Debatedores reclamam da alta carga tributária sobre processos de reciclagem de lixo

03/12/2015 - 21h23

Debatedores reclamam da alta carga tributária sobre processos de reciclagem de lixo

Especialistas discutiram na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio ações de logística reversa

Cleia Viana / Câmara dos deputados
Audiência pública sobre a implementação da logística reversa prevista na Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos  - dep. Renato Molling (PP-RS)
Renato Molling defende a expansão de acordos setoriais na indústria de eletrônicos e de medicamentos.

Parlamentares e debatedores convidados para a audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados defenderam nesta quinta-feira (03) a redução da carga tributária sobre a cadeia produtiva da reciclagem.

No foco do debate estiveram as ações de logística reversa – que envolve reciclagem, reuso e devoluções de produtos – prevista na Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (12.305/10), em vigor há cinco anos. Com a logística reversa é possível descartar de forma adequada itens nocivos ao meio ambiente, como as embalagens de agrotóxicos e baterias de celulares, e, ao mesmo tempo, agregar valor ao que seria lixo. 

O excesso de tributos preocupa a gerente na Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro), Ana Paula Bernardes. Segundo ela, a cadeia do vidro recolhe R$ 65 milhões em impostos, além de sofrer com a bitributação. “Fabricamos embalagens e ao mesmo tempo somos os recicladores (sem consumo de matéria prima, com menos emissão e maior consumo de energia), no entanto somos tributados com o mesmo peso do vidro fabricado com matéria prima original."

O deputado Carlos Gomes (PRB-RS) também defendeu a desoneração do setor. "O lixo já foi tributado pelo menos umas cinco vezes. Aquilo que chegou no descarte, para voltar para a indústria não precisa ser tributado” disse. “São esses impostos que tiram o valor agregado do vidro e do papel, produtos que deixam de ser atrativos para o catador”, acrescentou.

Já o diretor da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma), Renato Tamarozzi, criticou a cobrança de ICMS sobre produtos vencidos ou furtados das farmácias. “O imposto já está pago, mas não houve a circulação da mercadoria. Não existe um procedimento racional para que as empresas peçam restituição”, disse, ao sugerir que esses recursos sejam devolvidos e aplicados na coleta seletiva.

Acordos setoriais
Já a representante da Confederação Nacional de Municípios, Claudia Lins, enfatizou a exclusão desses entes federados do acordo de logística reversa de embalagens, firmado entre o governo federal e empresários do setor. Segundo ela, os municípios não foram consultados, apesar de serem responsáveis por 70% da coleta do produto.

"Para evitar que resíduos como pneus, eletrônicos, latinha, garrafa pet, que são de competência do setor empresarial, não fiquem nas ruas, os municípios arcam com os custos da limpeza pública que não são de sua competência”, assinalou.

O diretor do Departamento de Sustentabilidade da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), João Carlos Redondo, adiantou que o setor já negocia acordo setorial sobre logística reversa com o governo.

Segundo ele, o País ainda não detém tecnologia para reciclar computadores e outros eletrônicos, mas pode avançar com incentivos ao investidor privado. “Hoje a indústria de eletrônicos portáteis começa no Brasil e termina no exterior, onde é agregado maior valor ao processo, temos de tornar o mercado brasileiro mais atrativo”, defendeu.

O deputado Renato Molling (PP-RS), que solicitou o debate, defendeu a expansão de acordos setoriais na indústria de eletrônicos e de medicamentos.

Ele salientou ainda a necessidade de incluir os municípios na negociação. "Praticamente tudo acontece no município, que paga a conta sozinho, e paga muito caro para fazer o recolhimento. Para fazer uma parte do processo de coleta, tem de pagar o que as empresas exigem, e os municípios ficam muito na mão dessas empresas para colocar esses resíduos no destino final”, disse.

Durante a audiência, representantes da indústria de medicamentos atribuíram a dificuldade em fechar acordo setorial ao alto custo da reciclagem. Eles argumentaram que, como o medicamento tem preço controlado, os empresários não podem repassar parte do custo dessa logística para o consumidor final.

Eles destacaram o trabalho experimental de farmácias na coleta de medicamentos vencidos. O objetivo é que os produtos sejam devolvidos aos fabricantes e destruídos de forma segura.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Regina Céli Assumpção
Origem da Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara Notícias
 

 

Notícias

Comportamento descortês

Atitude de presidente do CNJ sobre uso de terno irrita presidente da OAB-MS Campo Grande, 25/06/2011  A atitude do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Cezar Peluso, causou revolta entre advogados de Mato Grosso do Sul. Motivo: na sessão...

Jurisprudência do STJ beneficia portadores de HIV

26/06/2011 - 10h00 ESPECIAL Jurisprudência do STJ beneficia portadores de HIV A Aids, doença infecciosa e ainda sem cura, foi descoberta há 30 anos. De lá para cá muita coisa mudou. Novos medicamentos foram desenvolvidos, o tempo de vida aumentou e a Aids passou a ser considerada doença crônica...

União homoafetiva: Informações importantes para lavratura da escritura

CNB-SP indica pontos que merecem mais atenção na união estável para casais do mesmo sexo 24/06/2011 | Fonte: Revista Fator Brasil Após a decisão do STF, o número de interessados em informações para lavrar o documento vem crescendo em todo o Estado. Depois da decisão do Supremo Tribunal Federal...

Sublocação de imóvel representa risco para locador e locatário

Sublocação de imóvel representa risco para locador e locatário Imaginando a facilidade e a desburocratização, muitos inquilinos de comerciais optam por sublocar um espaço em vez de negociar diretamente com o dono do imóvel. A prática é comum no caso de franquias em shopping center. Já o inquilino...

STF concede liminar para devedor de pensão alimentar

Terça-feira, 21 de junho de 2011 2ª Turma concede liminar para devedor de pensão alimentar A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou, nesta terça-feira (21), que a incapacidade econômica é base para evitar a prisão civil do devedor de pensão alimentícia. A Turma determinou a...