Modelo de seguro rural utilizado no país precisa ser revisto

Senadora Ana Amélia (C), presidente da CRA, citou a situação dos produtores de uva no Rio Grande do Sul que perderam metade da safra Geraldo Magela/Agência Senado

Política de seguro rural precisa ser revista, aponta debate na Comissão de Agricultura

  

Da Redação | 02/06/2016, 11h34

O modelo de seguro rural utilizado no país precisa ser revisto. A constatação dos senadores foi manifestada em audiência pública nesta quarta-feira (2) na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). Uma das ideias é buscar um formato que garanta não só o custeio da safra, mas também a renda do agricultor em caso de problemas com a lavoura.

Atrasos nos pagamentos às seguradoras têm causado prejuízos e gerado incertezas no campo. Pelo modelo atual de subvenção do seguro rural, o governo federal se compromete a pagar parte do valor da apólice, o chamado prêmio. Porém, com os constantes contingenciamentos de recursos do Orçamento, a dívida acaba sobrando para o agricultor. A senadora Ana Amélia (PP-RS), presidente da CRA, citou a situação dos produtores de uva no Rio Grande do Sul que perderam metade da safra por causa do volume excessivo de chuvas na região.

- Os produtores de fruta do Rio Grande do Sul tiveram um problema sério. Além do prejuízo da safra, eles tiveram que pagar a diferença dos subsídios que foram retirados em função de uma queda do orçamento. Foi um duplo prejuízo: aumentou o custo do que eles tinham que pagar para a seguradora e ainda perderam a safra – relatou.

O volume de recursos, os prazos e os percentuais de subvenção das apólices por parte do governo federal estão entre as principais queixas dos produtores em relação ao atual formato do programa. Descumprimento de contratos, falta de conhecimento atuarial, inadequação dos produtos às necessidades dos agricultores, ausência de fundo garantidor eficiente foram citados como outros entraves para a consolidação do seguro rural.

- Os seguros não são desenvolvidos de acordo com as necessidades dos produtores -  reforçou Junnius Marques Arifa, do Tribunal de Contas da União (TCU).

Vitor Augusto Ozaki, da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), afirmou que o governo tem se esforçado para quitar as dívidas contraídas com as seguradoras.

- Nós pagamos R$ 190 milhões no começo de 2016. Então fica ainda pendente R$ 217 milhões que não foram pagos. O esforço é para acertar essa conta e aí começar a safra 2016-2017 – explicou.

Volume de recursos

Para o senador Waldemir Moka (PMDB-MS), o volume de recursos destinados ao programa é muito baixo. O governo anunciou que vai liberar R$ 400 milhões para proteger a safra  2016/2017:

- Temos que trazer um formato diferente.  Do contrário, vamos continuar fingindo que damos seguro e o produtor fingindo que recebe – avaliou.

Ronaldo Caiado (DEM-GO) acredita que é preciso se espelhar em modelos que deram certo em outros países:

- Produtores com menor capacidade e também de regiões mais vulneráveis precisam ter essa subvenção do governo, mas é fundamental também que possamos ver outro modelo. O desafio é buscar a iniciativa privada para dentro do projeto – disse.

O seguro rural foi escolhido pela CRA como política pública a ser avaliada em 2016. No final do ano, o relator, senador Wellington Fagundes (PR-MT), apresentará um texto com recomendações para aprimorar o programa.

 

Agência Senado

Notícias

Seguradora deve indenizar suicídio cometido dentro do prazo de carência

13/04/2011 - 19h39 DECISÃO Seguradora deve indenizar suicídio cometido dentro do prazo de carência A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por 6 votos a 3 que em caso de suicídio cometido durante os dois primeiros anos de vigência do contrato de seguro de vida, período de...

Confissão em flagrante com drogas não configura atenuante

Supremo Tribunal Federal Quarta-feira, 13 de abril de 2011 Confissão em flagrante com drogas não configura atenuante Em sessão extraordinária realizada na manhã desta quarta-feira (13), os ministros que compõem a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negaram Habeas Corpus (HC) 101861...

Trânsito brasileiro mata quase 105 pessoas por dia

  Acidente com motorista bêbado é previsível Por Luiz Flávio Gomes     O trânsito brasileiro, um dos quatro mais violentos do mundo, continua massacrando seres humanos (em 2008, mais de 38 mil mortes). A sensação de impunidade é generalizada. Temos que mudar a legislação brasileira,...

Um sexto regime de bens?

Extraído de Colégio Notarial (Blog) REGIME DE BENS - REGIME MISTO? José Hildor Leal  Postado em 05/04/2011 21:13:16 Muito se tem debatido, ultimamente, sobre a possibilidade dos cônjuges em criar um regime de bens misto, para vigorar no casamento, além das opções postas pelo Código Civil...

PEC dos recursos

  Índice de reforma de decisões preocupa advogados Por Débora Pinho, Gabriela Rocha e Marina Ito   Desde que o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, anunciou a polêmica Proposta de Emenda Constitucional para que as decisões passem a ser executadas a partir do...