Homens passam a compartilhar o sobrenome das esposas

Homens deixam machismo de lado e adotam sobrenome da esposa

O sobrenome carrega as heranças familiares, e por muito tempo no Brasil as mulheres tiveram que usar os nomes dos maridos como se dessem continuidade à sua linhagem, abrindo mão, simbolicamente, das raízes dos seus ascendentes.

Mas com o chamado novo Código Civil, de 2002, veio a possibilidade de acontecer o contrário ou mesmo fazer uma troca na hora de dizer o sim no casamento civil. Os homens passaram a compartilhar o sobrenome das esposas e a prática vem, aos poucos, aumentando.

“A maioria ainda prefere o tradicional, mas hoje há uma abertura e percebemos que têm crescido o número de maridos que adotam o sobrenome da mulher”, diz o presidente do Sindicato dos Notários e Registradores do Estado (Sinoreg-ES), Fernando Brandão.

Não há números oficiais no Espírito Santo, mas um levantamento recente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP) mostra que por lá a prática subiu 278% em dez anos – de 9% em 2002 para 25% em 2012.

Antes da nova legislação, a adoção do sobrenome da mulher pelo marido era mais complicada, sendo possível apenas mediante uma autorização judicial.

A auxiliar administrativa Carla Pires sempre quis adotar o sobrenome do marido. Mas quando, há no ano passado, ela e o vendedor Uelisson se casaram no civil, ele acabou optando por também usar o nome da família dela. Hoje eles assinam Carla Pires Poubel e ele Uelisson Poubel Pires.

“A família dela é de gente muito boa, então resolvi fazer uma homenagem”, conta Uelisson, que acredita que, além disso, compartilhamento dos nomes seja uma “prova de amor”.

Ele também ressalta que, com isso, os filhos também carregarão a herança nominal dos dois como aconteceu com o casal Kaio Ribeiro de Albuquerque Abraham e Nathália de Oliveira Abraham Albuquerque.

O assessor de comunicação e a advogada estão casados há um ano e meio e também trocaram os sobrenomes. Com isso, a pequena Valentina, de um ano, herdou os dois nomes. “Formamos nossa própria família”, diz Nathália.

 

Sinal de mudança nas relações

 

Em uma sociedade onde se prega a igualdade, o crescimento da prática da troca de sobrenomes mostra que, de alguma maneira, a relação entre homens e mulheres tem se modificado.

“Isso é um marco importante para o início de uma mudança de concepção, mas o mundo ainda é muito machista e há toda uma questão cultural dentro de uma visão conservadora de que é preciso ter respeito à família do homem”, diz o professor do curso de Direito da Universidade Vila Velha (UVV), Antônio Leal de Oliveira.

Apesar do indicativo de mudança, não há diferença substancial, sendo que, em geral, continua pesando sobre as mulheres o cuidado com a casa e com os filhos, além de salários mais baixos no mercado de trabalho.

Para o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e coordenador de estudos de gênero, Alexsandro Rodrigues, as relações só se alteram quando de fato o homem ocupa outros papéis dentro de casa, assumindo funções que costumam ser vistas como obrigações femininas. “Quando as pessoas se apropriam de um nome elas querem alterar suas histórias. É interessante pensar o que agrega de valor se você ganha um novo sobrenome”, comenta.

Entre os famosos

Léo, da dupla Victor e Léo
Casado com Tatiana Sbrana, com quem tem dois filhos, o cantor Léo acrescentou o sobrenome da esposa em homenagem a ela. Ela agora chama-se Leonardo Chaves Zapalá Sbrana Pimentel.

John Lennon
Já que a artista plástica Yoko Ono adotou seu sobrenome, o beatle John Lennon resolveu mudar também seu nome legal e antes de morrer, em 1980, ele se chamava John Winston Ono Lennon

Jay-Z
Quase dois anos depois de casados, em 2009, a cantora Beyoncé Knowles e o rapper Jay-Z resolveram juntar os sobrenomes e passou a se chamar legalmente Shawn Knowles-Carter.

 

Fonte: Site Gazeta do Povo
Publicado em 17/03/2014

Extraído de Recivil

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