Para juiz, Direito Penal jamais vai resolver o problema das drogas

Para juiz, Direito Penal jamais vai resolver o problema das drogas

Da Redação | 22/09/2014, 12h50 - ATUALIZADO EM 22/09/2014, 12h52

Com a experiência de 20 anos de magistratura, 13 dos quais dedicados à área criminal, o juiz de direito João Marcos Buch disse estar convencido de que, se as drogas são ruins, a política de proibição e guerra adotada no Brasil é muito pior. O magistrado informou que, particularmente, é contra o consumo de maconha e de outras drogas, mas defendeu a regulamentação do uso dessas substâncias e garantiu que o direito penal não é a solução:

- Não podemos negar a realidade. E a Lei Antidrogas nega a realidade e o que está posto em nosso dia a dia. Ou seja, não está sendo eficaz. Eu defendo a regulamentação, pois sabemos que a proibição da maconha e de outras drogas tem origem moral. Se aceitamos drogas como álcool e cigarro, por que rejeitamos outras? - indagou.

O juiz citou relatório da Anistia Internacional segundo o qual 804 pessoas foram mortas nas duas maiores cidades do país, entre janeiro e setembro de 2013, em ações policiais motivadas pelo combate às drogas. Além disso, informou, o país tem hoje mais de 600 mil encarcerados, boa parte deles por conta do envolvimento com drogas. Todavia, os grandes traficantes não são alcançados; não estão presos e nem descapitalizados.

- De 2005 a 2014, o índice de reincidência de presos por tráfico foi de 35%. Ou seja, essa guerra as drogas não vem atingindo o objetivo a que se propôs. Essa é a realidade - lamentou.

João Marcos Buch disse ainda ter certeza de que o Direito Penal jamais vai cumprir o papel de impedir o uso de drogas:

- Pelo contrario, ele alimenta, de forma autofágica, a violência e a criminalidade com a proibição. É preciso ensinar aos jovens que a droga não é o caminho da felicidade. Que cresçam sabendo que o prazer está neles mesmos, na arte, na música, nó esporte, no amor, no esporte - concluiu.

A audiência pública está sendo realizada na sala 2 da Ala Nilo Coelho e é interativa

COMO ACOMPANHAR E PARTICIPAR

Participe: https://bit.ly/CDH_Regulamentação_do_uso_da_maconha
Portal e-Cidadania: www.senado.gov.br/ecidadania
Facebook: eCidadaniaSF
Twitter: @e_cidadania

Agência Senado

 

Notícias

Bens digitais no inventário, desafios jurídicos da sucessão patrimonial

Bens digitais no inventário, desafios jurídicos da sucessão patrimonial André Santa Cruz O artigo analisa os desafios da sucessão de bens digitais no Brasil, a insuficiência das regras tradicionais, a falta de regulamentação e a importância do planejamento sucessório. segunda-feira, 2 de fevereiro...

Autocuratela 2026: Como idosos podem planejar sua representação no cartório

Autocuratela 2026: Como idosos podem planejar sua representação no cartório   A autocuratela será uma das alternativas mais importantes para os idosos a partir de 2026. Saiba como planejar sua representação no cartório e garantir autonomia. Com a chegada da autocuratela prevista para 2025, os...

Adolescente terá nome de dois pais na certidão de nascimento

Adolescente terá nome de dois pais na certidão de nascimento Decisão da Comarca de Campina Verde reconhece a evolução das estruturas familiares 27/01/2026 - Atualizado em 28/01/2026 Um adolescente passará a ter, na certidão de nascimento, o registro de dois pais junto do nome da mãe....

Pouco conhecido, pagamento de pensão pelos avós protege infância

Opinião Pouco conhecido, pagamento de pensão pelos avós protege infância Marcos Bilharinho 28 de janeiro de 2026, 6h35 É constatado, ainda, que o Brasil é a única nação que destina mais de seis vezes dos recursos do orçamento para os mais velhos do que para os mais jovens. Prossiga em Consultor...