Comissão aprova projetos que criam rede de proteção contra tráfico de pessoas

09/12/2014 - 22h46

Comissão aprova projetos que criam rede de proteção contra tráfico de pessoas

O texto prevê que os processos de adoção internacional só poderão ser intermediados por organismos devidamente credenciados no Brasil.

Antonio Araújo / Câmara dos Deputados
Preparativos da reunião para discutir e votar o parecer do relator, dep. Arnaldo Jordy (PPS-PA), com substitutivo
Arnaldo Jordy (C) a nova lei trará maior rigor no combate ao tráfico internacional.
 

Comissão Especial de Repressão ao Tráfico de Pessoas aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (9), o substitutivo do deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) sobre projetos que criam uma rede de proteção contra esse crime. O texto reuniu propostas do Projeto de Lei (PL) 7370/14, de autoria da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas do Senado, e ao PL 6934/13, da CPI sobre o tema que funcionou na Câmara.

A comissão foi criada em 2013 para investigar o tráfico de pessoas no Brasil durante a vigência da Convenção de Palermo. A convenção foi adotada pelo País em 2004 e combate o tráfico de pessoas nos âmbitos doméstico e internacional.

Adoção
A proposta altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei 8.069/90) e o Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40), torna o tráfico de pessoas e o trabalho escravo em crimes hediondos e diminui a burocracia para a adoção de crianças e adolescentes. O objetivo é estimular a adoção legal.

O texto prevê que os processos de adoção internacional só poderão ser intermediados por organismos devidamente credenciados no Brasil, vedada a intermediação por pessoa física. “Evita-se assim manobras ilícitas por parte de quadrilhas que negociam a venda de crianças para finalidades escusas”, afirma Jordy.

Tráfico internacional 
Arnaldo Jordy explica que a nova lei trará maior rigor no combate ao tráfico internacional. O menor de 16 e maior de 14 anos não poderá exercer atividades em espetáculos públicos, atividade esportiva e concursos de beleza fora do País.

Já o menor de 18 e maior de 16 anos só poderá ser contratado para prestar serviços fora do Brasil com autorização dos pais ou responsáveis e do juiz, ouvido o Ministério Público, sendo facultado à família indicar alguém para acompanhar o menor durante sua estada no exterior, com despesas pagas pelo contratante.

"Estabelecemos um rigor maior na possibilidade de jovens e adolescentes irem para o exterior. Nós inovamos na legislação brasileira criando um critério rigoroso, pois o que nós assistimos aqui é a ida de jogadores de futebol, como quem leva uma camisa para o exterior e faz desse objeto o que quer. Nós não podemos ver o bem jurídico mais importante da sociedade sendo tratado de forma cruel."

Segundo o relator, uma diversidade maior de pessoas serão abrangidas pela lei. "Outro ponto importante foi aumentar a pena para segmentos mais vulneráveis, como homossexuais, negros, mulheres, pessoas de baixa renda, migrantes e todos os segmentos que fazem parte e hoje respondem pela estatística. Até porque há uma incidência maior de prática criminosa contra eles."

Comissões do legislativo
Arnaldo Jordy ressalta a importância do trabalho das comissões criadas para combater o tráfico de pessoas. "Acho que a sociedade brasileira vai ter agora um instrumento moderno, contemporâneo, infinitamente melhor e extremamente eficaz para combater um crime.

O parlamentar lembrou que o crime que movimenta 30 bilhões de dólares por ano no mundo inteiro, e que vitima mais de 5 milhões de pessoas no mundo. “E o Brasil tem uma participação expressiva nessas estatísticas."

Tramitação
A proposta ainda será analisada pelo Plenário da Câmara. Se aprovada, seguirá para o Senado
.

 

Reportagem - Emanuelle Brasil
Edição – Regina Céli Assumpção
Origem das Fotos/Fonte: Agência Câmara Notícias
 
 

 

Notícias

Bandeira branca

  OAB prepara a guerra, CNJ e STF ensaiam a paz Por Rodrigo Haidar   A Ordem dos Advogados do Brasil mirou no alvo errado e acertou o próprio pé. Na esteira do natural antagonismo entre o jovem Conselho Nacional de Justiça e o vetusto Supremo Tribunal Federal, que passaram a dividir um...

Caminho mais curto

  PEC sobre fim de ação em segundo grau é polêmica Por Marina Ito   Na segunda-feira (21/3), o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, vai apresentar, em um evento na FGV Direito Rio, uma Proposta de Emenda Constitucional para que os processos sejam finalizados e...

Igualdade das partes

Extraído de DPU Artigo: MP ao lado do juiz viola equidistância das partes  Por Eduardo Tergolina Teixeira, Gabriel Faria Oliveira e Vinícius Diniz Monteiro de Barros    A Constituição do Brasil, em seu artigo 5º, caput e incisos LIV e LV, estabelece a igualdade das partes no curso do...

Fiança questionada

  STJ mantém fiança de pessoa diversa do contratante A fiança feita por pessoa jurídica diferente daquela que celebrou o contrato principal, e que é juridicamente válida, deve ser mantida para não tornar o principal sem efeito. Esse foi o entendimento da 2ª Turma do Superior Tribunal de...

Diplomação deve incidir sobre suplente da coligação

Quinta-feira, 17 de março de 2011 Diplomação deve incidir sobre suplente da coligação, decide Lewandowski O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, indeferiu pedido de liminar apresentado por Wagner da Silva Guimarães, que pretendia assumir a cadeira do deputado federal Thiago...

Você teria sido aprovado no concurso para juiz de SC?

Fonte: www.espacovital.com.br Você teria sido aprovado no concurso para juiz de SC? (15.03.11)    Os leitores foram convidados a testar seus conhecimentos. Hoje, este saite repete, nesta páginas, quatro das mais complicadas (ou curiosas) perguntas, e já destaca em azul quais as...