Conciliar É Legal: Parceria com oficiais de justiça favorece conciliação em Minas Gerais

Origem da Imagem/Fonte: CNJ

Conciliar É Legal: Parceria com oficiais de justiça favorece conciliação em Minas Gerais

27 de julho de 2023

Facilitar a comunicação entre as partes e contribuir para a agilidade da resolução de conflitos são os objetivos principais do projeto “Conciliação em Domicílio”, implantado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) como ferramenta para a solução consensual. Premiado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na 13.ª edição do Prêmio Conciliar é Legal, a boa prática venceu na categoria “Tribunais”.‌

O escopo do projeto possibilita que o oficial de justiça atue como parceiro na conciliação quando do cumprimento dos mandados judiciais, permitindo que as partes negociem, sem a necessidade de se deslocarem até o fórum. A medida foi fundamentada no art. 154 do Código de Processo Civil, que estabelece que uma das atribuições do oficial de justiça é “certificar, em mandado, proposta de autocomposição apresentada por qualquer das partes, na ocasião de realização de ato de comunicação que lhe couber”.‌

Dessa forma, se houver interesse da parte, o oficial pode receber a proposta de acordo e, após, certificar a negociação. Em seguida, sem a necessidade de que o mandado retorne à Secretaria, o Oficial entra em contato com a parte contrária para que seja intimada da proposta, registrando a aceitação ou recusa.

Idealizada pelo oficial de justiça Luiz Antônio Braga de Oliveira e elaborada em conjunto com a 3.ª Vice-Presidência do TJMG, a prática foi implantada em dezembro de 2020. O projeto-piloto foi realizado na comarca de Governador Valadares, contando com a participação inicial de sete oficiais de justiça, a partir da publicação da Portaria Conjunta n. 1.092/PR/2020.

Os primeiros contatos começaram em janeiro de 2021 e, desde então, até março de 2022, foram fechados e homologados 71 acordos mediados por oficiais de justiça do tribunal mineiro. Com os resultados positivos, o órgão decidiu expandir a iniciativa para todas as comarcas do estado, alinhando a iniciativa junto à Corregedoria-Geral de Justiça e à Presidência.

Consolidação
Para fortalecer a iniciativa, o tribunal também decidiu implantar um curso preparatório permanente pela Escola Judicial, para capacitar outros oficiais e expandir o projeto de forma gradual e qualificada. Além disso, o projeto está alinhado ao Programa Justiça Eficiente (Projef 5.0), adotado pelo TJMG, como norteador do aperfeiçoamento da Gestão Administrativa e da Governança Judiciária, que tem por objetivo tornar a Justiça mais ágil e acolhedora, atendendo às demandas sociais com mais eficiência.

O “Conciliação em Domicílio” se insere ainda no Sistema Multiportas de composição de conflitos, ao contribuir para a garantia dos direitos à cidadania e auxiliar, de forma alternativa, na solução de litígios, proporcionando ampliação do acesso à Justiça aos cidadãos.

Para a corte, o projeto mostrou ser um método de baixo custo – tanto para o órgão, quanto para os jurisdicionados –, pois não depende de espaço físico e pode ser executado de forma assíncrona, permitindo, por exemplo, que as partes não gastem tempo ou recursos com o deslocamento, podendo ser facilmente replicado por outros órgãos.

Texto: Lenir Camimura
Edição: Jônathas Seixas
Agência CNJ de Notícias

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