Presidente do Coaf diz ser contra regulamentação de moedas virtuais

Alex Ferreira / Câmara dos DeputadosRodrigues é contra regras para bitcoins por considerar que transmitiriam a sensação de que a moeda é segura; além de protegerem uma atividade que é escondida

18/11/2015 - 20h35

Presidente do Coaf diz ser contra regulamentação de moedas virtuais

Tema foi debatido nesta quarta em audiência da Comissão de Defesa do Consumidor

O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antonio Gustavo Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (18) ser contrário à regulamentação do mercado de meios de pagamentos virtuais (como os bitcoins). “Regras transmitiriam a sensação de que a moeda é segura, o que não é; além de protegerem uma atividade que é escondida”, disse, em audiência pública promovida pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados.

Segundo Rodrigues, uma possível solução para coibir operações ilegais com moedas virtuais deveria partir do consenso entre os sistemas financeiros nacional e internacional. “Proibir, como acontece na Bélgica, não significa que a moeda vá deixar de existir, porque formalmente ele já não existe”, afirmou, ao lembrar que as negociações com bitcoins acontecem na chamada “Deep Web” ou submundo da internet.

Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o modelo de negócio das moedas Virtuais. Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) do Ministério da Fazenda, Antonio Gustavo Rodrigues
Antonio Gustavo Rodrigues: crimes com essas moedas ainda são incipientes no País e podem ser combatidos por meio de “alertas” do Banco Central

Em sua avaliação, os crimes envolvendo essas moedas ainda são incipientes no País e podem ser combatidos por meio de “alertas” do Banco Central. Entre as infrações, ele citou os casos de “caixas eletrônicos” que convertem bitcoins em dinheiro em desrespeito às normas de combate à lavagem de dinheiro. “Não sabemos qual a melhor solução, mas podemos controlar a saída desse risco do campo virtual para o campo real”, declarou.

Milhas
O presidente do Coaf também diferenciou os programas de milhagens do mercado de moedas virtuais. O primeiro, explicou Rodrigues, incentiva o consumo ao atribuir ao cliente pontos que podem ser trocados por produtos na próxima compra, e deve ser controlado por entidades de defesa do consumidor. “Não existe melhor fiscalizador do que o próprio usuário.”

Já o segundo conceito, continuou o dirigente, refere-se à moeda criada para não ser controlada pelo mercado e que, em sua opinião, representa risco por ser sigilosa e de difícil acesso. “Não temos nenhum caso conhecido no País; no mundo, são poucos os sites conhecidos que vendem drogas e armas com pagamento em bitcoin”, comentou Rodrigues.

Banco Central
Por sua vez, o consultor de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central (BC), Anselmo Pereira Araújo Neto, lembrou que a instituição já emitiu norma que assegura sua competência para regular e supervisionar as negociações com meios de pagamentos eletrônicos. No entanto, a fiscalização, de acordo com ele, deve ser flexível para não prejudicar as transações efetuadas com essas moedas.

Ele explicou ainda que o banco inclui no conceito de moeda virtual qualquer meio de pagamento que não esteja referenciado no Real, como as moedas criptografadas e as originadas de programas de fidelidade.

“Não vamos copiar regras internacionais que não se adaptam à nossa realidade”, opinou Araújo Neto. “Ao mesmo tempo em que queremos transparência, procuramos incentivar novas tecnologias sob a lógica de mercado”, reforçou o consultor do BC, ao ser questionado pelo deputado Aureo (SD-RJ) se o banco apoia a regulamentação das moedas eletrônicas.

Fiscalização

Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o modelo de negócio das moedas Virtuais. Dep. Aureo (SD-RJ)
Aureo: é preciso haver mais controle sobre os programas de fidelização

O parlamentar apresentou o Projeto de Lei 2303/15, pelo qual as moedas eletrônicas e os programas de milhagem de companhias aéreas poderão ser disciplinados pelo Banco Central e fiscalizados pelo Coaf. 

Aureo alertou sobre casos em que os pontos acumulados nos programas de fidelização são trocados por dinheiro “no mercado real”, sem que haja fiscalização. “É um mercado em ascensão e deve ser controlado”, frisou.

Segundo o vice-presidente de operações da Dotz, Otávio Araújo, a regulamentação das empresas de fidelização deve ser feita com cautela. “Não temos nada contra a regulamentação, porém estamos preocupados com a forma como isso será feito”, sustentou. Ele estima que 8,6% da população participam de programas de fidelidade, “uma troca legítima que valoriza o consumidor.”

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Marcelo Oliveira
Agência Câmara Notícias
 
 
 
 

 

Notícias

MP não deve se intrometer em contrato de advogado

Ministério Público não deve se intrometer em contrato de advogado (08.07.11) Foi julgada improcedente a ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal contra dez advogados de Jales (SP) por suposta cobrança abusiva de honorários em ações previdenciárias que tramitam na Justiça Federal...

Saiba Mais sobre lei que altera CPP e institui medidas cautelares

Sexta-feira, 08 de julho de 2011 Saiba Mais sobre lei que altera CPP e institui medidas cautelares A entrevista desta semana no Canal do Supremo Tribunal Federal (STF) no YouTube é sobre a Lei 12.403, que entrou em vigor no dia 4 de julho de 2011 e foi editada para criar mecanismos alternativos à...

"Affectio societatis"

08/07/2011 - 08h01 DECISÃO Exclusão de sócio por quebra de compromisso com a manutenção da empresa exige justa causa A dissolução parcial de uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada para exclusão de sócios em razão da quebra da affectio societatis exige que haja a comprovação de...

Proposta de novo Código Comercial é desnecessária

sexta-feira, 8 de julho de 2011 Proposta de novo Código Comercial é desnecessária POR WADIH DAMOUS Como se sabe, os projetos de novos Códigos de Processo Penal e de Processo Civil tramitam no Congresso Nacional. O segundo, inclusive, vem sendo duramente criticado por aqueles que sustentam ser...

"Quem vai ficar com a casa"

09 de Julho de 2011 Quem abandonar o lar corre o risco de perdê-lo para sempre - Um artigo acrescentado ao Código Civil deve mudar o rumo de casamentos e uniões estáveis desfeitas, ao menos em se tratando de "quem vai ficar com a casa", lembrando que isso se aplica também a uniões homoafetivas, já...

Critérios à prova

  Lista única do STJ será contestada em sabatina Por Rodrigo Haidar   A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado marcou para segunda-feira (11/7), às 15h, a sabatina dos desembargadores Marco Aurélio Buzzi e Marco Aurélio Bellizze, indicados para o cargo de ministros do...