Relator vai pedir aprovação de teto para verbas indenizatórias nos estados

03/10/2012 13:58

Relator apresentará neste mês parecer de PEC sobre verbas das assembleias

Arquivo/ Renato Araújo
Marcos Rogério
Relator na CCJ, Marcos Rogério é favorável à aprovação da proposta.

O deputado Marcos Rogério (PDT-RO) pretende apresentar ainda neste mês seu parecer sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 205/12 que limita as verbas extras recebidas pelos deputados estaduais no exercício do mandato. Relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o deputado aguarda apenas um estudo técnico que detalhará as despesas pagas por cada uma das assembleias legislativas do País.

Marcos Rogério é favorável à aprovação da PEC, sugerida pelo deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA). A proposta prevê o mesmo limite para os gastos já fixado para os subsídios dos deputados estaduais, ou seja, 75% dos vencimentos dos deputados federais. As verbas extras são usadas para gastos com passagens, combustíveis e consultorias, entre outras despesas.

Coerência
Mendonça explica que a PEC busca estabelecer uma simetria, uma regra de coerência que seja proporcional ao critério adotado para o subsídio dos parlamentares. "A própria Constituição já estabelece o percentual dos vencimentos dos deputados estaduais. Com relação tanto às verbas indenizatórias quanto àquela verba de natureza funcional, para a contratação de pessoal, não existe essa mesma simetria”, lembrou.

O assunto entrou em debate depois que, por pressão do Ministério Público, a Assembleia Legislativa do Amapá teve que reduzir a verba indenizatória que os deputados estaduais podem receber de até R$ 100 mil para até R$ 50 mil. Na Câmara dos Deputados, essas verba varia por estado de origem do deputado, chegando a R$ 34.700 mil. Além disso, apenas as despesas efetivas e comprovadas são pagas.

Valores
A Procuradoria-Geral da República também questiona, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), os valores pagos pelas assembleias. O promotor de Justiça do Amapá Afonso Guimarães disse que em 2011 a Assembleia do estado gastou R$ 18 milhões com as verbas indenizatórias de até R$ 100 mil.

"Recentemente eles reduziram para R$ 50 mil, mas é um valor ainda que extrapola a realidade do estado em razão da sua frágil economia. É um valor que eu entendo que está fora dos padrões dos outros estados, considerando a relevância de cada estado para estabelecer esses valores”, argumentou.
Guimarães acrescentou que independentemente da questão do valor, do montante em si, a promotoria apura a regularidade do uso da verba. “Em quê isso está sendo aplicado, se está aplicado corretamente, se não há comprovantes fraudados, se não há improbidade na aplicação dos recursos", detalhou.

O deputado Marcos Rogério afirma que o estudo técnico que pediu esclarecerá inclusive quais assembleias colocam em uma mesma verba as despesas indenizatórias e as usadas com pagamento de pessoal dos gabinetes; o que na Câmara dos Deputados é contabilizado de forma separada.

Tramitação
A Comissão de Constituição e Justiça analisará apenas a admissibilidade da PEC. Se ela for aprovada, será criada uma comissão especial para analisar o mérito da proposta. Se aprovada pelas duas comissões, a proposta seguirá para o Plenário, onde deverá ser aprovada em dois turnos.

 

Reportagem - Sílvia Mugnatto/ Rádio Câmara
Edição - Juliano Pires -
Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara de Notícias
 

Notícias

e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário

e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário Renato Martini e André Caricatti A relevância do e-Not Provas não está apenas na captura de uma tela, está na tentativa de resolver a volatilidade do conteúdo online e o risco de desaparecimento do vestígio. sexta-feira, 16 de janeiro de...

Nova Carteira de Identidade: 10 dúvidas comuns sobre o documento

Nova Carteira de Identidade: 10 dúvidas comuns sobre o documento Juliane Aguiar 15/01/2026 14:10 A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) continua sendo um documento de identificação válido em todo o Brasil. No entanto, ela não substitui a CIN, que é o documento de registro civil oficial do...

Bens situados no exterior são mantidos fora de divisão de herança no Brasil

Bens situados no exterior são mantidos fora de divisão de herança no Brasil 14/01/2026 Lei brasileira não rege sucessão de bens no exterior. A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 9ª Vara da Família e das Sucessões da Capital que negou pedido de homem...

STJ afasta execução contra cônjuge de empresário em comunhão universal

Recuperação judicial STJ afasta execução contra cônjuge de empresário em comunhão universal Para 3ª turma, a comunhão total do patrimônio impede tratar o cônjuge como garantia “externa” à recuperação judicial. Da Redação terça-feira, 13 de janeiro de 2026 Atualizado às 11:56 A 3ª turma do STJ...

Por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido?

Por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido? Por Júlia Cople — Rio de Janeiro 08/01/2026 03h30  Atualizado há 23 horas Embora muitas mulheres ainda adotem o sobrenome do marido (foram mais de 371 mil só em 2024), a maioria hoje escolhe não fazê-lo, seja pelo receio da...