Principal obstáculo

Falta de apoio do poder público dificulta aplicação de penas alternativas, diz juiz Luciano Losekann, do CNJ

06/08/2013 - 17h59

A falta de apoio do poder público é o principal obstáculo para a melhoria do sistema penitenciário brasileiro, avaliou o juiz auxiliar Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luciano Losekann, durante o seminário Alternativas Penais: Novas Perspectivas, realizado na quinta-feira (1/8) em Manaus. "O cárcere e a pena de prisão por si só, no Brasil, estão absolutamente falidos", declarou o magistrado, que também coordena o Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF), do Conselho.

Ao falar sobre os avanços e retrocessos das medidas alternativas no Brasil, Losekann destacou a falta de apoio do Poder Público, o que dificulta a aplicação desse tipo de pena. A uma plateia de mais de 250 pessoas da Região Norte, entre magistrados, promotores, defensores públicos, servidores do Judiciário, psicólogos, assistentes sociais e estudantes, o juiz falou ainda sobre os princípios norteadores da aplicação da pena, a evolução do sistema de penas restritivas previstas no Código Penal e a atual sistemática de penas e medidas alternativas utilizada no Brasil.

Na avaliação do juiz, as penas e medidas alternativas têm maior eficácia que as privativas de liberdade. "As penas restritivas de direito e as outras medidas alternativas servem como um estímulo para que as pessoas não sejam levadas ao cárcere, meditem sobre a sua conduta e não voltem a praticar o mesmo delito. Essas penas têm que ser não apenas incentivadas, mas serem incrementadas", pontuou.

Estrutura - Segundo o palestrante, um dos maiores desafios na aplicação dessa sistemática penal é a falta de apoio necessário para se atingir a efetividade da pena ou da medida aplicada. "É necessário que o poder público, especialmente o Poder Executivo, disponha de estrutura, caso contrário, de nada adianta os dispositivos legais e a boa vontade dos juízes se não tivermos uma estrutura paralela que nos auxilie nessa tarefa", avaliou.

Um fator que contribui para essa falta de apoio, na visão do magistrado, recai sobre a ideia semeada na sociedade de que a impunidade está associada às medidas e penas alternativas. "As penas alternativas são medidas preventivas eficazes de combate à criminalidade, e essa noção poucas pessoas da sociedade têm porque são mal informadas sobre isso", acrescentou Losekann.

O juiz disse ainda que muitos meios de comunicação difundem a ideia de que penas alternativas significam impunidade. "Não é isso. Pelo contrário. As penas alternativas constituem o ingresso do sujeito no sistema de Justiça Criminal e, ao mesmo tempo, são uma tentativa de barrar esse cidadão, para que ele não ingresse num presídio, que hoje é absolutamente disfuncional e não cumpre papel da ressocialização", acrescentou o palestrante.

 

Fonte: TJAM

Extraído de CNJ

Notícias

STJ não conhece recurso sobre caução em penhora por falta de impugnação

STJ não conhece recurso sobre caução em penhora por falta de impugnação 4ª turma manteve decisão sem analisar mérito por óbices processuais. Da Redação quarta-feira, 15 de abril de 2026 Atualizado às 11:09 A 4ª turma do STJ, por unanimidade, não conheceu de recurso especial em caso que discutia a...

Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em um ano

Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em um ano Letícia Furlan Repórter de Mercados Publicado em 11 de abril de 2026 às 14h00. Entre os recortes analisados, o destaque está nas gerações mais jovens. A geração Z, formada por pessoas entre 21 e 28 anos, lidera a intenção de compra, com 59%...

Gênero não binário integra personalidade e pode estar no registro civil

Questão de identidade Gênero não binário integra personalidade e pode estar no registro civil 9 de abril de 2026, 10h38 “O Colendo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 4275, que analisou a possibilidade de alteração do prenome e do sexo no registro civil de pessoa transgênero, assentou...