pedido de justiça gratuita pode ser feito a qualquer tempo

Extraído de Veredictum Pedido de justiça gratuita pode ser feito a qualquer tempo by Max De acordo com a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, o pedido de concessão do benefício da justiça gratuita pode ser feito pela parte a qualquer momento ou grau de jurisdição. Quando for solicitado...

Trabalhador retirou-se da audiência porque calçava chinelos de dedos

  Indenização para trabalhador que, calçando chinelos, foi barrado em audiência (04.03.11) Um dia depois da matéria de ontem (3) do Espaço Vital sobre exigências formais (gravata, paletó e calçados) para participar de atos judiciais, surge a notícia de que a União foi condenada a reparar o...