Motoristas imprudentes comprometem melhorias no trânsito

Motoristas imprudentes comprometem melhorias no trânsito, dizem especialistas

Publicado por Agência Brasil - 5 horas atrás

Há exatamente 18 anos o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) entrava em vigor. A nova legislação trouxe várias novidades para os motoristas do país, com o objetivo de reduzir os acidentes e mortes no trânsito. Para especialistas, no entanto, o mau comportamento do brasileiro no trânsito ainda é responsável pelo número de acidentes.

“É claro que muita coisa melhorou, mas a verdade é que, de maneira geral, o trânsito continua violento porque o comportamento dos condutores é de velocidade, ainda é. Eu acho que o brasileiro tem um comportamento muito agressivo no trânsito”, afirma o sociólogo e consultor em educação para o trânsito, Eduardo Biavati.

Entre as novidades trazidas pelo CTB estão a fiscalização eletrônica de velocidade e o curso teórico de formação de condutores, além do aumento nos valores das multas e a qualificação de infrações como leves, médias, graves ou gravíssimas.

O cinto de segurança, antes um item meramente decorativo em vários automóveis, passou a ser obrigatório. O ato de dirigir depois de beber passou a ser fiscalizado e punido com mais rigor. Essas e outras inovações provocaram uma queda nos acidentes de trânsito logo após o código começar a vigorar.

De acordo com o Mapa da Violência divulgado em 2013 pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o número de mortes por acidentes de trânsito vinha crescendo até 1997, ano em que foram registradas 35,6 mil mortes. No ano seguinte, quando o CTB passou a valer, esse quadro mudou, começando uma tendência de queda até o ano 2000, que registrou 28,9 mil mortes no trânsito. Foi a menor taxa em sete anos.

A queda, no entanto, parou por aí. O número de acidentes voltou a crescer a partir de 2001, com 30,5 mil mortes. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de internações no Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência de acidentes de trânsito, em 2013, foi de 118,9 mil pessoas. No mesmo ano morreram 42,2 mil pessoas.

O assessor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) Ailton Brasiliense lembra que a realidade em 1998 era diferente da atual, sobretudo em relação ao tamanho da população e da frota que circula todos os dias nas ruas. Desde quando o CTB passou a vigorar, a frota aumentou 275%. Mas, para ele, o maior problema é a falta de fiscalização.

“O problema não é o aumento no número de veículos. Nosso maior problema é a falta de fiscalização adequada. Há acidentes em que o motorista está profundamente embrigado. Nenhum cidadão comete uma infração quando tem certeza de que pode ser pego. Nessas rodovias sob concessão, com a pista boa, você chega a pegar veículos acima de 150, 170 quilômetros por hora (km/h). Aqui na Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, já foi detectado carro a 190 km/h”, conta Brasiliense.

Para o diretor-geral do Detran-DF, Jayme de Sousa, o CTB foi um avanço importante para a legislação de trânsito, mas esbarra no comportamento de alguns motoristas. “O que, às vezes, não existe é a conscientização do condutor. Muitos condutores ainda têm um sentimento de impunidade, acham que não vai acontecer nada. Está faltando aos nossos motoristas um pouco mais de conscientização”.

Para Brasiliense, as campanhas também precisam ser intensificadas. “Você precisa ter muita campanha, muitas pessoas não têm a menor noção do que significa o ato de dirigir. Um carro andando devagarzinho, a 36 km/h, está andando dez metros por segundo. Em um piscar de olhos, você andou dez metros”.

Biavati trabalha há 20 anos com educação no trânsito e lamenta ver um perfil de jovens sem a exata noção do que significa ter um carro nas mãos. “Eu lido muito com jovens em palestras e é muito claro isso. Nosso jovem, futuro candidato a uma habilitação, simplesmente nunca ouviu falar sobre o problema da velocidade. Isso não foi assunto e continua não sendo. Temos um trabalho grande a fazer.

Na opinião do sociólogo, o Brasil deveria trabalhar com campanhas permanentes de educação e conscientização a respeito de vários temas, como beber e dirigir, o uso do cinto e usar o celular enquanto dirige. E, além de permanentes, ele acredita em campanhas mais explícitas e realistas sobre os perigos do trânsito, a exemplo do que fazem outros países.

“Eu gosto da abordagem dos ingleses, são campanhas extremamente bem feitas. Mas são chocantes, é claro, porque não escondem nada. Demonstram como a falta do cinto no passageiro do banco traseiro o leva a sofrer uma lesão medular, quebrar o pescoço ou a quebrar o banco da frente, causando a morte de quem está na frente”.

Edição: Graça Adjuto
Extraído de JusBrasil


Notícias

Ministro da Saúde reconhece no Judiciário brasileiro um aliado da pasta

Ministro diz que proximidade com Judiciário ajuda a reduzir demandas na área de saúde 02/06/2011 - 12h02 JustiçaSaúde Paula Laboissière Repórter da Agência Brasil Brasília – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou hoje (2) que reconhece no Judiciário brasileiro um aliado da pasta....

Manutenção da penhora em residência de família

Supremo Tribunal Federal (STF) Segunda-feira, 30 de maio de 2011   Ministro mantém penhora de imóvel residencial dado como garantia hipotecária   O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes negou pedido do empresário O.S. para que fosse suspensa decisão do Tribunal de...

Saúde do consumidor

  Plano de saúde não pode escolher tratamento Não se justifica a negativa de cobertura contratual para a realização de cirurgia bariátrica para redução dos sintomas de diabetes tipo II, uma vez que a operadora do plano de saúde não está autorizada a fazer a escolha do método mais adequado...

Reparação de danos por demora na transferência de propriedade

Extraído de Boletim Jurídico Compradora de veículo terá de reparar danos por demora na transferência de propriedade Inserido em 19/5/2011 Fonte: TJRS A 19ª Câmara Cível do TJRS reformou sentença proferida em 1ª Instância no Juízo de Santo Cristo e condenou ao pagamento de R$ 5 mil, por danos...

Incidente de inconstitucionalidade

30/05/2011 - 13h32 EM ANDAMENTO Norma do Código Civil sobre regime sucessório em união estável é alvo de incidente de inconstitucionalidade A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suscitou incidente de inconstitucionalidade dos incisos III e IV do artigo 1.790 do Código Civil,...

Consagrado o princípio da autonomia partidária

Extraído de Click Sergipe Diretório nacional responde por dívidas locais 30/5/2011 Para regulamentar os artigos 14, parágrafo 3º, inciso V, e 17, ambos da Constituição Federal, entrou em vigor, em 1995, a Lei 9.096, que revogou expressamente a antiga Lei Orgânica dos Partidos Políticos e suas...