Nova Lei Antitruste aumentou segurança jurídica sem perda de agilidade

13/12/2012 - 14h11

Nova Lei Antitruste aumentou segurança jurídica sem perda de agilidade, avalia Cade

Alexandra Martins
Audiência Pública:
Para o Ministério Público, os órgãos de controle da concorrência ainda não são fortes o suficiente.

O representante do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Ricardo Ribeiro, disse nesta quinta-feira (13), na Câmara, que a nova Lei Antitruste (12.529/11) trouxe mais segurança jurídica e agilidade para o julgamento de casos envolvendo ameaças à livre concorrência no País.

“Nós trabalhamos com a ideia de que, uma vez recebida a notificação, não há mais possibilidade de parar o prazo”, disse Ribeiro, ressaltando que pela nova lei o órgão tem até 240 dias para emitir parecer. Ainda segundo ele, o tempo médio de tramitação dos processos hoje é de 48 dias.

Ribeiro, que participou de audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, aproveitou para chamar atenção para a estrutura de pessoal do Cade. “A lei previa mais 200 cargos de gestores públicos, mas até hoje o órgão tem 242 pessoas, sendo apenas 102 na área fim”, afirmou. A reunião foi proposta pelo deputado Ângelo Agnolin (PDT-TO).

Segundo Ribeiro, o Cade julgou 955 atos de concentração econômica em 2012. Ele explicou que 723 são atos de concentração julgados em sessão, ainda segundo a lei antiga, e 102 atos foram aprovados por despacho já conforme a nova lei. Além disso, o órgão julgou 83 averiguações preliminares, 13 processos administrativos e ainda 34 outros casos - como embargos de declaração.

A Lei Antitruste reformulou o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) e passou a obrigar as empresas a se sujeitarem a uma análise prévia do Cade em casos de fusão e aquisição. A análise prévia somente pode ocorrer quando pelo menos um dos grupos envolvidos tiver obtido, no ano anterior, faturamento bruto de R$ 750 milhões ou mais, e quando o outro grupo tiver faturamento igual ou superior a R$ 75 milhões.

Opiniões divergentes
Representantes da OAB/DF, Andrea Hoffmann Formiga, e da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Cácito Esteves, também destacaram que após seis meses da vigência da nova lei o Cade tem demonstrado agilidade na análise prévia dos atos de concentração de poder econômico.

Por outro lado, o subprocurador da República Antonio Fonseca afirmou que a autoridade antitruste ou de defesa da concorrência no País ainda não é forte. Como exemplo, ele citou os altos preços praticados pela rede hoteleira do Rio de Janeiro na época da conferência Rio +20.

“Quando quis discutir os preços, o governo mandou uma ordem para baixar, mas se existisse uma autoridade forte ela teria tomado conta disso muito antes”, disse Fonseca, para quem o Brasil ainda é o País dos preços altos devido a falhas de regulação. “O consumidor brasileiro ainda carece de preços mais competitivos”, completou.

Ao rebater as críticas o representante do Cade disse que “apesar de todas as dificuldades de se avançar em uma política nacional antitruste no País” houve muitos avanços nos últimos anos. Para Ribeiro, o fortalecimento da autoridade antitruste avança na mesma proporção em que ocorre o aperfeiçoamento institucional dos órgãos diretamente envolvidos com esse controle.

“A nossa capacidade de endereçar as questões de maneira impessoal, por meio de aperfeiçoamentos nos próprios marcos legais, é que vai ajudar a construção de um mercado mais justo que gere bem-estar para o consumidor em geral”, defendeu.

O deputado Guilherme Campos (PSD-SP), que presidiu a parte final da audiência, sugeriu que todas as instituições que representam a defesa da concorrência no País atentem também para o mercado informal. “O trabalho de vocês está sempre focado no que é formal, no que está escrito no papel. Sugiro que vocês passem também a dar atenção especial à área da informalidade, para que a vantagem competitiva conseguida por meio da sonegação fiscal não seja uma tendência”, disse Campos.

 

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Natalia Doederlein - Foto em destaque: Alexandra Martins

Agência Câmara Notícias
 
 

 

Notícias

Juíza reconhece domínio de imóvel por usucapião após 40 anos de posse

Posse pacífica Juíza reconhece domínio de imóvel por usucapião após 40 anos de posse Magistrada concluiu que autor comprovou posse contínua, pacífica e com ânimo de dono desde 1982. Da Redação quarta-feira, 11 de março de 2026 Atualizado às 16:01 A juíza de Direito Sara Fontes Carvalho de Araujo,...

STJ preserva testamento sem filha mesmo após paternidade reconhecida

Herança STJ preserva testamento sem filha mesmo após paternidade reconhecida Relatora entendeu que não há rompimento de testamento quando o autor mantém suas disposições mesmo ciente de ação de paternidade. 4ª turma entendeu que não há rompimento quando testador manteve disposição patrimonial mesmo...

Sobrenome do ex-cônjuge após o divórcio: exclusão pela via registral

Opinião Sobrenome do ex-cônjuge após o divórcio: exclusão pela via registral Marcos Dallarmi 6 de março de 2026, 6h39 Sob a ótica procedimental, a prática recomenda atenção a quatro pontos: prova do fato jurídico; precisão do resultado; segurança na formalização; e coerência pós-averbação. Confira...