Unificação das polícias não tem consenso entre deputados e especialistas

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Audiência Pública e Reunião Ordinária. Dep. delegado Edson Moreira (PR - MG)
Delegado Edson Moreira: unificação o quanto antes

16/05/2017 - 23h06

Unificação das polícias não tem consenso entre deputados e especialistas

Especialistas e parlamentares discordaram em audiência na Câmara sobre a unificação das polícias no Brasil. O debate ocorreu a pedido do deputado Delegado Edson Moreira (PR-MG), que preside a comissão especial que analisa propostas de unificação das polícias Civil e Militar.

Para Delegado Edson Moreira, a ideia deve ser implantada o quanto antes.

O que nós pensamos é na união das duas polícias, trabalhando em conjunto com uma só filosofia e um só comando, com ramificações da prevenção e investigação. Isso poderia amenizar o problema - resolver não vai, o crime não vai acabar, mas seria importante para a população. Temos que pensar não nas nossas corporações, mas no ser humano, no povo que recebe os serviços dos seus estados e paga seus impostos e tem que ser bem atendido", disse.

O deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG) defendeu a implantação do chamado  ciclo completo. "Hoje, a polícia militar atua na prevenção e repressão; enquanto a polícia civil faz investigação. No ciclo completo, ambas atuariam de forma plena, do início ao término da ocorrência”, explicou.

População 
Especialista em segurança pública, Ricardo Gennari disse que não acredita na unificação como solução no momento, mas destacou a importância do ciclo completo para a agilidade do processo. Ele apontou centralização de poder e falta de gestão e planejamento como alguns problemas do atual sistema.

Já para o professor e coordenador do Núcleo de Estudos em Segurança Pública da Fundação João Pinheiro, Eduardo Batitucci, o principal problema é a distância das questões da população. A proposta de unificação, disse, é inviável no momento.

"Enquanto o sistema de justiça criminal, e aqui eu estou falando das polícias, do Ministério Público, do Judiciário, do sistema prisional, não se aproximar substantivamente do povo brasileiro e da forma como ele vive, com vulnerabilidade, com humildade, com dificuldade, esses problemas não serão resolvidos por meio de de dinâmicas organizacionais", avaliou. 

Reportagem - Leilane Gama
Edição - Rosalva Nunes
Agência Câmara Notícias
 

 

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