IBDFAM defende pluralismo das entidades familiares – Jornal do Comércio

IBDFAM defende pluralismo das entidades familiares – Jornal do Comércio

1 minuto atrás 

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), Conrado Paulino da Rosa, a área, apesar de tido diversos avanços, ainda precisa passar por mudanças estruturais. Uma delas é a criação de um Estatuto das Famílias, que abranja, de fato, os mais diversos tipos familiares. Em entrevista ao Jornal da Lei, Rosa defende o pluralismo das entidades familiares e a diversidade, não restringindo as famílias ao modelo tradicional.

Jornal da Lei – Qual a importância de ter um instituto específico sobre Direito de Família?

Conrado Paulino da Rosa – É de conseguir qualificar todas as carreiras jurídicas com um viés interdisciplinar. O Direito de Família, como lida com grande carga de emoções, precisa muito das áreas do serviço social, da psicologia e também da medicina para uma atuação conjunta. São áreas cujos profissionais detêm conhecimentos que as carreiras jurídicas não dispõem. Outro aspecto importante do IBDFAM é, através de eventos, trazer um crescimento não só acadêmico, mas também político aos profissionais. Por exemplo: em 2010, a Emenda Constitucional nº 66, com alterações no divórcio no Brasil, surgiu por iniciativa do IBDFAM. Então, a importância desse instituto é qualificar esse trabalho, mas também promover a mudança da realidade. Seja por meio da lei ou da jurisprudência, considerando que nem sempre a legislação acompanha aquilo que a sociedade vive, e se consegue as mudanças pelas decisões dos grupos nos tribunais. Por meio do saber teórico, conseguimos mudar também a prática.

JL – Quais as principais demandas que chegam a vocês?

Rosa – Hoje, uma situação muito abordada é essa restrição ao sentido de família. O IBDFAM tem um projeto de lei que está em tramitação no Senado, que é o de número 470/2013, o Estatuto das Famílias. Esse projeto visa retirar o livro de Direito de Família do Código Civil, para que ele possa ter um próprio, assim como o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto do Idoso. Por quê? Porque o que está no Código Civil não representa todos os tipos de família. Em contrapasso a esse projeto, a bancada religiosa promoveu um projeto que se chama Estatuto da Família, pelo qual se defende que o conceito de família esteja restrito a homem e mulher. Temos notado uma tendência daquilo que jurisprudencialmente se construiu, não há uma lei específica – não tem, por exemplo, nenhuma lei que autorize o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou que diga que pessoas do mesmo sexo são família. Então surgem decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que, em 2011, julgou duas ações: a Ação Direta de Inconstitucionalidade (4.277) e a Arguição de Descumprimento Preceito Fundamental (132). Essas ações resultaram em uma resolução no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2013, a Resolução nº 175. Desde então, os cartórios de registro civil puderam celebrar casamentos de pessoas do mesmo sexo. Mas, veja bem, tudo isso foi uma construção jurisprudencial, o que não quer dizer que se tenha uma segurança de que isso vai permanecer dessa forma, pelo fato da ausência de legislação. Essa é uma situação que preocupa. No ano passado, o mesmo CNJ, que autorizou o casamento homossexual, proibiu a escrituração de uniões poliafetivas, que são as estruturações de pessoas que praticam o poliamor.

JL – Como o IBDFAM vê essa onda de conservadorismo no País, principalmente no que diz respeito à estruturação de novos modelos de família?

Rosa – Temos uma comissão, na diretoria nacional, que fica em Belo Horizonte, e que trabalha com os parlamentares. Então fazemos um trabalho junto a eles para que essa situação não se perpetue. Os eventos que fazemos possibilitam uma sensibilização. E, no âmbito estadual, temos visitado os parlamentares para tentar fazer com que essas situações não prossigam. Por exemplo, tivemos, no final do ano passado, uma forte mobilização para que a lei da alienação parental pudesse ser revogada. Visitamos todos os parlamentares do Rio Grande do Sul, os deputados federais, enfim, para que essa situação não pudesse avançar. Então essa é uma das atitudes que o IBDFAM tem tomado como forma de evitar que isso se perpetue.

Extraído de Portal do Magistrado

Notícias

É válida escuta autorizada para uma operação e utilizada também em outra

24/02/2011 - 10h16 DECISÃO É válida escuta autorizada para uma operação e utilizada também em outra Interceptações telefônicas autorizadas em diferentes operações da Polícia Federal não podem ser consideradas ilegais. Essa foi a decisão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao...

Estatuto da família

  Deveres do casamento são convertidos em recomendações Por Regina Beatriz Tavares da Silva   Foi aprovado em 15 de dezembro de 2010, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, um projeto de lei intitulado Estatuto das Famílias (PL 674/2007 e...

Casal gay ganha guarda provisória de criança

Extraído de JusBrasil Casal gay ganha guarda de menino no RGS Extraído de: Associação do Ministério Público de Minas Gerais - 1 hora atrás Uma ação do Ministério Público de Pelotas, que propõe a adoção de um menino de quatro anos por um casal gay, foi acolhida ontem pela juíza substituta da Vara...

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato A primeira atualização da Lei do Inquilinato (8.245/91) acabou de completar um ano com grande saldo positivo, evidenciado principalmente pela notável queda nas ações judiciais por falta de pagamento do aluguel. (Outro efeito esperado era a redução...

Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente

24/02/2011 - 08h08 DECISÃO Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente É indevida a indenização decorrente do seguro de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, o DPVAT, se o acidente ocorreu sem o envolvimento direto do veículo. A decisão é da...

Função delegada

  Vistoria veicular por entidade privada não é ilegal Por Paulo Euclides Marques   A vistoria de veículos terrestres é atividade regulada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em atendimento ao disposto nos artigos 22, inciso III, e artigos 130 e 131 do Código de Trânsito...