Centro de Paternidade auxilia filhos na busca pelo pai

Centro de Paternidade auxilia filhos na busca pelo pai

Publicado em: 14/08/2017

“Ao cumprir com a função paterna, o pai demonstra amor e proteção, oferece confiança e segurança. A partir do momento em que acompanha e encoraja a criança na difícil tarefa de desbravar o mundo que a cerca, o pai intervém e apresenta parâmetros do que pode ou não pode, transmite valores éticos e morais, propiciando a instalação da ordem e do respeito às leis sociais. Por isto, a participação do pai na vida da criança é fundamental”, destaca a psicóloga Verônica Esteves de Carvalho, autora que publica no site “Ninguém Cresce Sozinho”.

É essa consciência que pauta o trabalho do Centro de Reconhecimento de Paternidade (CRP) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), iniciativa de grande alcance social, que pode abrir as portas para o exercício de uma paternidade plena. Criado em 2011, ele atende mães que desejam obter o reconhecimento da paternidade de seus filhos ou filhos já adultos que buscam o reconhecimento pelos seus pais. O CRP inicia o procedimento extrajudicial de averiguação de paternidade e, se preciso, os exames de DNA serão realizados, gratuitamente.

A juíza Maria Luiza de Andrade Rangel Pires, da Vara de Registros Públicos de Belo Horizonte, ao qual o CRP está vinculado, explica que o espaço foi criado em 2011 a partir de uma proposta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que, em 2009, fez um censo em todas as escolas públicas do Brasil para identificar quantas crianças e adolescentes matriculados ali não tinham o nome do pai no registro. “Esse levantamento apurou um dado assustador: cerca de 5 milhões deles estavam sem registro de paternidade. Em Belo Horizonte, eram cerca de 45 mil crianças e adolescentes”, revela.

Origens familiares

O dado assusta porque a certidão de nascimento está longe de ser um simples papel. O registro civil é um dos documentos de maior valor na vida de uma criança. Ele não só inaugura o nascimento do menor para a vida civil, como também remete às suas origens familiares. Por isso, para os meninos e meninas que crescem trazendo em suas certidões a omissão do nome do pai, essa ausência deixa marcas e é, muitas vezes, fonte de vergonha, sensação de abandono e até discriminação.

É esse lapso que o CRP tem contribuído para sanar. Segundo a juíza Maria Luíza, para além dos aspectos emocionais, o nome do pai abre para o filho direitos de alimentos e direitos hereditários, no caso de falecimento do genitor. “Em quase seis anos de funcionamento, foram quase 12 mil reconhecimentos de paternidade, envolvendo DNA's positivos e reconhecimentos espontâneos”, conta a magistrada. Hoje, o centro faz, em média, entre 70 e 80 exames de DNA por mês.

Entre 1º de julho de 2016 e 31 de maio último, foram agendados no CRP 727 exames de DNA, com a realização de 1.784 audiências de conciliação. Quando o resultado do exame de DNA é positivo, confirmando a paternidade, os nomes do pai e dos avós paternos podem ser incluídos na certidão de nascimento do filho. Assim, parte da história dos filhos é ali reconstituída. Ainda que depois a criança tenha outro pai socioafetivo, a verdade biológica é registrada e ela é inquestionável.

Procedimentos

Em Belo Horizonte, os cartórios notificam o CRP, quando mães registram filhos sem declarar o nome do pai. O processo é enviado ao centro de reconhecimento, que convoca a mãe para manifestar o endereço do suposto pai, para que seja iniciado processo de averiguação de paternidade. Com as informações repassadas pela mãe, o suposto pai é convidado a comparecer ao local e é marcada a data para a realização do exame de DNA, gratuitamente, se necessário. Há casos em que a mãe já aparece ao local com o genitor, que deseja fazer o reconhecimento espontâneo.

O processo de averiguação da paternidade só é iniciado com a autorização da mãe da criança ou do maior de idade (caso de filhos maiores) e corre em segredo de justiça. O CRP averigua também casos em que o pai é falecido ou ausente ou que se encontra preso.

O valor de um pai
         
Em uma visita ao CRP, há alguns meses, encontramos, aguardando a vez de ser chamada, uma mulher de 24 anos, ao lado do pai dela. A jovem está ali com um bebê de 4 meses, aguardando a confirmação do teste de paternidade. O companheiro não está presente à audiência, na qual é anunciado que o resultado deu positivo. Enquanto a mãe conversa com uma conciliadora, em uma sala de audiência, o avô da criança relata que a jovem era agredida constantemente pelo companheiro, que a abandonou grávida do caçula e com duas crianças pequenas.

“Cheguei à casa dela e estavam ali há dias, sem nada para comer. Peguei minha filha e meus netos, paguei aluguéis e contas de água e luz atrasados e os levei para a minha casa”, diz, entristecido, recordando o estado em que os encontrou. “Eu a mantenho agora. Enquanto eu estiver vivo, netinho meu não passará fome.” As despesas são altas e ele tem poucos recursos. “Mas, meu Deus, pode ter coisa melhor no mundo que ajudar um filho?”, conclui, emocionado. E confirma, assim, o valor de um pai na vida de um filho.

Contato e mais informações

O CRP está localizado na Avenida Álvares Cabral, 200, 4º andar, na Praça Afonso Arinos (entre a Avenida Augusto de Lima e a Rua da Bahia), no centro de Belo Horizonte. O atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas. O telefone é 3248-4264 e o e-mail é pai-presente-bhe@tjmg.jus.br.

Confira, aqui, mais informações sobre o CRP, incluindo os documentos necessários para dar início ao processo de averiguação de paternidade.

Fonte: TJMG
Extraído de Recivil

Notícias

A prova da morte e a certidão de óbito

A PROVA DA MORTE E A CERTIDÃO DE ÓBITO José Hildor Leal Categoria: Notarial Postado em 18/02/2011 10:42:17 Lendo a crônica "Um mundo de papel", do inigualável Rubem Braga, na qual o autor critica com singular sarcasmo a burocracia nas repartições públicas, relatando acerca de um suplente de...

Cópias sem autenticação inviabilizam mandado de segurança

Extraído de AnoregBR Cópias sem autenticação inviabilizam mandado de segurança Seg, 28 de Fevereiro de 2011 08:54 O objetivo era extinguir uma reclamação trabalhista com o mandado de segurança, mas, depois dos resultados negativos nas instâncias anteriores, as empregadoras também tiveram seu...

O mercado ilegal de produtos

27/02/2011 - 10h00 ESPECIAL Decisões judiciais imprimem mais rigor contra a pirataria “Receita continua a fiscalizar comércio irregular em São Paulo.” “Polícia estoura estúdio de pirataria e apreende 40 mil CDs e DVDS.” “Quadrilha tenta pagar propina de R$ 30 mil e é desarticulada.” Todas essas...

A idade mínima para ser juiz

  Juízes, idade mínima e reflexos nas decisões Por Vladimir Passos de Freitas A idade mínima para ser juiz e os reflexos no comportamento e nas decisões é tema tratado sem maior profundidade. As Constituições de 1824 e de 1891 não fixaram idade mínima para ser juiz. Todavia, o Decreto 848,...

Quando o anticoncepcional falha

Quando o anticoncepcional falha (25.02.11) O TJ de Santa Catarina decidiu que uma indústria Germed Farmacêutica Ltda. deve continuar pagando pensão de um salário mínimo mensal - mesmo enquanto apelação não é julgada - a uma mulher da cidade de Navegantes que teria engravidado apesar de utilizar...

Credores não habilitados

Extraído de AnoregBR Concordatária tem direito ao levantamento de valores que estão depositados à disposição de credores não habilitados Sex, 25 de Fevereiro de 2011 13:53 A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a empresa Ferragens Amadeo Scalabrin Ltda. tem direito ao...