Deputados divergem sobre projeto que criminaliza auxílio ao aborto

Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados

17/09/2015 - 15h31

Deputados divergem na CCJ sobre projeto que criminaliza auxílio ao aborto

A discussão deve ser retomada na próxima terça-feira (22)

Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados
Reunião Ordinária. Dep. Evandro Gussi (PV-SP)
Evandro Gussi argumentou que é preciso fechar as portas para as práticas de aborto disfarçadas na rede pública de saúde

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados discutiu, nesta quinta-feira, a criminalização do anúncio de métodos abortivos e da prestação de auxílio ao aborto, principalmente por parte de profissionais de saúde, prevista no Projeto de Lei 5069/13. Como o tema do aborto é sempre polêmico, a comissão não conseguiu terminar a discussão da matéria, que é de autoria do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Na próxima semana, o texto deve ser votado com as modificações feitas pelo relator, deputado Evandro Gussi (PV-SP), que adequou a proposta às terminologias e penas do Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40). Ele frisou que a intenção é impedir a prática de aborto de forma disfarçada nos serviços de saúde. “Há muito espaço na legislação para isso e precisamos fechar essa porta”, afirmou Gussi.

Entre as mudanças, está uma alteração na Lei 12.845/13, que regulamenta o atendimento a vítimas de violência sexual, para exigir a comprovação do estupro e o registro de ocorrência quando for necessário, o que a lei chama de “profilaxia da gravidez”. “O Código Penal define o que é violência sexual; é preciso o registro para que se proceda a práticas de aborto na forma inimputável”, justificou.

Divergências
O deputado Wadih Damous (PT-RJ) criticou a mudança e disse que essa exigência pode afastar as mulheres do atendimento, que é importante para identificação de agressores e proteção contra doenças. “Uma das medidas é oferecer a pílula do dia seguinte para evitar que a mulher precise fazer um aborto”, disse.

Porém, de acordo com Evandro Gussi, o próprio Executivo, por reconhecer as falhas da lei atual, apresentou o PL 6022/13 para sanar dúvidas sobre o atendimento. A proposta deixa claro que a profilaxia da gravidez é a oferta da pílula do dia seguinte.

O deputado Pastor Eurico (PSB-PE) defendeu o relatório, ressaltando que o aborto é uma questão muito séria e, por isso, precisa ser penalizado de forma grave. “Não se trata de criminalizar os médicos, mas de ir contra a indústria do aborto”, explicou.

O deputado Padre João (PT-MG) criticou a proposta por considerar que os serviços de saúde podem, sim, ser criminalizados por procedimentos autorizados, como o aborto em caso de estupro. "Há parlamentares que parecem defender a vida apenas da concepção ao nono mês, sem se preocupar com as mães e as condições de vida”, disse.

Ajuste
Diante da preocupação de outros deputados, Evandro Gussi retirou do texto a expressão “ainda que sob o pretexto de redução de danos”, no ponto em que o relatório se referia ao auxílio ao aborto. Essa expressão poderia ser entendida como uma limitação aos médicos e demais profissionais de saúde que estivessem tentando salvar a vida da gestante.

A discussão deve ser retomada na CCJ na próxima terça-feira (22), a partir das 14h30.

Reportagem – Marcelo Larcher
Edição – Luciana Cesar
Agência Câmara Notícias

 

Notícias

Violência doméstica

  Réu tem direito à liberdade mesmo sem pagar fiança Por Marília Scriboni   Sem meios para pagar a fiança arbitrada em R$ 500 pela primeira instância, um homem acusado de violência doméstica conseguiu liberdade provisória no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A 2ª Câmara Criminal, ao...

Porte de armas

    Porte de armas Decreto 7.473/11 regulamenta registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição No mesmo dia em que o governo lança a Campanha Nacional de Desarmamento 2011, é publicado hoje, no DOU, o decreto 7.473/11, que dispõe sobre o decreto 5.123/04, que regulamenta a...

Banco não pode cobrar tarifa para compensar cheque

Extraído de JusBrasil Banco não pode cobrar tarifa para compensar cheque Extraído de: Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão - 2 horas atrás A 2ª Câmara Especial Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul concluiu que é abusiva a cobrança de tarifa de compensação de cheques, mesmo sendo...

Post mortem

  Estado não perde com cessão de herança Por Luciana Braga Simão   Com a partilha, cessa o estado de indivisão da herança e o herdeiro passa a ser titular das coisas a ele atribuídas, com efeito retroativo à morte do inventariado. Até então, a parcela da herança transferida ao herdeiro...

Afeto não pode ser parâmetro para união homoafetiva, diz CNBB

Quarta-feira, 04 de maio de 2011 Afeto não pode ser parâmetro para união homoafetiva, diz CNBB Advogados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Associação Eduardo Banks realizaram sustentação oral perante a tribuna do Supremo Tribunal Federal (STF), na qualidade de amici curiae...

Novas regras para prisão processual respeitam mais os direitos do cidadão

Extraído de Portal do Holanda  03 de Maio de 2011   Novas regras para prisão processual respeitam mais os direitos do cidadão - Com a vigência do Projeto de Lei 4.208/2001 , que altera o Código de Processo Penal, a prisão processual estará praticamente inviablizada no Brasil. Essa é...