Zero Hora - Colunista Paulo Santana - Casamento é muito caro

Fonte: www.espacovital.com.br

 

Zero Hora - Colunista Paulo Santana - Casamento é muito caro

    (09.05.11)

 

Tenho um amigo que passou a vida inteira me dizendo que, se fosse homossexual, teria uma vida financeira feliz, pois paga duas pensões alimentícias para duas ex-mulheres que o crucificam economicamente.

Pois desde quinta-feira o meu amigo não pode mais dizer-me isso: o Supremo Tribunal Federal decidiu que daqui por diante as uniões estáveis entre gays serão suscetíveis de partilhas de bens, pensão alimentícia e herança.

Ou seja, se meu amigo fosse homossexual, isso não o livraria dos tributos da separação.

***

O que me intriga são as obrigações financeiras que vêm implícitas nas relações amorosas.

Antes, levava-se em conta nessas obrigações, quando da separação, os filhos que o casamento deixara quando se desfez.

Mas agora desapareceu a alegação de filhos. Homens e mulheres com cônjuge do mesmo sexo que vierem a separar-se terão de arcar com as obrigações de pensão alimentícia, partilha e herança. Os filhos desapareceram, assim, como óbices à separação.

***

Na verdade, eu sei por que são intrínsecas à separação essa obrigações financeiras, que, como se sabe, são perpétuas, só desaparecerão quando um dos cônjuges morrer. Pena perpétua.

É que na constituição do amor, o âmago da relação amorosa já vem marcado pela ameaça da separação.

O amor já carrega, portanto, desde o seu nascimento, na sua estrutura orgânica e emocional, o vírus da separação.

Ainda mais hoje em dia, são raros os casamentos que se só findam com a morte dos cônjuges. A fadiga dos metais é hoje a causa mais frequente do arrasador índice de separações.

***

E, como o dinheiro comanda todas as ações humanas, não surpreende que controle também as relações conjugais e a extinção delas.

Um pensamento antigo meu, já escrito aqui há muitos anos é o de que só existe uma coisa pior que o casamento: a separação.

O STF nada mais fez do que declarar peremptoriamente, a todos os cidadãos brasileiros, que examinem os deveres financeiros acarretados no casamento e na união estável e só perpetrem um acasalamento depois de terem muito bem em vista as obrigações decorrentes de uma separação.

***

Eu já sabia há muito tempo que tanto o amor quanto o sexo custam caro.

No seu início, o amor é pleno de delícias e de boas notícias. Vive-se num paraíso.

Mas basta findar o amor e se tornar inevitável a separação para que rios de sangue, suor e lágrimas banhem as relações entre os separados.

Quantos e quantos deixam de separar-se e mantêm os atribulados grilhões só para não mergulhar na falência econômico-financeira!

O casamento é, pois, uma coisa muito séria. É preciso refletir-se muito antes de mergulhar em suas águas.

Poucos saem impunes de qualquer união.

Leia a matéria na origem, clicando aqui.

 

Notícias

Inclusão do cônjuge do devedor na execução: até onde vai a conta do casamento?

Opinião Inclusão do cônjuge do devedor na execução: até onde vai a conta do casamento? Lina Irano Friestino 19 de dezembro de 2025, 9h25 A decisão do STJ no REsp 2.195.589/GO reforça algo que, no fundo, já estava escrito na lógica do regime de bens: casar sob comunhão parcial significa dividir não...

Contrato e pacto antenupcial pela perspectiva de gênero

Contrato e pacto antenupcial pela perspectiva de gênero Autor: Rodrigo da Cunha Pereira | Data de publicação: 16/12/2025 O Direito das Famílias e Sucessões está cada vez mais contratualizado. Isto é resultado da evolução e valorização da autonomia privada, que por sua vez, vem em consequência do...

Autocuratela o novo instrumento que redefine autonomia no futuro

Autocuratela o novo instrumento que redefine autonomia no futuro Marcia Pons e Luiz Gustavo Tosta Autocuratela, agora regulamentada pelo CNJ, permite que qualquer pessoa escolha seu curador antecipadamente, reforçando autonomia e prevenindo conflitos familiares. terça-feira, 9 de dezembro de...

Valor Investe: Seu imóvel vai ganhar um 'CPF': veja o que muda a partir de 2026

Valor Investe: Seu imóvel vai ganhar um 'CPF': veja o que muda a partir de 2026 Por Yasmim Tavares, Valor Investe — Rio 02/12/2025 06h30  Atualizado há 4 dias A implementação do CIB acontecerá de forma escalonada: capitais e grandes municípios terão até agosto de 2026 para atualizar seus...