Segmento de carros populares

09/09/10 - 00:00 > AUTOMÓVEIS

Toyota investe US$ 700 mi para ter carro popular no País

 

Danilo Sanches

SOROCABA - No dia em que o Brasil bateu recorde histórico de produção de automóveis, em agosto, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), com o que se consolida como o 4º maior mercado de automóveis do mundo, a montadora japonesa Toyota anunciou ontem sua entrada no segmento de carros populares a fim de dobrar sua participação no mercado nacional em dois anos. Os japoneses já definiram o alvo entre os veículos compactos: vão disputar o mercado do Gol (Volkswagen) e do Palio (Fiat).

Com aporte de sessenta bilhões de ienes (cerca US$ 700 milhões), a Toyota abre sua terceira fábrica no Brasil e espera dobrar a capacidade produtiva e chegar a 140 mil veículos ao ano. A nova fábrica, em Sorocaba (interior de SP), possui licença para produzir 400 mil automóveis por ano, mas vai trabalhar bem abaixo da capacidade, colocando nas ruas 70 mil novos veículos anualmente. Esta é a previsão inicial, uma vez que a empresa confirmou que a capacidade de produção do modelo Corolla na planta de Piracicaba (SP) está no limite. Apesar da possibilidade aventada, a companhia nega que a nova fábrica possa ser usada para desafogar a produção do modelo que atualmente representa quase 60% de sua produção nacional.

"O aporte, feito com capital próprio, é adequado para nosso planejamento de produção de 70 mil carros por ano", afirma Shozo Hasebe, presidente da Toyota para o Mercosul.

Mercado

Com a nova investida, a montadora japonesa espera saltar, nos próximos dois, anos para 8% de participação no mercado nacional - ante os atuais 3% -, liderado exatamente pelas grandes concorrentes no nicho que a montadora espera pleitear com um carro baseado num modelo vendido na Índia. A montadora, que vem de um plano de investimento de US$ 2 bilhões no Mercosul entre 1997 e 2012, tem também como mercado do novo modelo os países do bloco latino.

Os japoneses, por outro lado, terão de lutar contra a crise de imagem que se abateu sobre a marca nos EUA e no Brasil em função do alto número de recalls no primeiro semestre deste ano. "De fato tivemos problemas nos EUA, e um pouco no Brasil, mas a empresa vai lidar seriamente com estas questões. Inclusive já foi criado no Brasil um comitê que cuidará unicamente de assuntos relacionados à qualidade dos produtos", considera Hasebe.

Anfavea

A indústria brasileira de veículos registrou o melhor mês de agosto da história. De acordo com números da Anfavea, no mês passado, que também foi o segundo melhor mês do ano, o setor produziu 329,1 mil unidades, alta de 3,4% sobre julho e de 11,5% em relação a agosto de 2009. O desempenho ficou perto do recorde histórico de produção de março deste ano -339,7 mil unidades-, quando venceu o desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) concedido pelo governo durante a crise internacional.

Apesar do alto crescimento, a Anfavea manteve as projeções de produção anual recorde de 3,39 milhões de veículos, alta de 6,5% sobre 2009, e vendas também recordes de 3,4 milhões de unidades, ou avanço de 8,2% sobre as de 2009. "Não revisamos as projeções, apesar de o desempenho até agora estar acima delas, porque esperamos um mês de dezembro mais fraco. O último mês de 2009 teve um comportamento diferente do de um mês de dezembro típico por causa dos incentivos fiscais", explicou o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini. Apesar disso, ele declarou que espera que o desempenho do setor fique "acima da projeção".

Nos oito primeiros meses do ano foram produzidos 2,41 milhões de veículos, o que representa uma expansão de 17,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. As vendas de veículos no mercado brasileiro somaram 312,8 mil unidades em agosto deste ano, registrando uma alta de 3,5%, ante julho e uma alta de 21,2% no confronto com agosto de 2009. No acumulado do ano, foram vendidos 2,19 milhões de veículos, o correspondente a um aumento de 10,1% ante o mesmo período de 2009.

Para o presidente da Anfavea, as vendas de veículos no mercado interno devem seguir por volta de 300 mil unidades por mês até o fim do ano. Sobre as vendas de agosto, ele disse que o setor está vivendo um bom momento, que reflete a realidade econômica do País. "Atribuímos o avanço ao bom andamento da economia, à confiança do consumidor, à expansão do crédito e aos menores níveis de desemprego", disse. Apesar do otimismo, Belini afirmou que parte do avanço foi motivada por maiores importações.


Fonte: DCI

 

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