A marcha nupcial se mantém bem afinada com a vida dos mineiros

Amor à mineira

Casa-se mais no estado e a união é mantida por mais tempo do que no resto do país. Mas número de divórcios também é maior, segundo o IBGE

A marcha nupcial se mantém bem afinada com a vida dos mineiros, que sobem mais ao altar do que a média dos brasileiros. Depois do “sim”, o eterno clássico composto pelo alemão Felix Mendelssohn (1809-1847) perdura por muito tempo no ouvido de homens e mulheres, já que os casamentos no estado são mais duradouros em relação ao padrão nacional. Mas, em compensação, a música desafina feio quando o amor chega ao fim: Minas registra taxa de divórcio superior à do país. Esses encontros e desencontros estão retratados na Estatística do Registro Civil 2010, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa revela que o número de casamentos e divórcios bateu o recorde em 2010 no Brasil. Um total de 977,6 mil brasileiros puseram a aliança na mão esquerda, enquanto 243,2 mil colocaram um ponto final no relacionamento em divórcios registrados em cartórios. Minas se manteve acima da média nacional nos dois quesitos: com 7,2 casamentos por grupo de mil habitantes com mais de 15 anos de idade, contra 6,6 no Brasil; e com dois divórcios por grupo, enquanto o país ficou na casa de 1,8. A contrapartida para tantos altos e baixos é que os mineiros passaram mais tempo juntos do que os demais brasileiros, ficando casados, em média, 15,7 anos (contra 14,9 anos do Brasil).

O espelho da sala de jantar reflete com nitidez o carinho de Edmilson Tadeu Silveira Carneiro e Eliane da Silva Almeida Carneiro, empresários, casados há 26 anos e moradores do Bairro Liberdade, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte. Os dois se abraçam, se beijam e lembram que a base da união está no amor, sempre temperado com boas doses de paciência, compreensão e companheirismo. “Estamos sempre juntos, viajamos nas férias com os filhos e passeamos nos fins de semana. É preciso ter responsabilidade e momentos de lazer. Acabei de comprar um carro e foi ela que escolheu a cor”, conta Edmilson.

Com um sorriso que realça a beleza dos olhos azuis, Eliane concorda com o marido e está certa de que os filhos, Gabriela, de 25 anos, farmacêutica, Priscila, de 21, estudante de direito, e Edmilson Júnior, de 13, são fundamentais para manter a felicidade da família. “Todo casal tem seus momentos de crise, mas, nessas horas, o diálogo deve prevalecer”, afirma Eliane. “No tempo dos nossos pais e avós, o mundo era diferente, o marido tinha sempre razão. Hoje, cada um tem a sua opinião e, por isso, é preciso haver entendimento”, afirma o empresário.Casados há 31anos e pais de Isabella Cristina, de 28, e Alexandre, de 27, Ciro Eustáquio Lima de Paula, administrador de empresa, e Iara D’Arc Diniz Lima de Paula, psicóloga e escritora, creem no perdão, compromisso e renovação do amor como pilares da união douradoura. “Não somos hóspedes em nossa casa, mas estamos aqui para servir o outro. Estamos no mesmo barco e precisamos rumar na mesma direção”, conta Iara, autora do livro Casamento com propósito. “Os casais devem ter a motivação correta”, diz o marido, enquanto a mulher acrescenta que a intimidade satisfatória é importante, embora o amor seja a mola mestra da união.

Separação Na avaliação do IBGE, o aumento dos casos de divórcio se explica, principalmente, pela mudança na lei que, desde julho de 2010, reduziu a burocracia e permitiu acelerar o fim da união. “A análise das altas taxas de casamento passa pelo envelhecimento da população, pois temos mais pessoas jovens na idade de se casar, e pela melhoria da situação econômica, que favorece a oficialização das uniões. Já os divórcios estão relacionados à nova lei, que agilizou o processo, permitindo pular etapas da separação”, argumenta a demógrafa do IBGE, Luciene Longo. Quando faltam cumplicidade, confiança e comunhão de valores, o casamento naufraga, diz a promotora de eventos Júnia Padrão, de 41 anos, divorciada. “Tenho rotina muito complicada e os interesses entraram em choque”, conta Júnia, mãe de uma adolescente de 15.

O que diz a lei


Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) aprovada em julho de 2010 pelo Senado acabou com a figura da separação judicial. Até então, para se divorciar o casal precisava ter pelo menos um ano de separação judicial – decretada por um juiz – ou dois anos de separação de fato, em que marido e mulher já vivem separados mas são considerados casados perante a Justiça. Com a nova lei, o divórcio ocorre de imediato, assim que o casal decidir. Segundo o IBGE, a legislação define a separação como “dissolução legal da sociedade conjugal, ou seja, a separação legal do marido e da mulher, desobrigando as partes de compromissos, como o dever de vida em comum ou coabitação”. Já o divórcio é a “dissolução do casamento, que confere às partes o direito de novo casamento civil, religioso e/ou outras cláusulas.”

 

Fonte: Jornal Estado de Minas
Extraído de Recivil

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