ABNT: não é preciso mais normas de segurança para espaços de eventos

27/02/2013 - 21h10

ABNT: não é preciso mais normas de segurança para espaços de eventos

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Carlos Santos Amorim Jr (diretor de relações externas da ABNT)
Amorim Junior: as normas já existem, contudo, no caso da ABNT, o cumprimento não é obrigatório.

O diretor de Relações Externas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Carlos Santos Amorim Junior, negou que exista necessidade de novas normas para garantir a seguranças de espaços para eventos. “As normas já existem, basta aplicá-las”, afirmou. Ele informou, contudo, que, no caso da ABNT, o cumprimento das normas não é obrigatório.

De acordo com Amorim Junior, as 60 regras estabelecidas pela associação incluem, por exemplo, a presença de:
- portas que abrem para o lado de fora;
- brigada de incêndio, dependendo do tamanho do prédio;
- extintores de incêndio periodicamente testados; e
- plano de emergência contra incêndios.

Amorim Júnior participou nesta quarta-feira (27) de audiência pública realizada pela comissão externa da Câmara que acompanha as investigações sobre o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), para discutir normas gerais de segurança em casas de espetáculos e similares. Hoje faz um mês que ocorreu a tragédia na cidade gaúcha que resultou na morte de 239 pessoas até o momento.

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Dep. Paulo Pimenta (PT/RS)
Paulo Pimenta: a comissão vai estudar quais normas são fundamentais para dar-lhes força de lei.

O coordenador da comissão, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), salientou que o colegiado vai estudar quais normas são fundamentais para dar-lhes força de lei. Ele explicou que a norma, ao contrário de uma lei, não prevê punição se não for cumprida. “A norma da ABNT diz como deve ser a porta de emergência, mas o município tem que ter autonomia para, na sua lei municipal, adotar ou não essa norma. O problema é que, caso não adote, não há nenhuma consequência para aqueles que tomaram a decisão de não cumpri-la”, afirmou.

Fiscalização de engenheiros
O presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), José Tadeu da Silva, afirmou que a legislação não prevê que engenheiros participem da liberação de prédios e estabelecimentos. “O profissional não vai até lá para ver se foi tudo feito de acordo com o projeto. Quem faz isso, que dá o Habite-se é a prefeitura”, declarou.

O engenheiro lembrou, da mesma forma, que apenas as prefeituras podem lacrar casas comerciais. “O Confea não tem poder de lacre”, acrescentou.

José Tadeu observou que os projetos feitos por engenheiros estariam sempre de acordo com todas as normas de segurança, mas pode ocorrer de um proprietário descumprir o projeto, por exemplo, para cortar custos.

Na opinião do representante do Confea, não deveria existir alvará definitivo para o funcionamento de comércio. Para ele, não apenas faltam vistorias, como também falta qualificação para os responsáveis por elas. O problema seria ainda mais grave nos casos de obras modificadas a posteriori, muitas vezes com reformas que deturpam o projeto original.

Para José Tadeu, todas as vistorias de obras deveriam ser realizadas por profissionais habilitados, no caso engenheiros. Ele considera que é necessária a criação de cargos reservados para profissionais de engenharia nos corpos de bombeiros.

Próximos passos
Paulo Pimenta disse que a comissão ainda está na fase de ouvir as opiniões. “Temos duas audiências e existe uma série de outros setores que precisam também nos apresentar seu ponto de vista”, disse.

 

Reportagem - Oscar Telles
Edição – Regina Céli Assumpção

Foto em destaque: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Agência Câmara Notícias

 

Notícias

É válida escuta autorizada para uma operação e utilizada também em outra

24/02/2011 - 10h16 DECISÃO É válida escuta autorizada para uma operação e utilizada também em outra Interceptações telefônicas autorizadas em diferentes operações da Polícia Federal não podem ser consideradas ilegais. Essa foi a decisão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao...

Estatuto da família

  Deveres do casamento são convertidos em recomendações Por Regina Beatriz Tavares da Silva   Foi aprovado em 15 de dezembro de 2010, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, um projeto de lei intitulado Estatuto das Famílias (PL 674/2007 e...

Casal gay ganha guarda provisória de criança

Extraído de JusBrasil Casal gay ganha guarda de menino no RGS Extraído de: Associação do Ministério Público de Minas Gerais - 1 hora atrás Uma ação do Ministério Público de Pelotas, que propõe a adoção de um menino de quatro anos por um casal gay, foi acolhida ontem pela juíza substituta da Vara...

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato A primeira atualização da Lei do Inquilinato (8.245/91) acabou de completar um ano com grande saldo positivo, evidenciado principalmente pela notável queda nas ações judiciais por falta de pagamento do aluguel. (Outro efeito esperado era a redução...

Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente

24/02/2011 - 08h08 DECISÃO Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente É indevida a indenização decorrente do seguro de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, o DPVAT, se o acidente ocorreu sem o envolvimento direto do veículo. A decisão é da...

Função delegada

  Vistoria veicular por entidade privada não é ilegal Por Paulo Euclides Marques   A vistoria de veículos terrestres é atividade regulada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em atendimento ao disposto nos artigos 22, inciso III, e artigos 130 e 131 do Código de Trânsito...