Comissão adia para a próxima semana votação de projeto que proíbe união homoafetiva

GIlmar Félix / Câmara dos Deputados
Fernando Rodolfo: "Vamos deixar claro o que será permitido e virar a página disso"

Comissão adia para a próxima semana votação de projeto que proíbe união homoafetiva

Após 5 horas de debate, deputados firmaram acordo para realizar audiência pública no dia anterior e para não obstruir a votação

19/09/2023 - 19:13

A Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família adiou para a próxima quarta-feira (27) a votação do projeto de lei que, na prática, proíbe a união civil entre pessoas do mesmo sexo no País.

Após quase 5 horas de debates, o acordo firmado no colegiado prevê o compromisso de partidos contrários ao projeto de não obstruírem a votação e também a realização de uma audiência pública um dia antes, na terça-feira (26).

A proposta de alteração do Código Civil está prevista no PL 5167/09, do ex-deputado Capitão Assumção (ES). O texto, que tramita na Câmara há quase 15 anos, foi apensado a outro projeto (PL 580/07), do também ex-deputado Clodovil Hernandes (SP), falecido em 2009, que, ao contrário, assegura a união homoafetiva por meio de contrato para fins patrimoniais.

Desde 2011, o Supremo Tribunal Federal reconhece a união homoafetiva como núcleo familiar, equiparando as relações entre pessoas do mesmo sexo às uniões estáveis entre homens e mulheres.

Presidente da comissão, o deputado Fernando Rodolfo (PL-PE) leu os termos do acordo, deixando claro o que será permitido ou não na votação do projeto. “Eu vou fazer a leitura do acordo e a gente vai virar a página disso”, explicou. “Ficam garantidos na discussão dez oradores favoráveis e dez oradores contrários, encaminhamento e orientação de bancadas, pedido de votação nominal e de verificação de quórum, além do tempo para líderes”, acrescentou.

Ele esclareceu que também será possível apresentar destaques e fazer a leitura de até três votos em separado.

Debates
Pouco antes do acordo e já com mais de 4 horas de debates nesta terça-feira (19), a deputada Erika Hilton (Psol-SP) lamentou a permanência do impasse sobre o adiamento da votação para a próxima semana. “Havia um encaminhamento pelo acordo, agora se mudou a compreensão porque, do nada, surge na cabeça de alguns deputados a ideia de que não há compromisso para o acordo”, observou.

Relator da matéria, o deputado Pastor Eurico (PL-PE) foi um dos que manifestou preocupação com o descumprimento do acordo, o que permitiria a utilização de instrumentos regimentais para atrasar a votação do projeto. “Quando chegar a hora, só essa discussão sobre a ata poderá levar até 2 horas,”, disse ele, referindo-se a um questionamento da deputada Erika Kokay (PT-DF) sobre a leitura de ata na votação da próxima quarta-feira.

Pouco antes do entendimento, Kokay frisou a importância de deixar claro quais itens regimentais poderão ser usados sem configurar quebra do acordo de não obstrução. “Destaque não é obstrução. Encaminhamento de votação também não é. Tempo de líder não é. Conferência de quórum e votação nominal também não. É preciso deixar isso claro”, pontuou.

A deputada Lídice da Mata (PSB-BA), adiantando a discussão da próxima semana, afirmou que o que está em debate não diz respeito à crença religiosa. “Isso diz respeito à sucessão, ao direito de herança numa família”, afirmou.

Apesar de também negar a relação da proposta com religião, o deputado Eli Borges (PL-TO) contradisse a fala. “Aqui não é questão de religião. É questão de ciência. Não é questão de homossexual, é questão de ativista. Não estamos votando nada além do que preceitua a Constituição Federal e além do princípio bíblico que Deus criou o homem e a mulher”, disse.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Ana Chalub

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Notícias

STJ muda jogo do Airbnb: locação por temporada agora passa pelo condomínio

STJ muda jogo do Airbnb: locação por temporada agora passa pelo condomínio Condomínios podem decidir sobre limitação dessa modalidade em suas convenções, mas precisará de quórum de dois terços para conseguir aprovar medida Anna França 15/05/2026 08h00 • Atualizado 6 dias atrás A decisão do Superior...

Justiça nega herança por falta de prova de paternidade afetiva

11/05/2026 17:26 Justiça nega herança por falta de prova de paternidade afetiva O Tribunal de Justiça de Rondônia negou o pedido de uma mulher que buscava ser aceita como filha de um homem que morreu. Com isso, ela teve negado o direito à herança. A decisão foi da 2ª Câmara Cível do TJRO. O...

Inventário. União estável. Direito sucessório – cláusula contratual – exclusão – companheiro sobrevivente. Herança – renúncia antecipada. Nulidade

Inventário. União estável. Direito sucessório – cláusula contratual – exclusão – companheiro sobrevivente. Herança – renúncia antecipada. Nulidade TJMS – TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. INVENTÁRIO. UNIÃO ESTÁVEL. CLÁUSULA CONTRATUAL QUE EXCLUI...

STJ: Inadimplente não pode reter imóvel por benfeitorias úteis

Direito de retenção STJ: Inadimplente não pode reter imóvel por benfeitorias úteis Para ministros da 3ª turma, quem está em débito não pode impedir retomada do imóvel até receber eventual indenização por melhorias. Da Redação terça-feira, 12 de maio de 2026 Atualizado às 19:31 Ocupante inadimplente...