Deputados cobram políticas públicas de combate à desnutrição

01/03/2012 18:47

Deputados cobram políticas públicas de combate à desnutrição

Beto Oliveira
Nazareno Fonteles
Fonteles: é preciso fazer com que os recursos cheguem aos municípios mais carentes.

Apesar da redução dos números da mortalidade infantil no Brasil, parlamentares alertam para a importância de investimentos e de políticas públicas para acabar de vez com o problema. Nas últimas décadas, o Brasil conseguiu diminuir em 95% o total de crianças mortas por falta de alimento. Ainda assim, em 2009, 505 meninos e meninas morreram de fome, 70% delas no Nordeste. Os dados são da pesquisa “O panorama da desnutrição no Brasil nas últimas quatro décadas”, publicado pela Fundação Abrinq - Save the Children.

Na avaliação do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), que coordena a Frente Parlamentar da Segurança Alimentar e Nutricional, os números confirmam a existência de “ilhas” que requerem mais atenção do governo, principalmente em comunidades quilombolas e indígenas. De acordo com o parlamentar, para erradicar a desnutrição infantil, é preciso fazer com que as políticas públicas e os recursos cheguem especialmente nas cidades mais carentes. “Há uma grande dificuldade de estruturar o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), por exemplo. Os municípios ainda têm uma capacidade de resposta muito pequena”, afirma.

O Sisvan, instituído em 1990, tem como objetivo fazer o diagnóstico descritivo e analítico da situação alimentar e nutricional da população brasileira. Com esse monitoramento, seria possível identificar as áreas geográficas, segmentos sociais e grupos populacionais de maior risco.

Para Fonteles, o País conta com um arcabouço legal razoável no que se refere à defesa da alimentação saudável e ao combate à desnutrição, mas faltam verbas e compromisso de gestores. “Há várias propostas em tramitação que pouco ou nada acrescentam. Antes de qualquer coisa, é preciso por em prática o que já existe para depois pensar em aperfeiçoar”, opina.

Propostas
Na Câmara, tramitam algumas propostas que tratam da desnutrição. Entre elas, está o Projeto de Lei 1234/07, do deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), que prevê ações voltadas para a educação nutricional e a segurança alimentar dos brasileiros.

Reinaldo Ferrigno
Eduardo Gomes
Para Eduardo Gomes, política atual de combate à desnutrição tem caráter paliativo.

O parlamentar argumenta que grande parte dos programas de governo para combater a desnutrição nas classes mais pobres é de caráter paliativo. Gomes defende a regulamentação de princípios e diretrizes voltados às necessidades alimentares e nutricionais da população como um todo e que tragam resultados eficientes no longo prazo.

O PL 1234/07 foi aprovado pela Comissão de Educação e Cultura, porém rejeitado pela Comissão de Seguridade Social e Família, sob o argumento de que o texto não inova em relação à Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (11.346/06), Por causa das deliberações divergentes, a decisão final será do Plenário, após o projeto ser examinado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Também tramitam na Câmara o PL 3471/04, do ex-deputado Fernando Coruja, que trata da notificação compulsória de casos de desnutrição; e o PL 1699/03, do deputado Geraldo Rezende (PMDB-MS), que institui a Política de Prevenção e Controle dos Distúrbios Nutricionais e das Doenças Associadas à Alimentação e Nutrição no Sistema Educacional Brasileiro.

Estabilização
O deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) destaca a necessidade de fortalecer as políticas já adotadas por estados, municípios e pelo governo federal. Ele lembra que a estabilização econômica permitiu que muitos cidadãos passassem a consumir bens imediatos, como alimentos, o que diminuiu o quadro de desnutrição em ampla escala. “No entanto, enquanto houver um brasileiro em situação de miséria e de desnutrição, teremos de ir até ele para tirá-lo dessa condição”, diz.

Lelo cita como um dos avanços no tema a promulgação, em 2010, da emenda constitucional (EC 64/10) que incluiu a alimentação no rol dos direitos sociais. O deputado foi um dos relatores da proposta que originou a medida. “É claro que uma lei não é suficiente, mas ter esse marco, assumir o compromisso de agregar pessoas no direito mais elementar, que é o de ter três refeições por dia, foi um avanço e me deixa otimista. Nosso desafio é atingir 100% de inclusão”, destaca.

 

Reportagem – Rachel Librelon
Edição – Marcelo Oliveira

Agência Câmara de Notícias

 

Notícias

e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário

e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário Renato Martini e André Caricatti A relevância do e-Not Provas não está apenas na captura de uma tela, está na tentativa de resolver a volatilidade do conteúdo online e o risco de desaparecimento do vestígio. sexta-feira, 16 de janeiro de...

Nova Carteira de Identidade: 10 dúvidas comuns sobre o documento

Nova Carteira de Identidade: 10 dúvidas comuns sobre o documento Juliane Aguiar 15/01/2026 14:10 A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) continua sendo um documento de identificação válido em todo o Brasil. No entanto, ela não substitui a CIN, que é o documento de registro civil oficial do...

Bens situados no exterior são mantidos fora de divisão de herança no Brasil

Bens situados no exterior são mantidos fora de divisão de herança no Brasil 14/01/2026 Lei brasileira não rege sucessão de bens no exterior. A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 9ª Vara da Família e das Sucessões da Capital que negou pedido de homem...

STJ afasta execução contra cônjuge de empresário em comunhão universal

Recuperação judicial STJ afasta execução contra cônjuge de empresário em comunhão universal Para 3ª turma, a comunhão total do patrimônio impede tratar o cônjuge como garantia “externa” à recuperação judicial. Da Redação terça-feira, 13 de janeiro de 2026 Atualizado às 11:56 A 3ª turma do STJ...

Por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido?

Por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido? Por Júlia Cople — Rio de Janeiro 08/01/2026 03h30  Atualizado há 23 horas Embora muitas mulheres ainda adotem o sobrenome do marido (foram mais de 371 mil só em 2024), a maioria hoje escolhe não fazê-lo, seja pelo receio da...