Criação da Emgebio pode afastar investimentos, advertem especialistas

28/11/2012 - 13h40 Comissões - Atualizado em 28/11/2012 - 13h42

Criação da Emgebio pode afastar investimentos, advertem especialistas

Marcos Magalhães

A criação de uma empresa estatal com direito ao monopólio de patentes originadas de pesquisa da biodiversidade brasileira, prevista no projeto de lei do Senado (PLS) 440/11, poderá afastar investimentos privados no desenvolvimento de pesquisas no setor. A advertência foi feita nesta quarta-feira (28) pelo diretor de Patentes do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Júlio César Castelo Branco Reis Moreira, durante audiência pública sobre o tema promovida pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT).

De autoria do senador Sérgio Souza (PMDB-PR), o projeto autoriza o Poder Executivo a criar a Empresa para a Gestão do Licenciamento de Pesquisa no Bioma Brasileiro (Emgebio). Essa empresa teria por finalidade a gestão do licenciamento de pesquisas nos biomas brasileiros e o monopólio das patentes originadas dessas pesquisas, pelo período de 10 anos. O representante do INPI recordou que o Brasil tem um “imenso potencial” natural a explorar, mas precisa regular o setor “de forma adequada”.

- Não devemos inviabilizar a pesquisa e o desenvolvimento de recursos da biodiversidade. Precisamos ter mecanismos claros para regular isso de forma inteligente. Que segurança jurídica haveria para investimentos nessas áreas se deixarmos o monopólio com empresa estatal a ser criada? E por que alguém investiria se não há retorno? – questionou Moreira.

Ao abrir a reunião, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM), presidente da comissão, observou que o Brasil dispõe de aproximadamente um quinto do patrimônio genético mundial e que, por isso, devem ser estabelecidas condições para a “exploração sustentável” desses recursos.

O acesso aos recursos genéticos ainda é regulamentado pela Medida Provisória 2186, em vigor há dez anos, como recordou a diretora executiva da Associação de Indústrias Farmacêuticas de Capital Nacional e Pesquisas (Farmabrasil), Adriana Diaféria. Em sua opinião, o principal ponto de debate hoje deveria ser a renovação da legislação de acesso à biodiversidade.

O coordenador de Sociedade, Ambiente e Saúde do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), José Alberto Machado, advertiu que a maior parte das pesquisas sobre a região hoje é feita no exterior.

- O mundo conhece mais a Amazônia do que o Brasil. Ter domínio sobre a Amazônia é mais do que ter Forças Armadas nas fronteiras, é ter domínio sobre o conhecimento. Precisamos de soberania cognitiva – afirmou.

A diretora do Programa de Políticas e Programas Temáticos do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Mercedes Maria da Cunha Bustamante, lembrou, durante o debate, que o Brasil é signatário de acordos na Organização Mundial de Comércio (OMC), referentes à propriedade intelectual. Ela ressaltou a necessidade de uma “abordagem mais ampla do marco regulatório, com respeito a convenções internacionais”.

O marco regulatório brasileiro – concordou o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Cavalcanti – precisa estar em harmonia com a Convenção de Biodiversidade das Nações Unidas e com o Protocolo de Nagoya, firmado há um ano no âmbito da ONU, sobre Acesso a Recursos Genéticos e a Repartição Justa e Equitativa dos Benefícios Advindos de sua Utilização.

Por último, a representante da Confederação Nacional da Indústria, Diana Jungmann, ressaltou que, assim como a tecnologia da informação foi a grande conquista do século 20, o século 21 deve ser marcado por uma “grande revolução associada à bioeconomia”. Ela observou que o projeto em debate não garante segurança jurídica aos investidores, por não assegurar direito de propriedade intelectual e patente a quem investe no desenvolvimento de tecnologia a partir dos recursos genéticos brasileiros.

O autor da proposta disse que está aberto a promover aperfeiçoamentos no texto, que, depois da CCT, ainda será examinado, em decisão terminativa, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

- A comunidade internacional tem muito interesse na Amazônia. Como proteger a região, como agregar valor? Precisamos garantir a segurança desse patrimônio para o povo brasileiro – afirmou Souza.

O relator do projeto, senador Valdir Raupp (PMDB-RO) defendeu a aprovação de um novo marco legal para o setor e a adoção de uma estratégia para “estimular o desenvolvimento privado de pesquisas”. Por sua vez, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) pediu que o Congresso Nacional aprofunde o debate sobre o tema, levando em conta a necessidade de repartição de benefícios de produtos feitos com recursos dos biomas brasileiros “com populações tradicionais e indígenas guardiãs dessa biodiversidade”.

 

Agência Senado

 

Notícias

Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em um ano

Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em um ano Letícia Furlan Repórter de Mercados Publicado em 11 de abril de 2026 às 14h00. Entre os recortes analisados, o destaque está nas gerações mais jovens. A geração Z, formada por pessoas entre 21 e 28 anos, lidera a intenção de compra, com 59%...

Gênero não binário integra personalidade e pode estar no registro civil

Questão de identidade Gênero não binário integra personalidade e pode estar no registro civil 9 de abril de 2026, 10h38 “O Colendo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 4275, que analisou a possibilidade de alteração do prenome e do sexo no registro civil de pessoa transgênero, assentou...

Testamento estrangeiro com bens no Brasil: Por que o STJ negou a homologação?

Testamento estrangeiro com bens no Brasil: Por que o STJ negou a homologação? Adriana Ventura Maia Supremo decide que bens no Brasil exigem inventário nacional, mesmo com testamento estrangeiro, reforçando a soberania e a segurança jurídica sucessória. quinta-feira, 9 de abril de 2026 Atualizado em...

Crédito com garantia de imóvel atrai tomadores

02/04/2026 Crédito com garantia de imóvel atrai tomadores Embora a modalidade esteja em expansão, ainda há espaço para crescimento, aponta Abecip Conhecido como home equity, o crédito com garantia de imóvel tem sido cada vez mais utilizado no mercado financeiro nacional. Dados da Associação...