Parecer da LDO amplia divulgação de gasto com pessoal em estatais federais

04/07/2012 21:18

Parecer da LDO amplia divulgação de gasto com pessoal em estatais federais

O parecer final do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) ao projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2013 (PLN 3/12) acrescentou dispositivos que ampliam a divulgação de gastos com pessoal dos órgãos da administração direta e indireta, como as estatais, bancos federais, fundações e agências reguladoras. Se o texto for sancionado, os órgãos terão que colocar na internet informações como os totais de cargos efetivos, comissionados e de funções de confiança ocupados, com os respectivos gastos mensais.

Também se tornarão públicos dados sobre a estrutura remuneratória mensal, por nível ou padrão, de cada cargo, com as vantagens permanentes inerentes à carreira e as vantagens temporárias.

Valadares disse que as medidas têm como objetivo adequar a LDO à Lei de Acesso à Informação (12.527/11). O projeto original já previa a divulgação de algumas das informações, mas o parecer aprofundou a questão, com a inclusão das estatais e bancos federais no rol dos que vão abrir os dados com pessoal.

Sistema S
O relator também acrescentou dispositivos para obrigar as entidades do Sistema S (como Sesi, Senai e Senac) a divulgar seus orçamentos previstos para 2013, os nomes do dirigentes e do corpo técnico, a estrutura remuneratória, os valores arrecadados, e a especificação de cada receita e despesa, por natureza e finalidade. Não é a primeira vez que a LDO trata da divulgação do Sistema S. O parecer, porém, amplia os dados que deverão ser disponibilizados na internet.

A divulgação das informações orçamentárias foi defendida pelo presidente da Comissão Mista de Orçamento, deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Ele é autor de algumas emendas voltadas para a ampliação do acesso às informações, como no caso dos convênios celebrados entre órgãos federais e entidades do setor privado, ou estados e municípios. “Não tem sentido haver transparência no serviço público e um conveniado não respeitá-la. Na minha visão, recebeu dinheiro público, cai na regra da transparência”, disse Pimenta.

Aumentos salariais
O parecer final da LDO não traz regras para o reajuste dos servidores públicos. O senador Valadares chegou a discutir com o governo, com base em um estudo das consultorias de orçamento da Câmara e do Senado, um critério estável para garantir a ampliação dos gastos com pessoal dos poderes Legislativo e Judiciário, e do Ministério Público da União (MPU).

O parâmetro de reajuste levava em conta a média da execução recente dos poderes com a folha salarial, em percentual da receita corrente líquida (RCL). O estudo serviu de base para uma emenda apresentada pelos deputados João Dado (PDT-SP), Aelton Freitas (PR-MG) e José Humberto (PHS-MG), que foi acolhida na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara e integrou as emendas de comissão ao projeto da LDO. Mas, segundo o relator, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, não concordou com a colocação de um parâmetro na LDO.

Sem apoio do governo para a emenda, o relator limitou-se a colocar no substitutivo um dispositivo que autoriza, de forma genérica, a inclusão de recursos no projeto da lei orçamentária para atendimento de reajustes salariais no serviço público. Valadares reconhece que a medida é apenas um paliativo, mas ele disse que teve apoio do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ayres Brito.

Desde o ano passado o Judiciário mantém um cabo-de-guerra com o governo Dilma Rousseff por causa reajustes aos servidores e aos magistrados. “[O artigo] é uma sinalização para o diálogo. É uma porta aberta para o canal de negociação a ser instalado a partir da aprovação da LDO”, afirmou o senador, dizendo que a solução encontrada também recebeu apoio da ministra do Planejamento.

 

Reportagem - Janary Júnior
Edição – Regina Céli Assumpção

Agência Câmara de Notícias
 
 


 

Notícias

Comprador herda débitos acumulados em aluguéis após aquisição de imóvel

Herança de dívida Comprador herda débitos acumulados em aluguéis após aquisição de imóvel 21 de março de 2026, 17h45 Segundo o relator, desembargador Ricardo Gomes de Almeida, a previsão de que o vendedor deveria “viabilizar” a transferência não significava responsabilidade exclusiva. Leia em...

Direito Civil Digital e Direito das Sucessões: A herança digital

Direito Civil Digital e Direito das Sucessões: A herança digital Flávio Tartuce quarta-feira, 18 de março de 2026 Atualizado em 17 de março de 2026 11:38 A herança digital é um dos assuntos mais debatidos do Direito Privado contemporâneo, justamente pela falta de uma regulamentação legal mínima no...

Imóvel não pode ser alienado sem intimação pessoal do devedor

segunda-feira, 16 de março de 2026 Imóvel não pode ser alienado sem intimação pessoal do devedor Um imóvel não poder ser leiloado para penhorar uma dívida sem que haja a intimação pessoal do devedor. Com esse entendimento, a juíza Iolete Maria Fialho de Oliveira, da 22ª Vara Federal Cível da Seção...

STJ admite recibo como justo título na usucapião; entenda o requisito

Propriedade STJ admite recibo como justo título na usucapião; entenda o requisito Tema envolve interpretação do art. 1.242 do Código Civil e requisitos da usucapião ordinária. Da Redação terça-feira, 17 de março de 2026 Atualizado às 09:28 Na última semana, a 3ª turma do STJ reconheceu recibo de...