"O tráfico apenas muda de endereço"

Ophir defende práticas mais efetivas para combater o crack

quinta-feira, 6 de setembro de 2012 às 11h59

Ophir: as ações e políticas de combate e tratamento dos usuários do crack não funcionam

Ophir: as ações e políticas de combate e tratamento dos
usuários do crack não funcionam
(Foto: Eugenio Novaes)

Brasília – O resultado da pesquisa que posiciona o Brasil como segundo maior consumidor mundial de crack é, na opinião do presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, prova de que as práticas usadas pelo governo para enfrentar o problema não estão funcionando. "De nada adianta usar todo um aparato de guerra para fechar um ponto de droga e não se combater a raiz do problema, que é a falta de oportunidade para os jovens e investimentos efetivos em educação", afirmou, numa referência às ações na região conhecida como "cracolândia", em São Paulo, e nas favelas do Rio de Janeiro. "O tráfico apenas muda de endereço".

Para Ophir, os números do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), de que um em cada cem brasileiros consomem crack, são "extremamente preocupantes". O Brasil fica atrás dos Estados Unidos na pesquisa. O presidente da OAB lembrou que, durante o período de campanha e logo no início de seu governo, a presidente Dilma Rousseff, declarou uma guerra contra o crack, especialmente nos grandes centros do Rio e São Paulo. “Demonstrando sua sensibilidade social e também enquanto mãe e mulher, Dilma afirmou que atuaria fortemente contra o crack. Lamentavelmente, essa batalha parece sequer ter sido deflagrada, pois vemos que as ações de combate e tratamento dos usuários dessa droga foram meramente midiáticas, sem um plano de trabalho capaz de combater a sua existência no país.”

Ao comentar ainda o dado de que o país é apontado como o maior mercado de crack, com a marca de um milhão de pessoas utilizando a substância, o presidente da OAB defendeu a tomada de medidas amplas e urgentes por parte das autoridades públicas. “O Brasil não pode continuar a figurar entre as maiores economias do mundo e, ao mesmo tempo, ignorar que sua sociedade figura no ranking dos maiores consumidores de crack no mundo”, finalizou.


Foto em destaque/Fonte: OAB

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