Imóvel como garantia: O que muda com a nova regulamentação do CMN?

Imóvel como garantia: O que muda com a nova regulamentação do CMN?

Werner Damásio

Agora é possível usar o mesmo imóvel como garantia em várias operações de crédito. A resolução CMN 5.197/24 amplia o acesso ao crédito imobiliário para pessoas físicas e jurídicas.

domingo, 5 de janeiro de 2025
Atualizado em 3 de janeiro de 2025 13:40

O Que Diz a Nova Resolução?

A resolução CMN 5.197/24 foi publicada pelo CMN - Conselho Monetário Nacional para disciplinar o uso de imóveis como garantia em múltiplas operações de crédito. Essa medida atualiza a normativa anterior (resolução CMN 4.676/18), incorporando mudanças trazidas pela lei 14.711/23, que alterou as regras sobre hipoteca e alienação fiduciária.

Antes dessa regulamentação, um imóvel podia ser dado em garantia apenas em uma única operação de crédito. Com a nova norma, o mesmo imóvel pode ser utilizado em várias operações, desde que respeitados os limites de crédito estabelecidos, ampliando a alavancagem financeira tanto para pessoas físicas quanto jurídicas.

Como Funciona o Compartilhamento de Garantias?

O principal avanço da resolução é a possibilidade de compartilhar um imóvel como garantia em diferentes financiamentos. Isso significa que um imóvel já vinculado a uma operação de crédito pode ser reutilizado em outra, desde que a soma do valor das novas operações e do saldo devedor da operação original não ultrapasse o limite de crédito da operação predominante.

Condições Específicas

. Definição de operação predominante: A operação com maior valor financeiro, ou, em caso de igualdade, a mais antiga;
. Flexibilidade Contratual: As novas operações podem ter condições diferentes da original, como prazos e índices de atualização.

Impactos no Mercado Imobiliário

A possibilidade de usar um imóvel como garantia em mais de uma operação de crédito promete revolucionar o mercado imobiliário brasileiro. Entre os principais benefícios, destacam-se:

1. Aumento do acesso ao crédito: Empresas e pessoas físicas terão mais facilidade para obter financiamento sem precisar dispor de outros ativos como garantia;
2. Flexibilidade nas Negociações: Condições contratuais distintas para cada operação tornam o crédito mais acessível e adaptado às necessidades de cada tomador;
3. Maior segurança jurídica: A regulamentação detalhada reduz inseguranças para registradores e instituições financeiras.

 

Essa mudança também é especialmente vantajosa para empresas que buscam expandir seus negócios e precisam de acesso rápido ao crédito sem comprometer seu patrimônio.

Cuidados Necessários

Embora a novidade seja promissora, é essencial observar alguns pontos críticos:

. Limite de crédito: A soma das operações garantidas pelo mesmo imóvel não pode ultrapassar o valor de avaliação do bem;
. Exigências contratuais: A resolução permite que instituições financeiras exijam garantias adicionais, como cobertura securitária para riscos de morte, invalidez e danos ao imóvel;
. Planejamento financeiro: Para evitar endividamento excessivo, é crucial avaliar a viabilidade das operações e o impacto nos recursos disponíveis.

Exemplo Prático

Imagine uma pessoa que possui um imóvel avaliado em R$ 1.000.000, já utilizado como garantia em um financiamento de R$ 500.000. Com as novas regras, ela poderá utilizar o mesmo imóvel para garantir um segundo empréstimo, desde que o valor total das operações não ultrapasse o limite permitido, considerando o saldo devedor da primeira operação.

Perspectivas e Desafios

A regulamentação traz avanços significativos, mas também impõe desafios. A inclusão de cláusulas de flexibilização, como a possibilidade de condições contratuais distintas, exige maior atenção dos tomadores de crédito e dos departamentos jurídicos de empresas.

Além disso, o prazo para adaptação às novas regras, que entram em vigor em 1º/725, será essencial para que instituições financeiras ajustem seus processos e esclareçam dúvidas de mutuários.

Conclusão

A resolução CMN 5.197/24 representa um marco no mercado imobiliário brasileiro. Ao permitir o compartilhamento de garantias, ela não apenas amplia o acesso ao crédito, mas também torna o sistema mais flexível e adaptado às necessidades dos consumidores e das empresas.

No entanto, a novidade exige cautela e planejamento. Antes de optar por utilizar o mesmo imóvel como garantia em múltiplas operações, é fundamental buscar orientação jurídica e financeira. Assim, você poderá aproveitar todos os benefícios dessa inovação sem comprometer sua saúde financeira.

Werner Damásio
Advogado com 17 anos de experiência, pós-graduado em Direito Privado e especializado em Direito Cível e Empresarial. Sócio do escritório Lettieri Damásio Advogados, com atuação consolidada em Direito

Fonte: Migalhas

                                                                                                                            

Notícias

Autocuratela 2026: Como idosos podem planejar sua representação no cartório

Autocuratela 2026: Como idosos podem planejar sua representação no cartório   A autocuratela será uma das alternativas mais importantes para os idosos a partir de 2026. Saiba como planejar sua representação no cartório e garantir autonomia. Com a chegada da autocuratela prevista para 2025, os...

Adolescente terá nome de dois pais na certidão de nascimento

Adolescente terá nome de dois pais na certidão de nascimento Decisão da Comarca de Campina Verde reconhece a evolução das estruturas familiares 27/01/2026 - Atualizado em 28/01/2026 Um adolescente passará a ter, na certidão de nascimento, o registro de dois pais junto do nome da mãe....

Pouco conhecido, pagamento de pensão pelos avós protege infância

Opinião Pouco conhecido, pagamento de pensão pelos avós protege infância Marcos Bilharinho 28 de janeiro de 2026, 6h35 É constatado, ainda, que o Brasil é a única nação que destina mais de seis vezes dos recursos do orçamento para os mais velhos do que para os mais jovens. Prossiga em Consultor...

Doação em vida ou testamento? Como escolher

Doação em vida ou testamento? Como escolher Izabella Vasconcellos Santos Paz Comparação entre doação em vida e testamento no planejamento sucessório, destacando vantagens, riscos e como escolher a estratégia ideal para garantir segurança familiar. terça-feira, 27 de janeiro de 2026 Atualizado às...

Assinatura digital e eletrônica: qual a diferença real entre elas?

Tecnologia Assinatura digital e eletrônica: qual a diferença real entre elas? Embora pareçam sinônimos, os termos têm diferenças técnicas e de validade jurídica importantes; entenda de vez para não errar na hora de usar Juliane Aguiar  22/01/2026 14:47 Assinar um documento sem caneta e...