Novas regras sobre ponto eletrônico não agradam

Novas regras sobre ponto eletrônico não agradam

Para micro e pequenas empresas, a nova legislação será aplicada a partir de 3 de setembro
 

Pela redação - www.incorporativa.com.br

25/05/2012

Após anos de adiamentos, a nova regulamentação sobre pontos eletrônicos entrou em vigor em abril de 2012. Desde o dia 2 do mês passado, empresas dos setores de serviços, varejo e indústria passaram a adotar o novo sistema. Para micro e pequenas empresas, a nova legislação será aplicada a partir de 3 de setembro. 

A nova regulamentação, instituída com a portaria 1.510/09 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), determina que as empresas que já utilizam o ponto eletrônico troquem os equipamentos atuais por outros, homologados pelo ministério. Equipados com entrada USB, os novos equipamentos permitirão que fiscais do MTE baixem os dados diretamente das máquinas.

O objetivo, segundo o governo, é dificultar fraudes nos pontos eletrônicos - que permitem que funcionários trabalhem horas extras sem receber por elas. Segundo dados do Ministério do Trabalho, as empresas que fraudam o controle deixam de pagar R$ 20,3 bilhões em horas extras anualmente, sonegando R$ 4,1 bilhões da Previdência Social e mais de R$ 1,6 bilhão do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Além da entrada USB, o equipamento deve possuir um software específico e permitir a impressão de quatro comprovantes diários -relativos à entrada e saída dos funcionários no começo e no fim da jornada de trabalhos e na saída e volta do horário de almoço.

Empresas com mais de dez funcionários são legalmente obrigadas a adotar controles de ponto, que podem ser - além do eletrônico - manuais, nos quais os funcionários assinam o horário de entrada e saída, ou mecânicos - o antigo cartão de ponto.

Crítica

Representantes das empresas têm criticado o sistema, argumentando que é caro e inócuo. Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, com a portaria o MTE estaria, na prática, legislando - e excedendo de suas atribuições. Além disso, obrigando as empresas a trocar os equipamentos e a gastar com sua manutenção. "Entendemos que pequenas e micro empresas terão mais dificuldades, por disporem de menos capital para investir em equipamentos tão onerosos", afirma Leandro Almeida, advogado da Federação.

A federação julga ainda que, por causa dos custos maiores, muitas empresas que já utilizam o ponto eletrônico poderão adotar formas menos eficientes de ponto, como o ponto manual e o mecânico, para evitar gastos. A entidade também alega que o volume de fraudes na jornada de trabalho seria "baixo, ou inexistente", e que os casos eventuais devem ser tratados na Justiça do Trabalho. "O mau empregador ou o mau funcionário vão fraudar o controle com ou sem o ponto eletrônico. O importante é disponibilizar fiscais para impedir que isso aconteça e, quando acontecer, tratar o caso legalmente", diz Leandro.

Sobre essa polêmica, representantes do Instituto Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho (Ibret) declararam que menos de 1% dos processos judiciais que reclamam horas extras envolveriam o registro de ponto eletrônico. Mas a afirmação foi rebatida pela Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), que declarou que os juízes "diariamente constatam controvérsias envolvendo o pagamento ou não de horas extras por parte de empresas que utilizam o ponto eletrônico".

As micros e pequenas empresas que adotam controle eletrônico de ponto acompanham o debate e esperam que até setembro a experiência prática acumulada na administração da nova regra resulte não apenas na prevenção de fraudes contra os direitos trabalhistas, mas também na de gastos adicionais para o seu funcionamento.

 

Terra

Extraído de INCorporativa

 

Notícias

Função delegada

  Vistoria veicular por entidade privada não é ilegal Por Paulo Euclides Marques   A vistoria de veículos terrestres é atividade regulada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em atendimento ao disposto nos artigos 22, inciso III, e artigos 130 e 131 do Código de Trânsito...

Compreensão do processo

  Relações de trabalho exigem cuidado com contrato Por Rafael Cenamo Juqueira     O mercado de trabalho passou por determinadas alterações conceituais nos últimos anos, as quais exigiram do trabalhador uma grande mudança de pensamento e comportamento, notadamente quanto ao modo de...

Portal da Transparência

CNJ lança Portal da Transparência do Judiciário na internet Quinta, 20 de Janeiro de 2011     Informações sobre receitas e despesas do Poder Judiciário federal estão disponíveis no Portal da Transparência da Justiça (https://www.portaltransparencia.jus.br/despesas/), criado pelo Conselho...

Dentista reclama direito a aposentadoria especial

Quarta-feira, 19 de janeiro de 2011 Cirurgião dentista que atua no serviço público de MG reclama direito a aposentadoria especial Chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) Reclamação (Rcl 11156) proposta pelo cirurgião dentista Evandro Brasil que solicita o direito de obter sua aposentadoria...

OAB ingressará com Adins no STF contra ex-governadores

OAB irá ao Supremo propor cassação de pensões para os ex-governadores Brasília, 17/01/2011 - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, afirmou hoje (17) que a OAB ingressará com ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) no Supremo Tribunal Federal contra todos...

Desmuniciamento de arma não conduz à atipicidade da conduta

Extraído de Direito Vivo Porte de arma de fogo é crime de perigo abstrato 14/1/2011 16:46   O desmuniciamento da arma não conduz à atipicidade da conduta, bastando, para a caracterização do delito, o porte de arma de fogo sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar....