TJGO: Uma família igual às outras – só que maior

TJGO: Uma família igual às outras – só que maior

Sexta, 27 Novembro 2015 12:05

“Ela sempre ouviu, viu e percebeu com o tempo que tem duas mães e um pai, e ainda seis avós e um tanto de tios e tias. Ela percebe essa relação com naturalidade porque sempre tratamos o fato como algo natural e valorizando sempre a afetividade nas relações de família. Sempre explicamos que existem várias formas de famílias e ela compreende muito bem. Ela percebe que a dela só é uma família maior, mas ao mesmo tempo também percebe que a nossa família tem a mesma dinâmica de outras que ela conhece. A nossa filha é reconhecida socialmente como filha dos três desde a gestação, seja na família, na escola, nos consultórios médicos, em viagens, no trabalho, em todo lugar, e chama carinhosamente as duas de ‘mãe’. Tem coisa mais maravilhosa do que ter amor sobrando?”

É assim que a garotinha de seis anos, que tem um pai e duas mães na certidão de nascimento, percebe a sua família. Quem afirma é a mãe afetiva,“D”, que junto com sua companheira, “L”,e o amigo, “A”,são os pais da menina; os dois últimos são os pais biológicos da criança, que foi concebida por meio de inseminação artificial.

Seis anos após o nascimento da criança, a família obteve o reconhecimento jurídico da relação multiparental que ocorreu desde o planejamento da gestação e que teve a participação dos três, de comum acordo, em busca da realização de um sonho: ser mães e ser pai.

“Esse planejamento sempre foi pautado por respeito mútuo, fidelidade e companheirismo, e em outubro de 2009 nasceu a nossa filha. Na verdade, no cotidiano, na vida real dela e nossa, os três são pais”, diz “D”.

A Justiça goiana reconheceu a relação multiparental e determinou que o nome da mãe afetiva fosse incluído no registro civil. Segundo “D”, uma decisão inovadora, coerente e justa. “Dá-se ao vínculo afetivo sua devida importância. Esse reconhecimento não é uma vitória só nossa, mas de muitas famílias, como a nossa, que cumprem muito bem suas funções sociais”, diz.

A partir de agora “D” se sente mais segura para fazer atividades com sua filha.  “Quando a afeição passa a ter um valor jurídico e os direitos à maternidade passam a ser reconhecidos pela Lei, todas as atividades com minha filha, agora, passarei a fazê-las com mais segurança. Os três, a partir de agora, têm igualmente a liberdade e o direito ao estado de filiação, não deixando dúvidas de que também sou mãe dela”, diz.

A juíza da 1ª Vara de Família e Sucessões de Goiânia Sirlei Martins da Costa, membro do IBDFAM, em sua decisão, endossou a família plural como consequência de uma nova perspectiva da sociedade em uma busca incessante da felicidade individual, baseada no afeto e no usufruto de uma vida digna, saudável e plena.

Para ela, em razão dos múltiplos arranjos familiares, não há como negar a proteção estatal a qualquer família, independentemente da orientação sexual dos seus partícipes.

Para a advogada Chyntia Barcellos, membro do IBDFAM, a decisão é importante ao reconhecer e dar juridicidade a essas famílias e mostrar que as famílias homoafetivas, os arranjos múltiplos, independentemente da forma que acontecem, trazem consigo os mesmos direitos e têm a mesma base, o afeto e a busca da felicidade.

“Costumo dizer que mais do que um direito dos pais, é um direito da criança ter sua dignidade garantida, preservada e inviolada, com a segurança de todas as suas mães e seu pai em seu registro. A organização e planejamento familiar desse vínculo multiparentel é de fazer inveja a muitas famílias tradicionais, dissolvidas pela separação e pelo divórcio, que nem ao menos conseguem compartilhar consensualmente a guarda de seus filhos”, diz.

*Os nomes das partes foram suprimidos em razão do sigilo dos processos judiciais de família.

(Fonte: TJGO)
Extraído de Anoreg/BR

Notícias

Pouco conhecido, pagamento de pensão pelos avós protege infância

Opinião Pouco conhecido, pagamento de pensão pelos avós protege infância Marcos Bilharinho 28 de janeiro de 2026, 6h35 É constatado, ainda, que o Brasil é a única nação que destina mais de seis vezes dos recursos do orçamento para os mais velhos do que para os mais jovens. Prossiga em Consultor...

Doação em vida ou testamento? Como escolher

Doação em vida ou testamento? Como escolher Izabella Vasconcellos Santos Paz Comparação entre doação em vida e testamento no planejamento sucessório, destacando vantagens, riscos e como escolher a estratégia ideal para garantir segurança familiar. terça-feira, 27 de janeiro de 2026 Atualizado às...

Assinatura digital e eletrônica: qual a diferença real entre elas?

Tecnologia Assinatura digital e eletrônica: qual a diferença real entre elas? Embora pareçam sinônimos, os termos têm diferenças técnicas e de validade jurídica importantes; entenda de vez para não errar na hora de usar Juliane Aguiar  22/01/2026 14:47 Assinar um documento sem caneta e...

e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário

e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário Renato Martini e André Caricatti A relevância do e-Not Provas não está apenas na captura de uma tela, está na tentativa de resolver a volatilidade do conteúdo online e o risco de desaparecimento do vestígio. sexta-feira, 16 de janeiro de...