Debatedores divergem sobre mudança na CLT para favorecer acordos extrajudiciais

Cleia Viana / Câmara dos Deputados
06/07/2016 - 13h14

Debatedores divergem sobre mudança na CLT para favorecer acordos extrajudiciais

Para a representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Graça Costa, a proposta que permite a flexibilização da CLT é uma tentativa de confronto direto a tudo o que foi conquistado pelos trabalhadores

 
Cleia Viana / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a proposta contida no PL 427/15, assim como os seus apensados, PL 944/15 e o PL 4962/16 que tratam de Consolidação das Leis do Trabalho
“O que tenho visto como magistrado, há 17 anos, é o que se tem ofertado: uma proteção de papel e não uma proteção real”, disse o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho (2º E)

Participantes de audiência pública da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, da Câmara dos Deputados, divergiram, nesta terça-feira (5), sobre a flexibilização da legislação trabalhista para favorecer acordos extrajudiciais.

O ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Maurício Godinho Delgado afirmou que não há nenhuma razão consistente para se colocar em risco toda a lógica de proteção legal do trabalhador.

“A norma jurídica já dá proteções econômicas ao poder econômico. Aquilo que a Constituição Federal cria é um piso civilizatório para o País”, disse durante debate sobre o Projeto de Lei427/15 e apensados, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5.452/43).

Flexibilização
Já o presidente do TST, ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, defendeu que em momentos de crise econômica, a legislação não pode ser rígida.

 
Cleia Viana / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a proposta contida no PL 427/15, assim como os seus apensados, PL 944/15 e o PL 4962/16 que tratam de Consolidação das Leis do Trabalho. Dep. Benjamin Maranhão (SD-PB)
Benjamin Maranhão: temos que encontrar um meio de reduzir as ações trabalhistas e garantir uma maior mediação entre empregados e empregadores

“Não queremos reduzir direitos trabalhistas, não podemos absolutamente usar a palavra flexibilização como algo que seja contrário à proteção ao trabalhador”, disse o ministro.

“O que tenho visto como magistrado, há 17 anos, é o que se tem ofertado: uma proteção de papel e não uma proteção real”, ressaltou o magistrado.

Ives Gandra Martins Filho propôs que se admita a flexibilização trabalhista exclusivamente naquilo que a Constituição admite (como jornada e salário), mediante compensação explícita.

“É importante prestigiar a negociação coletiva, de boa fé, e, se uma cláusula é invalidada, defendemos que sua correspondente compensação também seja anulada, mas o que se espera é o prestígio dessa negociação, com equilíbrio”, defendeu.

Confronto
Para a representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Graça Costa, a proposta que permite a flexibilização da CLT é uma tentativa de confronto direto a tudo o que foi conquistado pelos trabalhadores.

“Queremos mais proteção, um conjunto de leis que melhorem nossa vida, e não o retrocesso que está colocado nesse processo. O negociado sobre o legislado é a oportunidade que o empresariado vai ter para sair da crise?”, questionou.

Graça Costa criticou ainda o argumento de que a crise econômica exige mudanças na legislação. “Você pega o trabalhador fragilizado numa crise dessa e vai propor uma redução de seus direitos, como reduzir os direitos da saúde do trabalhador?”, criticou.

Debate ideológico
O diretor financeiro da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Alexandre Furlan, afirmou que é preciso racionalizar o debate e não ideologizar a discussão. “Muito em parte da nossa crise é porque ficamos debatendo se terceirização é precarização ou não”, disse.

Já o representante do Ministério Público do Trabalho, procurador João Carlos Teixeira, afirmou que, em cenário com frágil representação sindical e momentos de crise econômica, é o capital que se impõe.

“Há muito que se fazer em prol da proteção do emprego e garantir uma efetiva representação sindical”, defendeu. Teixeira disse que no Brasil, ainda hoje, muitos são demitidos por participarem de assembleia de trabalhadores.

Segurança Jurídica
O deputado Benjamin Maranhão (SD-PB), que propôs o debate, afirmou que o objetivo da reunião é dar segurança jurídica, “Temos que encontrar um meio de reduzir as ações trabalhistas e garantir uma maior mediação entre empregados e empregadores”, disse.

Já o deputado Júlio Lopes (PP-RJ), afirmou que seu projeto (PL 4962/16), que autoriza a flexibilização temporária da jornada de trabalho e do salário mediante acordo coletivo de trabalho, busca modernizar o País para lhe garantir maior competividade dentro da legalidade.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Newton Araújo
Agência Câmara Notícias
 

 

Notícias

Não é inconstitucional a proibição de uso de cigarro pelo Município

Não é inconstitucional a proibição de uso de cigarro pelo Município 21 de junho de 2011, às 16h34min Por João Batista Santafé Aguiar, Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul O Órgão Especial do TJRS decidiu nesta segunda-feira, 20/6, que não é inconstitucional a proibição no território do...

Reconhecida união estável de homem com esposa e amante

Extraído de Recivil Juiz reconhece união estável de homem com esposa e amante e manda dividir pensão O juiz Antônio José de Carvalho Araújo, substituto da 19ª Vara Federal, mandou a UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) dividir a pensão por morte de um servidor entre a esposa, a amante e...

“Pink money”

17.JUN.11 - 21:00 O avanço do dinheiro rosa Decisão do Supremo Tribunal Federal valida as uniões estáveis entre casais do mesmo sexo e abre caminho para um novo - e bilionário - filão do setor financeiro brasileiro Por Juliana Schincariol Os bancos estão de olho no dinheiro cor-de-rosa. Não, nada a...

APOSENTADO PODERÁ SER ISENTO DE PAGAR TARIFAS BANCÁRIAS

Extraído de LegisCenter APOSENTADO COM MAIS DE 60 ANOS PODERÁ SER ISENTO DE PAGAR TARIFAS BANCÁRIAS 17/06/2011 13:41  O relator na comissão, deputado Luciano Moreira (PMDB-MA), apresentou uma emenda Aposentados com mais de 60 anos e que recebem até um salário mínimo poderão ser isentos de...

É inconstitucional lei municipal que impõe pena mais grave que o CTB

Terça-feira, 21 de junho de 2011 É inconstitucional lei municipal que impõe pena mais grave que o CTB   Teve repercussão geral reconhecida matéria referente à competência suplementar de município para legislar sobre trânsito e transporte, com imposição de sanções mais gravosas que aquelas...