Pesquisa aponta que adolescente tem menos chance de ser adotado

Pesquisa aponta que adolescente tem menos chance de ser adotado

26/02/2012 - 11h37
Nacional
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília – À medida que a criança e o adolescente em um abrigo vão ficando mais velhos, menor a chance de ser adotado. Dos 27.437 interessados em adotar no Brasil, apenas 661 querem crianças e adolescentes de 8 a 17 anos de idade, menos de 3% do total. É o que mostra levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o cadastro de adoção divulgado na última semana.

A maioria dos pretendentes quer crianças com até 2 anos de idade. Das 4.799 crianças e adolescentes disponíveis para adoção, 91 estão na faixa etária até 2 anos, enquanto 548 têm 14 anos de idade.

O desejo de acompanhar as fases de crescimento é uma das explicações para a preferência em adotar bebês ou crianças pequenas. No Distrito Federal (DF), por exemplo, 97% dos candidatos querem crianças com até 3 anos de idade. Acima de 12 anos, praticamente não há casais interessados.

“Acredita-se que uma criança mais nova tem menos história que uma mais velha ou é mais fácil lidar com essa criança que tem poucas lembranças”, diz Niva Campos, responsável substituta pela Seção de Colocação das Crianças em Famílias Substitutas da 1ª Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal.

Se o adolescente chegar ao abrigo mais velho, a adoção fica mais difícil, segundo Cristiane Mendes, que chefia a fiscalização, orientação e o acompanhamento das entidades de acolhimento da vara judicial do DF. “Quanto maior a idade com que [o jovem] entra em uma instituição, menor a chance de adoção. A gente não tem visto a criança ficar muitos anos na instituição, o problema é a idade”.

A lei prevê que a criança e o adolescente podem ficar no abrigo pelo prazo de dois anos. Depois do período, e se não forem adotados, o juiz prorroga a permanência deles na instituição de acolhimento.

Conforme o balanço nacional, persiste também a preferência dos adotantes por crianças brancas - 35,8%. No entanto, 1.677 crianças aptas à adoção são brancas (34,1%), 2.249 pardas (45,7%) e 930 negras (18,9%). As amarelas e indígenas somam menos de 1%.

“As pessoas procuram adotar crianças com semelhança física a elas. A gente tem menos procura por crianças negras. Isso tem a ver com o preconceito racial. Mesmo em uma família negra ou multirracial existe uma tendência por crianças brancas”, explica Niva Campos.

Quase 60% dos pretendentes declaram ser indiferentes em relação ao sexo, porém 33,2% querem exclusivamente meninas, ante 9,6% para os garotos.

 

Edição: Fernando Fraga
Agência Brasil

Notícias

Medidas cautelares

  Prisão domiciliar-processual não é diferente da prisão Por Acauan de Azevedo Nunes A recente lei traz a possibilidade de concessão de medidas cautelares diversas da prisão, ganhando especial relevo providências como o monitoramento eletrônico do acusado, as proibições de que ele exerça...

Indicação de bem à penhora não afasta garantia da impenhorabilidade

Indicação de bem à penhora não afasta garantia da impenhorabilidade   Qua, 24 de Agosto de 2011 12:14 A indicação do bem à penhora pelo devedor não implica renúncia ao benefício da impenhorabilidade garantida pela Lei 8.009/90. A decisão é da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça...

OAB elabora anteprojeto sobre casamento e adoção para casais gays

OAB elabora anteprojeto sobre casamento e adoção para casais gays   Casamento e divórcio, proteção contra a violência doméstica, acesso à adoção e à herança, além de punição a atos discriminatórios. Esses são alguns dos direitos que a Ordem dos Advogados do Brasil pretende estender a...

Reconhecimento facilitado

Reconhecimento facilitado A legislação brasileira garante a toda pessoa o direito de ter o nome do pai na certidão de nascimento. No entanto, muitas mães, que não sabem disso, deixam de lado o reconhecimento de paternidade. O Projeto Pai Legal atua no Distrito Federal desde 2002. As escolas...