Secretários de Fazenda apoiam reforma do ICMS no comércio eletrônico

30/05/2012 - 19h59 Comissões - Assuntos Econômicos - Atualizado em 30/05/2012 - 20h00

Secretários de Fazenda apoiam reforma do ICMS no comércio eletrônico

Paulo Cezar Barreto

A proposta de emenda constitucional que altera as regras de distribuição do ICMS em compras interestaduais por meio eletrônico (PEC 103/2011) foi avaliada positivamente pelos três secretários estaduais de Fazenda ouvidos pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) em audiência nesta quarta-feira (30).

A PEC estabelece a repartição do ICMS devido nas transações de comércio eletrônico entre os estados da empresa vendedora e do consumidor. Hoje, o estado que sedia a empresa fica com o valor integral do ICMS, o que é criticado pelos demais, que não arrecadam nada na operação.

O secretário de Fazenda do Ceará, Carlos Mauro Benevides Filho, considera que a atual falta de compartilhamento do ICMS pode comprometer o pacto federativo e afronta a igualdade de venda entre empresas, além de ferir a neutralidade tributária. Ele condenou a concentração das lojas virtuais nas regiões Sul e Sudeste, o que tira emprego e renda dos estados mais pobres.

– O meu estado estava começando a observar diminuição do crescimento da venda de televisores porque tudo estava sendo comprado nas “pontocom” de três estados – relatou.

Benevides defendeu a tese de que a internet traz a empresa para dentro do estado, o que faria o imposto ser devido ao estado comprador. Para ele, o compartilhamento do ICMS conforme a emenda constitucional deverá ser instituído assim que a proposta for aprovada, por não se tratar de criação ou majoração de imposto.

No mesmo sentido, Nelson Antônio Serpa, secretário de Fazenda de Santa Catarina, pediu a implementação “com urgência” da partilha do ICMS do comércio eletrônico. Para Serpa, a carga tributária mal distribuída resulta em dificuldade dos estados de prestar serviços à população.

Serpa também defendeu a discussão no Senado, ainda em 2012, da renegociação das dívidas dos estados. Segundo o secretário de Santa Catarina, os estados continuam pagando juros altos à União, apesar das repetidas reduções da taxa Selic.

Mesmo estimando uma perda tributária de R$ 2 bilhões por ano em seu estado, o secretário de Fazenda de São Paulo, Andrea Calabi, elogiou a proposta.

– Por um lado, faz sentido. É justo, a lógica está correta. Por outro, tem um impacto muito grande e muito importante para a arrecadação, mesmo do estado de São Paulo, com a dimensão que tem. Para o governo de São Paulo, apesar das perdas, a emenda, com sua “simplicidade tributária”, constrói a competitividade brasileira como um todo.

Calabi frisou que a divisão dos tributos se insere numa discussão mais ampla, que inclui o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e a repartição dos royalties do petróleo.

O entendimento de São Paulo sobre a importância da emenda foi elogiado por Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Em sua opinião, a nova legislação garante a simplificação do comércio eletrônico:

– É uma solução simples, objetiva, e uma maneira de dar segurança jurídica às empresas e aos consumidores.

Confaz

Andrea Calabi aproveitou a audiência para defender a exigência de unanimidade nas decisões do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), o que considerou “condição sine qua non” para a harmonia federativa e defesa de qualquer estado que se veja prejudicado.

O senador Luiz Henrique (PMDB-SC), apesar de apoiar o requisito de unanimidade, defendeu a redução da exigência para três quintos dos membros do Confaz. A senadora Marta Suplicy (PT-SP) sugeriu quatro quintos.

Por sua vez, Carlos Mauro Benevides Filho lembrou que a exigência de unanimidade no Confaz chegou a prejudicar concessão de incentivos fiscais que considerou essenciais ao reordenamento econômico brasileiro.

 

Agência Senado

 

Notícias

Nova lei não permite aprovação de fusão por demora na análise

Nova lei da concorrência não permite aprovação de fusão por demora na análise Mariana Ghirello - 02/12/2011 - 01h31 A nova Lei 12.529/11, que reestrutura o SBDC (Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência), sancionada nesta quarta-feira (30/11), pela presidenta da República, Dilma Rousseff,...

O que venha a ser CONTRATO ELETRÔNICO diferenciando-se do contrato tradicional?

Os contratos eletrônicos e suas peculiaridades 28/nov/2011 Ainda não há regulamentação expressa no que diz respeito a esta modalidade de contratação. O que pode gerar diversos problemas e conflitos entre as partes, tais como questões pertinentes à proteção do consumidor, a assinatura digital,...

Conteúdo restrito

É um retrocesso prever sigilo de processos eletrônicos Por Wadih Damous A implementação do processo eletrônico pelo Poder Judiciário brasileiro caminha a passos largos e, com ele, a esperança de um processo mais célere e efetivo.   www.conjur.com.br

Proteção do público infanto-juvenil

Quarta-feira, 30 de novembro de 2011 Suspenso julgamento sobre horário obrigatório para programas de rádio e TV Pedido de vista do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu nesta quarta-feira (30) o julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 2404)...

Permitido o ajuizamento de nova ação de investigação de paternidade

Ministro Celso de Mello aplica jurisprudência da Corte para permitir novo exame de paternidade Ressalvando sua posição pessoal contra a tese da relativização da coisa julgada, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF) conheceu e deu provimento ao Recurso Extraordinário (RE)...

Juiz determina pagamento de pensão alimentícia como forma de punição

Juiz manda casal que desistir de adoção pagar pensão para criança Juizado determina pagamento de pensão alimentícia como forma de punição a pais que rejeitam criança depois de adotá-la. Cinco foram devolvidas em Belo Horizonte este ano Em ação inédita no Brasil, o juiz titular da Infância e...