Cidades brasileiras com melhores índices de saneamento são premiadas

Cidades brasileiras com melhores índices de saneamento são premiadas

30/09/2015 11h04  São Paulo
Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil

As cidades brasileiras com melhores indicadores na coleta, no tratamento de esgoto e na redução de perdas no abastecimento foram premiadas hoje (30), durante seminário promovido pelo Instituto Trata Brasil. Os resultados dos municípios basearam-se no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.

Foram selecionadas 16 cidades consideradas exemplos de sucesso para o restante do país no saneamento. Nelas, o tratamento do esgoto atinge a média de 76,1%, enquanto a média nacional é 39%. No topo do ranking está a cidade de Maringá (PR), com 94% do esgoto tratado.

A coleta de esgoto nas16 localidades chega a 95,11%, muito superior à média nacional, que é 48,6%. Cidades do interior paulista, como Franca e Limeira, e a capital mineira Belo Horizonte têm 100% do esgoto coletado.

O secretário nacional de Saneamento Ambiental, Paulo Ferreira, destaca a disparidade entre esses municípios exemplares e aqueles mais isolados, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Ele diz que ficou chocado ao perceber que ainda existem cidades brasileiras onde não há um banheiro sequer. “São situações dramáticas que ocorrem no saneamento, que pensávamos que só existiam na África”, acrescentou.

Para o presidente do Instituto Trata Brasil, Édsion Carlos, não é correto justificar a falta de banheiros entre essa população simplesmente por estar afastada dos grandes centros, em regiões do semiárido. “Nós temos que encontrar uma forma de atender a essas pessoas, porque sabemos que isso acarreta muitos problemas de saúde e ao meio ambiente”.


Perdas na distribuição

As perdas nas redes de distribuição de água, em razão de fraudes no sistema, erros de leitura dos hidrômetros e vazamentos, são, em média, 37% no país. O percentual é ainda mais elevado nos estados do Amapá (76%) e Amazonas (72%).

Umas das cidades consideradas modelo na redução de perdas é Campinas, no interior paulista, onde o percentual é 15%. Lina Adani, gerente de Controle de Perdas e Sistemas da Sanasa, empresa municipal responsável pela distribuição de água, explica que a boa gestão levou à eficiência.

De acordo com ela, os investimentos começaram há 21 anos, após um financiamento feito pela Sanasa com o Bando Mundial, em que uma das exigências era justamente reduzir as perdas. “Entre as ações que mais causaram impacto está o trabalho em hidrômetros, que é a caixa registradora”. Os hidrômetros com submedição ou com vida útil ultrapassada geravam prejuízo para a Sanasa.

A cidade passou a instalar hidrômetros em uma caixa lacrada e diminuiu as perdas físicas de água, reduzindo também a pressão na rede, principalmente durante a noite. Lina lembra que havia 1,4 mil quilômetros de rede que se rompiam constantemente por estar com tubulações velhas. Com a diminuição da pressão, inclusive durante o dia, a tubulação passou a romper menos. “Com a queda nas perdas, pudemos investir na troca dessa rede”.

Edição: Graça Adjuto
Agência Brasil

Notícias

Indisponibilidade do bem de família: reflexos da decisão do STJ

Opinião Indisponibilidade do bem de família: reflexos da decisão do STJ Maria Helena Bragaglia Maria Aparecida Gonçalves Rodrigues Julia Pellatieri 30 de novembro de 2025, 7h01 A morte do devedor não retira, automaticamente, a qualidade do bem de família e, como tal, a sua impenhorabilidade, se...

Por abandono afetivo, filho é autorizado a retirar sobrenomes do pai

Casos de família Por abandono afetivo, filho é autorizado a retirar sobrenomes do pai 24 de novembro de 2025, 7h31 A sentença enfatiza que a ação demonstra a importância do direito à identidade e do papel do Judiciário na concretização dos direitos da personalidade, especialmente em situações de...

O inventariante judicial profissional e a evolução do Direito Sucessório

O inventariante judicial profissional e a evolução do Direito Sucessório Alexandre Correa Nasser de Melo O artigo analisa como o REsp 2.124.424/SP e o PL 1.518/25 inauguram uma nova era no Direito Sucessório, com a profissionalização e digitalização da inventariança judicial no Brasil. sexta-feira,...