Medidas de segurança para juízes voltam à CCJ para discussão

17/08/2011 - 20h15

Medidas de segurança para juízes voltam à CCJ para discussão

 

Foi devolvido pelo Plenário à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (17) o Projeto de Lei da Câmara 3/2010, que autoriza a formação de um colegiado de juízes para decidir sobre atos processuais que envolvam organizações criminosas. Aprovado em turno suplementar nesta quarta-feira (17), o projeto recebeu nove emendas em Plenário, que seguem agora para análise na CCJ.

O PLC 3/10 foi aprovado pelos senadores em forma de substitutivoQuando o relator de determinada proposta introduz mudanças a ponto de alterá-la integralmente, o Regimento Interno do Senado chama este novo texto de "substitutivo". Quando é aprovado, o substitutivo precisa passar por "turno suplementar", isto é, uma nova votação. no final de abril, com o objetivo de proteger os juízes em sua atuação contra o crime organizado. O projeto constava da ordem do dia, aguardando a votação do turno suplementar (exigido sempre que há apresentação de substitutivo) e ganhou destaque esta semana, depois do assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, no dia 12 de agosto, titular da 4ª Vara Criminal, de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. A juíza se notabilizou pelo rigor e seriedade com que decidiu casos de policiais acusados de envolvimento com milícias.

Pela proposta em discussão no Senado, um juiz poderá formar um colegiado para deliberar sobre atos processuais como decretação de prisão, sentença, concessão de liberdade condicional ou de liberdade provisória e transferência de preso, sempre que o crime em questão tenha sido cometido por organizações criminosas.

A matéria também autoriza os tribunais a reforçarem a segurança dos prédios da Justiça. Estão permitidos o controle de acesso dos visitantes, instalação de câmeras de vigilância e de detectores de metais nas dependências dos prédios.

Outra alteração é no artigo 6º do Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826, de 2003), que passa a autorizar e regulamentar o porte de arma de fogo aos agentes de segurança do Poder Judiciário e do Ministério Público. Já a proteção pessoal das autoridades judiciárias e de seus familiares ficará a cargo das forças policiais do Estado.

Emendas em Plenário

A segurança dos magistrados e o porte de armas para servidores do Judiciário são pontos polêmicos no projeto. Das nove emendas apresentadas em Plenário nesta quarta, seis tratam do assunto. Duas das propostas são de iniciativa do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que estende a autorização de porte de arma para os oficiais de Justiça no exercício de suas funções. Outras duas são do líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), retirando a autorização para porte de arma aos servidores da Justiça.

Uma terceira emenda de Jucá trata da segurança dos magistrados - o senador pede a punição para eventuais descumprimentos dos procedimentos de proteção dos ameaçados e suas famílias. O senador Luiz Henrique (PMDB-SC) também tratou do tema: inclui os órgãos de segurança do Judiciário como responsáveis pela segurança dos magistrados, junto às forças policiais.

Luiz Henrique apresentou uma segunda emenda agilizando a liberação de placas especiais para os carros dos magistrados. E Romero Jucá apresentou mais duas, detalhando melhor o texto da lei. Todas as propostas serão discutidas na CCJ.

O PLC 3/10 traz ainda uma novidade: a possibilidade de os réus perderem bens em valores equivalentes ao produto de seus crimes, quando estes não forem localizados ou estiverem no exterior.

Originalmente, o projeto havia sido apresentado à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) da Câmara dos Deputados pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informam que, atualmente, mais de 100 juízes estão sob ameaça em todo o país, sendo que 42 deles contam hoje com escolta policial.

Paola Lima / Agência Senado
 

Notícias

Disposição normativa inconstitucional

Terça-feira, 01 de março de 2011 Fixação de valor do salário mínimo por decreto é questionada no STF A possibilidade de o Poder Executivo reajustar e aumentar o salário mínimo por meio de decreto, prevista no artigo 3º da Lei nº 12.382/2011*, foi questionada por meio da Ação Direta da...

NFe do Brasil: solução gratuita para emitir NFe

Extraído de Revista INCorporativa NFe do Brasil: solução gratuita para emitir NFe A ferramenta é direcionada a companhias nacionais que já utilizam o sistema grátis da Secretaria da Fazenda 01/03/2011 - Camila Freitas A NFe do Brasil, empresa especializada em inteligência fiscal eletrônica,...

Ressarcimento de gastos médicos

Unimed não pode rescindir contrato unilateralmente (01.03.11) A 5ª Câmara de Direito Civil do TJ de Santa Catarina confirmou parcialmente sentença da comarca de Itajaí e condenou a Unimed Litoral ao ressarcimento de gastos médicos efetuados por uma conveniada que não fora informada sobre a rescisão...

Direito de ter acesso aos autos

Segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 Indiciado em ação penal há quase 10 meses reclama direito de acesso aos autos Denunciado perante a 2ª Vara Federal de Governador Valadares (MG) por supostamente integrar uma quadrilha acusada de desvio de verbas destinadas a obras municipais – como construção...

Autorização excepcional

28/02/2011 - 14h14 DECISÃO Avô que vive com a filha e o neto consegue a guarda da criança A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu ao avô de uma criança, todos moradores de Rondônia, a guarda consensual do menor, por entender que se trata de uma autorização excepcional. O...

A prova da morte e a certidão de óbito

A PROVA DA MORTE E A CERTIDÃO DE ÓBITO José Hildor Leal Categoria: Notarial Postado em 18/02/2011 10:42:17 Lendo a crônica "Um mundo de papel", do inigualável Rubem Braga, na qual o autor critica com singular sarcasmo a burocracia nas repartições públicas, relatando acerca de um suplente de...