Segurança jurídica nas decisões do poder público é tema de audiência na CCJ

Simone Tebet, relatora da proposta (PLS 349/2015) de Antonio Anastasia, que visa melhorar as regras editadas pelo poder público  Geraldo Magela/Agência Senado

Segurança jurídica nas decisões do poder público é tema de audiência na CCJ

  

Da Redação | 18/11/2015, 08h04 - ATUALIZADO EM 18/11/2015, 12h52

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) promove na quinta-feira (19), a pedido da senadora Simone Tebet (PMDB-MS), audiência pública interativa para análise do Projeto de Lei do Senado (PLS) 349/2015. O autor, Antonio Anastasia (PSDB–MG), argumenta que a proposta pode melhorar as regras editadas pelo poder público e os mecanismos de controle público, de forma a garantir maior segurança jurídica nas decisões tomadas.

O parlamentar explica que é preciso assegurar mais confiança, principalmente para investidores, em relação a novas normas. Anastasia observa que ninguém deve ser surpreendido por mudanças em regulamentos de setores importantes como energia e transportes. Também entende que a alteração das regras deve ser submetida à opinião das pessoas interessadas, da mesma forma que elas devem saber como serão os desdobramentos das decisões.

Qualidade das decisões

O PLS 349/2015 incluiu novos dispositivos na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-Lei 4.657, de 1942), estabelecendo que nenhuma decisão, nas esferas administrativa e judicial, seja tomada com base em valores jurídicos abstratos sem medir as consequências práticas da decisão.

Também determina que a interpretação das normas sobre gestão pública considerará os obstáculos e dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo. Os princípios que norteiam a proposta são a razoabilidade e a motivação das decisões administrativas e judiciais.

- São princípios que devem ser observados para que uma decisão não acarrete prejuízos para a sociedade. As autoridades públicas devem ter em conta quais são as consequências do seu ato - observou o autor.

Antonio Anastasia afirma que o país retrocede em termos de segurança jurídica quanto mais avança na institucionalização do poder público com leis que regulamentam o funcionamento de diversos órgãos do Estado, e na medida em que viabiliza o controle externo e interno do desempenho dessas instituições.

- O país vive momentos de muita incerteza e falta de previsibilidade e confiança, o que significa menos investimento, menos emprego, mais inflação e mais atraso - acrescentou.

Setor elétrico

Um exemplo, de acordo com Antonio Anastasia, são as mudanças feitas no marco regulatório do setor elétrico pelo Poder Executivo federal em setembro de 2012. O senador afirma que a mudança ocorreu de forma unilateral, sem discutir as alterações com os setores envolvidos.

- E o resultado aí está. As contas de luz subiram. Nós temos hoje uma carestia muito grande em decorrência exatamente dessa falta de previsibilidade. Houve fuga de investidores, quebra de contratos e, o mais importante, a quebra de confiança no governo, que levou à crise em que nos encontramos. É um exemplo simples, mas muito importante para mostrar que não podemos viver num país em que não haja confiança e previsbilidade — disse o senador em recente entrevista ao programa Conexão Senado, da Rádio Senado.

Outro exemplo de insegurança dado pelo autor diz respeito à atuação do gestor público que, submetido a um órgão de controle, fica indeciso em relação à decisão que deve tomar, porque não sabe que interpretação será dada ao ato:

— E, temeroso dessa sua decisão, o que ele faz? Não faz nada. Ele que é correto, tem medo, não faz nada. E na ausência de decisão, na sua omissão, nós temos falhas da administração pública. Muitas vezes, o que ocorre é que posteriormente àquele ato realizado, o gestor é cobrado de uma decisão que é dada de boa fé e de acordo com a interpretação daquela época - explica o senador.

Antonio Anastasia garante que nada disso é novo, pois são regras básicas para o funcionamento de uma ordem jurídica democrática adotadas em países desenvolvidos há muito anos.

A senadora Simone Tebet é a relatora do PLS 349/2015 e deverá apresentar seu parecer após a audiência pública. Aprovada, a matéria poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, pois a análise da CCJ tem caráter terminativo.

Interatividade

Estão convidados para a audiência Egon Bockmann Moreira, advogado e professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná; Alexandre Santos de Aragão, procurador do estado do Rio de Janeiro e professor da Faculdade de Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro; Arnaldo Sampaio Moraes Godoy, procurador da Fazenda Nacional e ex-consultor-geral da União; Paulo Ziulkoski, advogado e presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM); Fabricio do Rozario Valle Dantas Leite, secretário-executivo-adjunto do Ministério da Fazenda.

Os interessados na audiência pública poderão acompanhá-la pelo portal e-Cidadania e enviar sugestões e comentários.

COMO ACOMPANHAR E PARTICIPAR

Participe: 
https://bit.ly/audienciainterativa
Portal e-Cidadania:
www.senado.gov.br/ecidadania
Alô Senado (0800-612211) 

 

Agência Senado 

Notícias

Disposição normativa inconstitucional

Terça-feira, 01 de março de 2011 Fixação de valor do salário mínimo por decreto é questionada no STF A possibilidade de o Poder Executivo reajustar e aumentar o salário mínimo por meio de decreto, prevista no artigo 3º da Lei nº 12.382/2011*, foi questionada por meio da Ação Direta da...

NFe do Brasil: solução gratuita para emitir NFe

Extraído de Revista INCorporativa NFe do Brasil: solução gratuita para emitir NFe A ferramenta é direcionada a companhias nacionais que já utilizam o sistema grátis da Secretaria da Fazenda 01/03/2011 - Camila Freitas A NFe do Brasil, empresa especializada em inteligência fiscal eletrônica,...

Ressarcimento de gastos médicos

Unimed não pode rescindir contrato unilateralmente (01.03.11) A 5ª Câmara de Direito Civil do TJ de Santa Catarina confirmou parcialmente sentença da comarca de Itajaí e condenou a Unimed Litoral ao ressarcimento de gastos médicos efetuados por uma conveniada que não fora informada sobre a rescisão...

Direito de ter acesso aos autos

Segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 Indiciado em ação penal há quase 10 meses reclama direito de acesso aos autos Denunciado perante a 2ª Vara Federal de Governador Valadares (MG) por supostamente integrar uma quadrilha acusada de desvio de verbas destinadas a obras municipais – como construção...

Autorização excepcional

28/02/2011 - 14h14 DECISÃO Avô que vive com a filha e o neto consegue a guarda da criança A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu ao avô de uma criança, todos moradores de Rondônia, a guarda consensual do menor, por entender que se trata de uma autorização excepcional. O...

A prova da morte e a certidão de óbito

A PROVA DA MORTE E A CERTIDÃO DE ÓBITO José Hildor Leal Categoria: Notarial Postado em 18/02/2011 10:42:17 Lendo a crônica "Um mundo de papel", do inigualável Rubem Braga, na qual o autor critica com singular sarcasmo a burocracia nas repartições públicas, relatando acerca de um suplente de...