João Otávio de Noronha destaca necessidade do novo Código Comercial

30/05/2012 - 20h36
MINISTROS


João Otávio de Noronha destaca necessidade do novo Código Comercial

O ministro do Superior Tribunal de Justiça João Otávio de Noronha defendeu nesta quarta-feira (30) a instituição de um novo Código Comercial no Brasil. Para o ministro, o atual Código Civil não tem instrumentos adequados para regular esse setor tão complexo e dinâmico. A afirmação foi feita em audiência pública na comissão especial da Câmara dos Deputados que discute o novo código. Noronha participou da audiência como palestrante convidado.

A proposta do novo código, com 670 artigos, foi apresentada pelo deputado Vicente Cândido. O objetivo é reunir num único diploma legal os princípios e regras do direito comercial e simplificar as normas que regulam a atividade econômica, facilitando o cotidiano das empresas.

Segundo o autor da proposta, também é preciso superar as diversas lacunas existentes, tendo em vista que o atual código é de 1850, ainda dos tempos do Império.

Segurança jurídica

Questionado pelos deputados sobre as principais dificuldades dos julgadores em analisar o tema e que alterações poderiam facilitar esse trabalho, o ministro foi enfático. “O Código Comercial não deve suprir dificuldades ou facilitar a vida do julgador. Esse sempre terá o desafio de submeter os fatos às normas”, afirmou. Para o ministro, a principal função do Código Comercial é dar segurança jurídica às relações comerciais.

Noronha ressaltou que a sexta maior economia do mundo, que abriga diversas empresas multinacionais, precisa de instrumentos modernos para regular suas relações comerciais. “É hora de vencer preconceitos e medos e de ser criativo. O Código Civil não é suficiente. É preciso mais especificidade”, apontou o ministro.

Princípios

João Otávio de Noronha elogiou a abordagem, no texto do novo código, dos princípios voltados para a área comercial. Mas ressaltou que é muito importante que se estabeleçam regras claras, pois, segundo ele, “os princípios devem nortear mais o legislador do que o julgador”.

Para o ministro, atualmente existe um abuso da principiologia, usada até mesmo para negar direitos previstos na legislação. “É modismo hoje buscar princípio aqui e acolá para refutar a aplicação da norma. Não devemos nos fixar na teoria exagerada dos princípios no direito comercial”, alertou Noronha.

Projeto

A proposta do novo Código Comercial (PL 1572/11) encontra-se em fase de consulta pública e apresentação de emendas. A comissão especial da Câmara, presidida pelo deputado Arthur Oliveira Maia, vem realizando audiências em diversos estados. O relator é o deputado Paes Landim. 


Superior Tribunal de Justiça (STJ)

Notícias

Juíza reconhece domínio de imóvel por usucapião após 40 anos de posse

Posse pacífica Juíza reconhece domínio de imóvel por usucapião após 40 anos de posse Magistrada concluiu que autor comprovou posse contínua, pacífica e com ânimo de dono desde 1982. Da Redação quarta-feira, 11 de março de 2026 Atualizado às 16:01 A juíza de Direito Sara Fontes Carvalho de Araujo,...

STJ preserva testamento sem filha mesmo após paternidade reconhecida

Herança STJ preserva testamento sem filha mesmo após paternidade reconhecida Relatora entendeu que não há rompimento de testamento quando o autor mantém suas disposições mesmo ciente de ação de paternidade. 4ª turma entendeu que não há rompimento quando testador manteve disposição patrimonial mesmo...