Adiada votação de projeto que atribui execução de dívidas a tabeliães

Para o relator do projeto, senador Marcos Rogério, medida irá aliviar a sobrecarga de processos no Poder Judiciário e tornar a execução civil mais rápida e eficaz
Waldemir Barreto/Agência Senado

Adiada votação de projeto que atribui execução de dívidas a tabeliães

Da Agência Senado | 28/06/2022, 18h04

Foi retirado da pauta de votações do Plenário do Senado desta terça-feira (28) o projeto de lei que cria a execução extrajudicial de dívidas, que passaria a ser uma das atribuições dos tabeliães de protesto. Segundo a autora do PL 6.204/2019, a senadora Soraya Thronicke (União-MS), a ideia é facilitar e tornar mais rápida a cobrança de dívidas. 

O relator do projeto é o senador Marcos Rogério (PL-RO). Ele acredita que a mudança vai aliviar a sobrecarga de processos no Poder Judiciário e tornar a execução civil mais rápida e eficaz. Ele lembrou recente sessão temática sobre a proposta.

— Eu optei por adotar um modelo híbrido, dando ao credor a liberdade de escolher: se ele quer seguir na via judicial ou se ele quer seguir pela via do cartório. É opcional, então, aqui está a regra da liberdade. Um caminho de entendimento que assegure o devido processo legal, a inafastabilidade da jurisdição, mas que, para quem está lá na ponta, ganhou, mas não levou, tenha a possibilidade de optar se quer continuar pela via do Judiciário ou se quer optar pela via cartorial — afirmou o relator.

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Judiciário brasileiro tinha mais de 75 milhões de ações e processos em andamento em 2020. Desse montante, pelo menos 39 milhões eram demandas de natureza fiscal, cível ou de cumprimento de sentenças.

Soraya Thronicke afirmou no Plenário que o texto proposto pelo relator vai permitir que o credor escolha se quer cobrar a dívida pendente no cartório ou na Justiça.

— É algo que vai ser um divisor de águas na solução dos litígios e, principalmente, a economia que nós iremos fazer. (...) Será um marco na prestação jurisdicional — disse a senadora.

A proposta

O projeto de Soraya Thronicke "desjudicializa" parte das execuções civis, que são as cobranças de obrigações não cumpridas pelos devedores. A atribuição passa aos tabeliães de protesto. A intenção da proposta é desafogar o Poder Judiciário.

Na justificação do projeto, a autora cita números do CNJ, segundo os quais as execuções civis representam cerca de 17% de todas as demandas em tramitação na Justiça, ou 13 milhões de processos. Em média, essa tramitação leva quatro anos e nove meses, e de cada 100 processos, em apenas quinze, aproximadamente, a cobrança é bem-sucedida.

"Diante deste cenário caótico, não é difícil concluir que os impactos negativos econômicos são incalculáveis, na exata medida em que bilhões em créditos anuais deixam de ser satisfeitos, impactando diretamente o crescimento nacional", conclui Soraya Thronicke.

O parecer do relator é favorável, nos termos de um substitutivo que buscou aperfeiçoar o texto. "Não temos dúvidas de que a desjudicialização da execução é um caminho importantíssimo para aliviar a sobrecarga dos processos no Judiciário", afirma Marcos Rogério.

Uma das principais alterações feitas pelo substitutivo foi facultar ao credor apresentar o título executivo ao tabelião ou ao juízo competente — no texto original, a única opção seria o tabelionato. Marcos Rogério alega que "a facultatividade procedimental amolda-se ao contexto histórico brasileiro da desjudicialização". Ele sugere, "se for o caso, mais adiante, transmutar para a obrigatoriedade". Ainda de acordo com o substitutivo, execuções de sentenças obrigando a pagar alimentos continuarão a tramitar na Justiça.

Fonte: Agência Senado

Notícias

Casal gay ganha guarda provisória de criança

Extraído de JusBrasil Casal gay ganha guarda de menino no RGS Extraído de: Associação do Ministério Público de Minas Gerais - 1 hora atrás Uma ação do Ministério Público de Pelotas, que propõe a adoção de um menino de quatro anos por um casal gay, foi acolhida ontem pela juíza substituta da Vara...

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato A primeira atualização da Lei do Inquilinato (8.245/91) acabou de completar um ano com grande saldo positivo, evidenciado principalmente pela notável queda nas ações judiciais por falta de pagamento do aluguel. (Outro efeito esperado era a redução...

Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente

24/02/2011 - 08h08 DECISÃO Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente É indevida a indenização decorrente do seguro de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, o DPVAT, se o acidente ocorreu sem o envolvimento direto do veículo. A decisão é da...

Função delegada

  Vistoria veicular por entidade privada não é ilegal Por Paulo Euclides Marques   A vistoria de veículos terrestres é atividade regulada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em atendimento ao disposto nos artigos 22, inciso III, e artigos 130 e 131 do Código de Trânsito...

Compreensão do processo

  Relações de trabalho exigem cuidado com contrato Por Rafael Cenamo Juqueira     O mercado de trabalho passou por determinadas alterações conceituais nos últimos anos, as quais exigiram do trabalhador uma grande mudança de pensamento e comportamento, notadamente quanto ao modo de...

Portal da Transparência

CNJ lança Portal da Transparência do Judiciário na internet Quinta, 20 de Janeiro de 2011     Informações sobre receitas e despesas do Poder Judiciário federal estão disponíveis no Portal da Transparência da Justiça (https://www.portaltransparencia.jus.br/despesas/), criado pelo Conselho...