Dependência de sistemas cibernéticos traz vulnerabilidade, dizem debatedores

02/10/2013 - 15h48

Dependência de sistemas cibernéticos traz vulnerabilidade, dizem debatedores

Na avaliação de participantes de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores, ainda é necessário conscientizar a população sobre a importância de preservar a privacidade na rede.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a avaliação da estrutura e o funcionamento da defesa cibernética do Brasil, suas vulnerabilidades e desafios à segurança digital e aos interesses do país. Chefe do Centro de Defes Cibernética do Comando do Exército, Gen. de Divisão José Carlos dos Santos
Santos: colaboração do governo com universidades e empresas tem mostrado resultados positivos.

O general José Carlos dos Santos, do Comando do Exército, afirmou aos parlamentares da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, nesta quarta-feira (2), que as vulnerabilidades verificadas hoje nos sistemas cibernéticos brasileiros têm como causa principal a dependência da tecnologia estrangeira e não serão superadas de imediato.

De qualquer forma, disse, a atuação colaborativa do governo com universidades e empresas já tem mostrado resultados como a elaboração de um simulador de defesa cibernético e um antivírus. Mas o general defendeu a criação de uma agência nacional de segurança cibernética para regular e coordenar o setor. A audiência foi motivada pelas denúncias de espionagem de autoridades brasileiras pelo governo norte-americano.

O general José Carlos dos Santos defendeu ainda a aprovação do Marco Civil da Internet (PL 2126/11), em tramitação na Câmara. Ele também disse que a sociedade brasileira, de maneira geral, não se preocupa com a proteção de dados sensíveis, pessoais ou não.

Otávio Carlos da Silva, diretor do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento para Segurança das Comunicações da Agência Brasileira de Inteligência, defendeu a inclusão do tema na grade curricular do ensino fundamental.

“É muito mais simples mostrar a eles que privacidade é uma questão importante. Não porque o seu vizinho vai saber o que você faz, mas sim pelo sentido da palavra privacidade. O que significa privacidade, aonde ela é importante. Que é importante proteger dos dados pessoais e compartilhá-los com aqueles que você acha que tem que compartilhar e não com todos”, disse.

Os órgãos do governo envolvidos na segurança cibernética do País, segundo Otávio Carlos da Silva, têm atuado em conjunto em grandes eventos como a Rio+20 e a Copa das Confederações. Ele contou que o centro que dirige tem mais de 30 anos de atuação e nasceu de um pedido do extinto Instituto Brasileiro do Café preocupado com o vazamento de informações sigilosas deste mercado.

Sistema de e-mails
Já o diretor da Safernet Brasil, Thiago de Oliveira, disse que a criação de um sistema de e-mails nos Correios para aumentar a segurança das comunicações dos brasileiros não resolve o problema da espionagem. Ele lembrou que existem outras brechas, como a instalação de softwares espiões que interceptam a mensagem assim que ela é escrita.

Segundo ele, também não há como proteger os dados de remetente, destinatário e assunto. A criação do e-mail foi anunciada pelo governo após as denúncias de espionagem norte-americana. Thiago de Oliveira disse que já existem softwares que, uma vez instalado em smartphones e computadores em geral, toma o controle destes aparelhos. No caso dos celulares, pode transformá-los em terminais de escuta em tempo real.

Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a avaliação da estrutura e o funcionamento da defesa cibernética do Brasil, suas vulnerabilidades e desafios à segurança digital e aos interesses do país. Diretor da SaferNet Brasil, organização não-governamental responsável pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, Thiago Tavares Nunes de Oliveira
Oliveira: País precisa regulamenta o direito à privacidade previsto na Constituição.

Pesquisa nacional
O presidente da comissão, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), disse que ficou evidente e necessidade de pesquisa nacional sobre o assunto. “É um investimento estratégico porque não adianta comprar produto de prateleira, nós temos que desenvolver no Brasil essa tecnologia. Porque os hardwares e softwares são fabricados em países desenvolvidos e quando eles vendem isso, eles já embutem instrumentos que permitem a invasão. Mas nós estamos pensando. A Abin há muitos anos e o governo, por meio do Comando do Exército, criando este centro de defesa cibernética”, avaliou.

O diretor da Safernet Brasil, Thiago de Oliveira, disse que o governo deve enviar para o Congresso em breve um projeto de lei de proteção dos dados pessoais. Segundo ele, o País precisa regulamentar o direito à privacidade previsto na Constituição.

 

Reportagem - Sílvia Mugnatto
Edição - Rachel Librelon

Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara Notícias
 
 

 

Notícias

Um sexto regime de bens?

Extraído de Colégio Notarial (Blog) REGIME DE BENS - REGIME MISTO? José Hildor Leal  Postado em 05/04/2011 21:13:16 Muito se tem debatido, ultimamente, sobre a possibilidade dos cônjuges em criar um regime de bens misto, para vigorar no casamento, além das opções postas pelo Código Civil...

PEC dos recursos

  Índice de reforma de decisões preocupa advogados Por Débora Pinho, Gabriela Rocha e Marina Ito   Desde que o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, anunciou a polêmica Proposta de Emenda Constitucional para que as decisões passem a ser executadas a partir do...

Oitiva informal é ato extrajudicial

12/04/2011 - 13h06 DECISÃO Oitiva informal de menor pelo MP sem defensor não anula processo A oitiva informal é ato extrajudicial, no qual a ausência de defensor do menor poderia levar ao reconhecimento de mera irregularidade, não de nulidade. Assim entendeu a Sexta Turma do Superior Tribunal de...

Prova nova não autoriza ação revisional contra transação homologada em juízo

13/04/2011 - 09h08 DECISÃO Prova nova não autoriza ação revisional contra transação homologada em juízo A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) fixou o entendimento de que não é cabível ação de revisão criminal com o objetivo de desconstituir sentença que homologou transação penal,...

TJDFT alerta sobre golpe do falso cartório

TJDFT alerta sobre golpe do falso cartório  Ter, 12 de Abril de 2011 07:57 O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios alerta sobre um novo golpe que está sendo realizado em Brasília, falsamente relacionado aos Cartórios Extrajudiciais do TJDFT. O golpe consiste no envio de...