Avaliação da alfabetização começa a ser aplicada em escolas de todo o país

Avaliação da alfabetização começa a ser aplicada em escolas de todo o país

23/11/2014 11h31 Brasília
Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil  Edição: Talita Cavalcante

Estudantes do 3º ano do ensino fundamental de escolas públicas de todo o país começaram a responder às questões da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA). O objetivo é avaliar o aprendizado dos alunos no final do ciclo da alfabetização. Esta é a segunda vez que o exame é aplicado nacionalmente. O processo é feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e segue até sexta-feira (28).

As questões, na área de leitura, escrita e matemática, são divididas em dois dias de aplicação. “A segunda aplicação será bem importante para as escolas que receberam este ano os resultados de 2013. Trata-se de um diagnóstico importante, que só era feito a partir do 5º ano [com a Prova Brasil]”, explica a coordenadora-geral do Todos pela Educação, Alejandra Meraz Velasco. Ao final dos três anos do chamado ciclo da alfabetização, espera-se que o estudante tenha um nível de autonomia para continuar o aprendizado no 4º e 5º ano – momentos de consolidação da habilidade já desenvolvida, acrescenta ela.

A ANA foi criada a partir do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic). O acordo estabelece que todas as crianças até os 8 anos de idade sejam alfabetizadas em português e matemática. “A situação no Brasil é muito preocupante: a cada 20 crianças que entram na educação básica, apenas uma sai com a formação adequada em matémática e três em língua portuguesa no ensino médio. A solução do ensino médio não está só no período, mas ao longo de todo o ensino básico”, destaca Alejandra.

Este ano, apenas as escolas tiveram acesso aos resultados obtidos na avaliação de 2013. Segundo o Inep, o objetivo da ANA é apenas pedagógico. “As escolas, por meio de boletins eletrônicos, podem conferir os resultados finais da ANA 2013 desde setembro de 2014 e tomar as decisões pedagógicas necessárias”, informou a autarquia quando os resultados foram disponibilizados.

O Inep ainda não divulgou se o padrão de divulgação dos resultados da avaliação de 2014 será o mesmo. Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, os resultados deveriam ser publicizados para permitir controle mais rigoroso pela sociedade. “Os resultados não foram devidamente divulgados, não foram problematizados, não é suficiente para avaliar o impacto do exame, do grau de alfabetização”. A ANA propõe-se a ser uma avaliação censitária, de larga escala, que servirá para a produção de índices sobre a alfabetização e letramento dos estudantes, conforme define a portaria que a criou.

A Escola Classe da 102 Sul, em Brasilia, marcou a avaliação logo para a primeira semana (terça e quinta-feira). “A avalição [do ano passado] foi proveitosa. Em cima do resultado, quando saiu, discutimos o que podíamos melhorar e o que estava bom“, diz o diretor da escola, Geraldo Almeida Guimarães. Como o resultado final foi divulgado em setembro, ele diz que não foi possível implementar mudanças especificamente baseadas na avaliação para este ano.

Para Guimarães, o desempenho da escola foi bom. Os alunos foram divididos em quatro níveis. A maior parte dos alunos da escola classe ficou entre o terceiro e o quarto níveis, considerados satisfatórios.

A forma de divulgação, ainda que apenas para os centros de ensino, apresentou novidades que poderão ser aplicadas em outras avaliações. As escolas tiveram acesso à porcentagem dos estudantes de cada faixa e aos dados de escolas na mesma região, modalidade (campo/urbana) e ao nível socioeconômico dos alunos para comparação. No ano passado, fizeram a avaliação 2,6 milhões de estudantes, de 55 mil escolas.

Agência Brasil

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