Penas para crimes ambientais poderão dobrar

Segundo o senador Jaques Wagner, a proposta uma reação legal ao avanço do desmatamento e da destruição da fauna e da flora nas florestas brasileiras
Mayke Toscano/Secom-MT
Fonte: Agência Senado

Projeto dobra penas por crimes contra o meio ambiente

Carlos Penna Brescianini | 12/06/2020, 14h21

Projeto de lei em análise no Senado prevê a duplicação de penas para crimes ambientais cometidos durante a vigência de estado de emergência ou de calamidade. De acordo com o autor da proposta, senador Jaques Wagner (PT-BA), o PL 3.020/2020 é uma reação legal ao avanço do desmatamento e da destruição da fauna e da flora nas florestas brasileiras. O texto altera a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605, de 1998). 

Na justificativa do projeto, Wagner cita a fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na reunião ministerial de 22 de abril, cuja gravação foi divulgada por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Salles afirmou que o momento atual é propício para “passar a boiada”, referindo-se a mudanças de regras e simplificação de normas, enquanto a imprensa estiver ocupada com a cobertura da pandemia de covid-19. 

— Infelizmente, há aqueles que se aproveitam da fragilidade institucional motivada pela crise na saúde para praticar crimes contra o meio ambiente, avaliando que o risco de punição se torna menor. Não podemos tolerar que, diante de tanto sofrimento como o que vivemos com a presença entre nós do novo coronavírus, pessoas inescrupulosas se aproveitem dessa situação calamitosa para comprometer ainda mais nosso futuro climático ou para cometer qualquer crime ambiental".

Veja como ficam as penalidades previstas no projeto: 

 Crime

 Lei 9.605, de 1998

PL 3.020/2020

Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna 

 

Detenção de seis meses a um ano e multa 

Detenção de um ano a dois anos e multa em dobro 

Abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação de animais silvestres ou domésticos

 

Detenção de três meses a um ano e multa 

Detenção de seis meses a um ano e multa 

Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente

 

Detenção de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente

Detenção de dois a seis anos, ou multa em dobro, ou ambas as penas cumulativamente

Destruir ou danificar vegetação primária ou secundária, da Mata Atlântica

 

Detenção de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente

Detenção de dois a seis anos, ou multa em dobro, ou ambas as penas cumulativamente

Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano

 

Detenção de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente

Detenção, de dois a seis anos, ou multa em dobro, ou ambas as penas cumulativamente

Cortar ou transformar madeira de lei em carvão

Reclusão de um a dois anos e multa 

Reclusão de dois a quatro anos e multa em dobro 

Poluição que resulte ou possa resultar em danos à saúde humana, ou a mortandade de animais ou a destruição da flora

Detenção ou reclusão de seis mesas e cinco anos, dependendo se é culposo ou doloso, mais multa

Detenção ou reclusão de um a dez anos, dependendo se é culposo ou doloso, mais multa em dobro

Pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem autorização, permissão, concessão ou licença

Detenção de seis meses a um ano e multa

Detenção de um a dois anos e multa em dobro

 

Fonte: Agência Senado

 

Notícias

STJ: Inadimplente não pode reter imóvel por benfeitorias úteis

Direito de retenção STJ: Inadimplente não pode reter imóvel por benfeitorias úteis Para ministros da 3ª turma, quem está em débito não pode impedir retomada do imóvel até receber eventual indenização por melhorias. Da Redação terça-feira, 12 de maio de 2026 Atualizado às 19:31 Ocupante inadimplente...

Registro no CAR não basta para impor recuperação de área desmatada

Sem vínculo Registro no CAR não basta para impor recuperação de área desmatada Karla Gamba 10 de maio de 2026, 14h20 O caso envolve uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Pará, na qual se atribuiu ao agravante e a outro réu a responsabilidade pela destruição de mais de 482...

Cobrança de IPTU é afastada em imóvel urbano com destinação rural

A César o que é de César Cobrança de IPTU é afastada em imóvel urbano com destinação rural 8 de maio de 2026, 7h31 O ente público alegou que a mera localização da área em perímetro urbano já autorizaria a incidência do IPTU, independentemente da efetivação de melhoramentos no local ou do...