Baixo efetivo policial dificulta combate ao tráfico de armas

20/10/2015 - 15h59

Baixo efetivo policial dificulta combate ao tráfico de armas, dizem especialistas

Baixo efetivo policial é uma das principais dificuldades no combate ao tráfico de armas no país. O alerta foi dado em audiência pública sobre o assunto, nesta terça-feira (20), na Subcomissão Permanente criada para tratar do Combate ao Crime Organizado. Representantes da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal destacaram, também, que o tráfico de armas e o de drogas caminham juntos.

Baixo efetivo
No caso da Polícia Rodoviária Federal, o chefe da Divisão de Operações de Inteligência da Coordenação de Inteligência da Polícia Rodoviária Federal, Moisés Dionísio da Silva, informou que no Brasil, para cobrir os mais de 70 mil quilômetros de rodovias federais, existem hoje 10.300 policiais para combater crimes como contrabando, tráfico de armas e drogas e ainda outro crimes, como a exploração sexual de crianças. Segundo ele, seria necessário o dobro. Apenas para as Olimpíadas do Rio de Janeiro no ano que vem será usada quase a metade do efetivo da Polícia Rodoviária Federal, cerca de 4 mil servidores.

"Para nós nos tornarmos mais eficientes hoje, há um estudo que mostra que seria preciso em torno de 20 mil [policiais]. Isso não quer dizer que daqui a dois anos esse número não tenha que aumentar, até porque as demandas institucionais da Polícia Rodoviária Federal só aumentam no governo", disse.

Segurança na fronteira
Na fronteira, de acordo com Moisés Dionísio da Silva, o problema é mais crítico. São 23.102 quilômetros de fronteira cobertos por apenas 2 mil agentes. Das 400 unidades operacionais da Polícia Rodoviária, 99 delas ficam na fronteira do Brasil. Mesmo com os problemas, de 2005 a 2015, foram apreendidos pela PRF 182 fuzis, 73 submetralhadoras, 3.420 pistolas, 3.174 espingardas, 7.543 revólveres, 885.495 munições.

O especialista explica que legalmente não se pode repassar o material apreendido para a própria estrutura da corporação. Ao contrário do Brasil, o que é apreendido em outros países passa para o patrimônio da polícia para reforçar o combate ao crime. "Nós temos aeronaves apreendidas que estão paradas em depósito até hoje. Se os juízes já dessem [a posse] de imediato para a instituição policial, eu teria aeronaves para combater o crime e seria muito mais eficaz para as instituições policiais," lamenta.

Morte por arma
Já o chefe da Divisão de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio e ao Tráfico de Armas do Departamento de Polícia Federal, Luiz Flavio Zampronha, explicou que o tráfico e o comércio ilegal de armas ajudam a aumentar o número de mortes por armas de fogo. O Brasil é líder em assassinatos por armas de fogo em números absolutos e está em décimo-primeiro lugar no número de assassinatos por 100 mil habitantes.

O deputado Aluisio Mendes (PSDC –MA) lembrou que o Brasil é signatário de acordos internacionais sobre o crime organizado, mas um importante texto ainda está em análise na Câmara: o Tratado sobre o Comércio de Armas. O Paraguai já o ratificou e, para o deputado, é fundamental que o Brasil faça o mesmo: "O Paraguai tem uma capacidade hoje de assimilar "x" armas e importa "3x". O que a gente quer agora? Que o Paraguai seja transparente nesses dados, que possa nos dizer qual sua real capacidade de absorção dessas armas e esse excedente deixe de ser importado".

A próxima reunião da Subcomissão, que é ligada à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, será na terça-feira (27). Para o debate, foi convidado o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Mariano Beltrame.

Reportagem - Luiz Cláudio Canuto
Edição – Luciana Cesar
Agência Câmara Notícias

 

Notícias

Pedido de justiça gratuita pode ser feito a qualquer tempo

Extraído de Veredictum Pedido de justiça gratuita pode ser feito a qualquer tempo by Max De acordo com a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, o pedido de concessão do benefício da justiça gratuita pode ser feito pela parte a qualquer momento ou grau de jurisdição. Quando for solicitado...

Trabalhador retirou-se da audiência porque calçava chinelos de dedos

  Indenização para trabalhador que, calçando chinelos, foi barrado em audiência (04.03.11) Um dia depois da matéria de ontem (3) do Espaço Vital sobre exigências formais (gravata, paletó e calçados) para participar de atos judiciais, surge a notícia de que a União foi condenada a reparar o...

Não é possível reconhecer uniões estáveis paralelas

23/02/2011 - 14h21 STJ decide que é impossível reconhecer uniões estáveis paralelas A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça admitiu que não é possível reconhecer uniões estáveis paralelas entre um funcionário público aposentado do Rio Grande do Sul e duas mulheres, com as quais manteve...

Imunidade profissional não é absoluta

03/03/2011 - 14h08 DECISÃO Advogado é condenado por calúnia e difamação contra colega Em mais um julgamento sobre excessos verbais cometidos por advogado no curso do processo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou seu entendimento de que a imunidade profissional prevista na Constituição...

Cirurgia essencial à sobrevida de segurado

03/03/2011 - 12h29 DECISÃO Unimed deve pagar despesas com cirurgia bariátrica de segurada com obesidade mórbida A gastroplastia (cirurgia bariátrica), indicada como tratamento para obesidade mórbida, longe de ser um procedimento estético ou mero tratamento emagrecedor, revela-se cirurgia...

Aparelho de TV e máquina de lavar são impenhoráveis

03/03/2011 - 08h09 DECISÃO Aparelho de TV e máquina de lavar são impenhoráveis Aparelho de televisão e máquina de lavar, bens usualmente encontrados em uma residência, não podem ser penhorados para saldar dívidas. A decisão é da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento...