O amor é cego?

O amor é cego?

Romance forense | Publicação em 19.11.19

No primeiro dia do novel juiz na comarca de primeira entrância, a primeira audiência da tarde daquela segunda-feira é de conversão de divórcio litigioso em consensual.

Protocolarmente sentados, separados pelos dois lados da mesa, estão o homem (45 de idade) e a mulher (43) que conjugalmente se desacertaram – mas que, processualmente, transacionaram. Ao lado de cada um deles, os respectivos advogados. Presentes também o promotor de justiça e a escrivã.

Numa cadeira ao fundo da sala, muito bem vestida, pernas cruzadas respeitosamente, joias reluzentes, bolsa de grife – mas feia, rigorosamente feia – está uma mulher anônima. Ela tem nada a ver com a audiência. Ou tem...

O magistrado percebe, pelo piscar de olhos e trejeitos nas mãos da mulher feia, que ela tem alguma intimidade com as partes. Talvez fosse a mãe da divorcianda – imagina o juiz.

Como é estreiante na comarca, o magistrado se contém, não pergunta quem é aquela feia mulher anônima, que talvez nem mesmo a habilidade dos sucessores do doutor Pitangui pudesse dar jeito. E logo pergunta às partes se elas estão conformes com a transação formalizada em petição firmada pelos dois advogados.

Tudo nos trinques, assinaturas colhidas, divórcio sacramentado, o juiz deseja “boa sorte” aos ex-litigantes conjugais, e agradece a presença de todos.

O ex-cônjuge varão levanta-se vai ao encontro da feia mulher de 60 , beija-a respeitosamente no rosto e ambos saem, discretos, de mãos dadas.

Antes que o magistrado pergunte algo, a escrivã – entrosada nas coisas da cidade – esclarece em baixo tom de voz:

- É a própria cunhada. Ele deixou a mulher de 43 para ficar com a irmã dela, 17 anos mais velha. Mulher de 60, viúva há dez anos, ela é a provedora de tudo! Tem patrimônio invejável...

O juiz ainda espia pela vidraça e vê o novel casal embarcando num Mercedes Benz. E antes que o flamante automóvel dê a partida, o magistrado informalmente questiona o promotor: “Será que o amor é realmente cego?...”

O promotor desconversa:

- A primeira audiência, o senhor nunca esquece...

Fonte: www.espacovital.com.br

 

Notícias

Autocuratela 2026: Como idosos podem planejar sua representação no cartório

Autocuratela 2026: Como idosos podem planejar sua representação no cartório   A autocuratela será uma das alternativas mais importantes para os idosos a partir de 2026. Saiba como planejar sua representação no cartório e garantir autonomia. Com a chegada da autocuratela prevista para 2025, os...

Adolescente terá nome de dois pais na certidão de nascimento

Adolescente terá nome de dois pais na certidão de nascimento Decisão da Comarca de Campina Verde reconhece a evolução das estruturas familiares 27/01/2026 - Atualizado em 28/01/2026 Um adolescente passará a ter, na certidão de nascimento, o registro de dois pais junto do nome da mãe....

Pouco conhecido, pagamento de pensão pelos avós protege infância

Opinião Pouco conhecido, pagamento de pensão pelos avós protege infância Marcos Bilharinho 28 de janeiro de 2026, 6h35 É constatado, ainda, que o Brasil é a única nação que destina mais de seis vezes dos recursos do orçamento para os mais velhos do que para os mais jovens. Prossiga em Consultor...

Doação em vida ou testamento? Como escolher

Doação em vida ou testamento? Como escolher Izabella Vasconcellos Santos Paz Comparação entre doação em vida e testamento no planejamento sucessório, destacando vantagens, riscos e como escolher a estratégia ideal para garantir segurança familiar. terça-feira, 27 de janeiro de 2026 Atualizado às...

Assinatura digital e eletrônica: qual a diferença real entre elas?

Tecnologia Assinatura digital e eletrônica: qual a diferença real entre elas? Embora pareçam sinônimos, os termos têm diferenças técnicas e de validade jurídica importantes; entenda de vez para não errar na hora de usar Juliane Aguiar  22/01/2026 14:47 Assinar um documento sem caneta e...