Reconciliação do casal após a escritura ou a sentença de divórcio

Reconciliação do casal após a escritura ou a sentença de divórcio

Carlos Eduardo Elias de Oliveira
quarta-feira, 21 de junho de 2023
Atualizado às 07:44

É ou não possível que o casal se reconcilie após a lavratura da escritura pública de divórcio ou o trânsito em julgado da sentença de divórcio?

A resposta é, a nosso sentir, positiva, desde que não tenha ocorrido o registro da sentença ou da escritura no Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais (RCPN). Se já tiver ocorrido esse registro, a única via para reatar a união é por meio de um novo casamento.

É que o divórcio, enquanto mudança do estado civil, só ultrapassa o plano da eficácia no momento do registro da sentença ou da escritura no RCPN, de modo que, só a partir daí, é que o estado civil de casado se transmuda. Antes disso, a eficácia da sentença ou da escritura pública de divórcio - ao menos em relação à mudança do estado civil - não chega a constituir um novo estado civil (art. 32, lei 6.515/1977).

Antes do registro, o ato apenas tem eficácia inter partes e, por isso, pode ser objeto de "distrato" pelas partes. O ato não espraiou efeitos para além do casal, pelo que pode ser "abortado" mediante uma "distrato".

Após o registro, o ato já terá assumido eficácia erga omnes com a mudança do estado civil e, por isso, já não pode mais ser objeto de "distrato". Caberá às partes casar de novo, se quiserem retornar ao estado civil de casado.

O "distrato" do divórcio deverá observar o princípio do paralelismo da forma, por aplicação analógica do art. 472 do Código Civil.

No caso de escritura pública de divórcio, a perda de seu efeito deverá ocorrer por meio de uma escritura firmada por ambos os consortes. Já no caso de uma sentença de divórcio já transitada em julgado, o caminho é ambos os consortes, por simples petição nos autos, pedir ao juiz que torne sem efeito a sentença de divórcio: a sentença aí não faz coisa julgada material, mas apenas formal.

Fonte: Migalhas

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