Superendividamento não escolhe idade, cor ou classe social

19/02/2013 - 12h50 Comissões - Código do Consumidor - Atualizado em 19/02/2013 - 20h34

Brasileiro é vítima de 'agiotagem legalizada', diz defensora pública

Anderson Vieira

O superendividamento não escolhe idade, cor ou classe social. Não é um fenômeno apenas jurídico, mas afeta aspectos sociais e psicológicos das pessoas. O alerta é da coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Alessandra Bentes, que participou, nesta terça-feira (19), de audiência pública no Senado sobre o projeto que trata da prevenção do problema (PLS 283/2012).

Segundo a defensora, não existe um padrão definido para o superendividamento, que pode acontecer com quem recebe um ou dois salários mínimos ou mesmo com aqueles que ganham R$ 20 mil mensais, os quais ainda assim ficam com a renda totalmente comprometida, sem disponibilidade financeira sequer para a alimentação.

Ela citou a oferta "banalizada" de crédito como uma das principais causas do superendividamento e criticou as propagandas oferecendo crédito fácil, sem a necessidade de comprovação da capacidade econômico-financeira, classificadas por ela como "agiotagem legalizada".

– Infelizmente a realidade do país não é de pessoas esclarecidas. Existe grande número de analfabetos funcionais, que leem e não entendem o conteúdo de um contrato. Não têm a menor noção do que estão assinando. E os consumidores são abordados na rua com propostas aparentemente sedutoras – relatou.

Prevenção

A juíza Clarissa Costa de Lima, presidente do Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (Brasilcon) destacou a importância da prevenção prevista pelo PLS 283/12, que traz medidas de educação financeira, de crédito responsável, de informação e de educação.

– O consumidor não é responsável sozinho pelo endividamento excessivo. O principio do crédito responsável é necessário e evitará mais casos de superindividamento – afirmou.

Para o diretor da Serasa Experian, Silvânio Covas, a avaliação do risco de crédito é fundamental para que o mesmo seja consciente e seguro. Segundo ele, a inadimplência não é um fenômeno novo, nem exclusivo dos brasileiros.

– O Brasil tem que aprender a lidar com o crédito, pois, atualmente, segundo o Banco Central, a proporção entre o volume de crédito e o Produto Interno Bruto (PIB) é de 51%, índice que tende a aumentar daqui para frente. Os Estados Unidos, por exemplo, têm uma relação crédito/PIB de 193%; o Canadá, 120%; e o Japão, 172% – informou.

Mínimo existencial

A elaboração de uma tabela que trate do limite máximo do comprometimento de renda é um dos pontos do projeto a serem aperfeiçoados O PLS 283/2012 estabelece a preservação do mínimo existencial em 70% da renda do consumidor. Ou seja, no máximo 30% poderiam ser comprometidos por dívidas, número que foi questionado pelo consultor da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs), Ruan Ferres.

– O limite de comprometimento de renda é subjetivo. Pesquisa do Serasa mostrou que pode ser que uma pessoa comprometa mais de 30% de sua renda sem necessariamente se tornar inadimplente – opinou.

A maioria dos convidados concordou com o fato de que quanto mais alto o salário, maior a parte que pode ser comprometida com uma dívida sem o comprometimento da subsistência.

Ainda para o representante das empresas de cartões de crédito, o superendividamento deve ser uma situação excepcional e não uma situação rotineira. Ele alertou também para o risco de a legislação ser desvirtuada, beneficiando comportamentos pontuais oportunistas em prejuízo de todos os tomadores de crédito.

Pressa

A audiência desta terça-feira (19) foi promovida pela comissão temporária que avalia propostas de modernização do Código de Defesa do Consumidor (CDC), presidida pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

O relator, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), destacou que o CDC é reconhecido internacionalmente como referencia nas garantias do direito do consumidor, mas é preciso adequá-lo à nova conjuntura socioeconômica, depois de pouco mais de 22 anos de vigência.

As sugestões apresentadas nesta terça pelos convidados serão analisadas e poderão ou não ser incorporadas ao texto. A intenção de Ferraço é concluir o trabalho da comissão o mais rápido possível, sem comprometer a qualidade do relatório final. Para isso, o senador cogitou a realização de uma audiência por semana a fim de que o texto possa ser votado pelo Plenário do Senado neste primeiro semestre.

 

Agência Senado

 

Notícias

Doação em vida ou testamento? Como escolher

Doação em vida ou testamento? Como escolher Izabella Vasconcellos Santos Paz Comparação entre doação em vida e testamento no planejamento sucessório, destacando vantagens, riscos e como escolher a estratégia ideal para garantir segurança familiar. terça-feira, 27 de janeiro de 2026 Atualizado às...

Assinatura digital e eletrônica: qual a diferença real entre elas?

Tecnologia Assinatura digital e eletrônica: qual a diferença real entre elas? Embora pareçam sinônimos, os termos têm diferenças técnicas e de validade jurídica importantes; entenda de vez para não errar na hora de usar Juliane Aguiar  22/01/2026 14:47 Assinar um documento sem caneta e...

e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário

e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário Renato Martini e André Caricatti A relevância do e-Not Provas não está apenas na captura de uma tela, está na tentativa de resolver a volatilidade do conteúdo online e o risco de desaparecimento do vestígio. sexta-feira, 16 de janeiro de...

Nova Carteira de Identidade: 10 dúvidas comuns sobre o documento

Nova Carteira de Identidade: 10 dúvidas comuns sobre o documento Juliane Aguiar 15/01/2026 14:10 A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) continua sendo um documento de identificação válido em todo o Brasil. No entanto, ela não substitui a CIN, que é o documento de registro civil oficial do...