Especialistas querem inclusão de metas de redução de gases em política nacional

30/09/2015 - 14h12

Especialistas querem inclusão de metas de redução de gases em política nacional

O objetivo é dificultar alterações na proposta de redução dos gases do efeito estufa que o País vai levar à Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP 21), que acontece em dezembro, em Paris

Antonio Araújo / Câmara dos Deputados
Seminário realizado pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS), de Legislação Participativa (CLP) e pela Frente Parlamentar Ambientalista para discutir o evento preparatório da 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21)
Em um momento de crise, transformar o compromisso em lei, e válido para território nacional, nos prepara para novos avanços, afirmou um dos especialistas presentes à audiência da Comissão de Meio Ambiente e Frente Parlamentar Ambientalista

O secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, defendeu nesta terça-feira (29) que o compromisso em reduzir 43% das emissões de gases do efeito estufa até 2030, apresentado pela presidente Dilma Rousseff, no último domingo (27), seja incluído na Lei da Política Nacional sobre Mudança do Clima (12.187/09).

"Em um momento de crise, transformar o compromisso em lei, e válido para território nacional, nos prepara para novos avanços”, disse o especialista em climatologia.

”Só que a gente não precisa se limitar, e nem acredito que aquilo que o Brasil se dispôs a fazer represente toda a nossa capacidade de redução de emissões; a gente pode fazer mais”, acrescentou, durante debate na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.

Credibilidade do Brasil
Já para Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da ONG SOS Mata Atlântica, a credibilidade do País na Conferência sobre o Clima depende também do respeito às leis domésticas.

"Foi sancionada a lei que punha fim aos lixões nos municípios, e lixão gera gás metano, além de várias contaminações de lençóis freáticos, e agora tramita na Casa uma moratória para esses lixões. Com o Código Florestal é a mesma coisa: nós tínhamos de cumprir o CAR (Cadastro ambiental Rural), mas agora já existe projeto de lei prorrogando os prazos. Então o Brasil perde credibilidade, quando edita leis, estabelece prazos e, ele mesmo, não cumpre as leis internas", criticou.

Ribeiro acredita que a inclusão em lei garante o cumprimento das metas anunciadas para mitigar a poluição. "As metas foram feitas em momento de crise ética, econômica e política, por isso o risco de não passarem de discurso”, disse. “O sistema Cantareira, por exemplo, está com 21% de sua cobertura florestal, um dia ele acaba... Então, será que nós vamos conseguir tirar do papel esse desafio?”, ponderou.

Congresso excluído
O coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA), concordou com esses argumentos. "É uma maneira de o Congresso participar mais ativamente dessa discussão, já que não fomos incluídos no debate antes do anúncio da meta. O governo nunca foi claro no que iriam dizer, e nunca deixaram uma brecha para que a gente pudesse colocar outras questões", salientou o parlamentar.

Para Carlos Rittl, as metas de redução do desmatamento podem ser ampliadas para incluir o Cerrado. “O desmatamento ilegal está na proposta do Brasil apenas para a Amazônia, mas, numa legislação discutida aqui no Congresso, a gente pode fazer com que abranja outros ecossistemas”. A proposta do governo também inclui o fim do desmatamento ilegal no País até 2020.

Já para o diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental (IPAM), Paulo Moutinho, é preciso acelerar o cumprimento de metas para a Amazônia. “Não dá para esperar até 2030 para reduzir o desmatamento ilegal; estamos apenas acabando com a floresta de forma mais lenta”, afirmou, ao ressaltar que 60% do território indígena já são afetados por seca grave.

“Em anos de muito fogo, a Amazônia perde quase 10% de seu PIB, US$ 5 bilhões; já o SUS perdeu ao longo desses anos mais de R$15 milhões tratando pessoas com problemas respiratórios em razão da fumaça”, alertou.

Emissões pré 2020
Durante debate com deputados, o diretor do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Adriano Santhiago de Oliveira, informou que, de 2005 a 2012, o País teve redução de 41% na emissão de gases do efeito estufa, em função da queda do desmatamento da Amazônia. Resultado positivo se comparado ao aumento da poluição em 28%, na China, e 36%, na Índia, no mesmo período. “Nenhum País do mundo alcançou reduções maiores que 40%”.

“O compromisso brasileiro de reduzir em 35% e 43% os gases de efeito estufa é ainda mais ambicioso se considerarmos a intensidade da emissão sobre o PIB. Calculada assim, nossa redução seria de 63%, em 2025, e de 70%, em 2030, em relação ao nível de emissão de 2005; já na China essa redução seria de 60%”, destacou Santhiago.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Newton Araújo
Origem da Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara Notícias

 

Notícias

Contrato de namoro: Bobagem ou blindagem patrimonial?

Contrato de namoro: Bobagem ou blindagem patrimonial? Izabella Vasconcellos Santos Paz O artigo aborda a importância do contrato de namoro como proteção patrimonial em relacionamentos informais. terça-feira, 23 de dezembro de 2025 Atualizado às 13:24 "Os tempos são líquidos porque tudo muda tão...

STJ julga caso inédito de adoção unilateral com manutenção de poder familiar

Família STJ julga caso inédito de adoção unilateral com manutenção de poder familiar 4ª turma fixou solução inovadora proposta pelo ministro Buzzi. Da Redação sexta-feira, 6 de dezembro de 2019 Atualizado em 7 de dezembro de 2019 16:30 A 4ª turma do STJ concluiu na quinta-feira, 5, julgamento que...

Inclusão do cônjuge do devedor na execução: até onde vai a conta do casamento?

Opinião Inclusão do cônjuge do devedor na execução: até onde vai a conta do casamento? Lina Irano Friestino 19 de dezembro de 2025, 9h25 A decisão do STJ no REsp 2.195.589/GO reforça algo que, no fundo, já estava escrito na lógica do regime de bens: casar sob comunhão parcial significa dividir não...

Contrato e pacto antenupcial pela perspectiva de gênero

Contrato e pacto antenupcial pela perspectiva de gênero Autor: Rodrigo da Cunha Pereira | Data de publicação: 16/12/2025 O Direito das Famílias e Sucessões está cada vez mais contratualizado. Isto é resultado da evolução e valorização da autonomia privada, que por sua vez, vem em consequência do...

Autocuratela o novo instrumento que redefine autonomia no futuro

Autocuratela o novo instrumento que redefine autonomia no futuro Marcia Pons e Luiz Gustavo Tosta Autocuratela, agora regulamentada pelo CNJ, permite que qualquer pessoa escolha seu curador antecipadamente, reforçando autonomia e prevenindo conflitos familiares. terça-feira, 9 de dezembro de...