Cadastro de acesso à internet é criticado em audiência

Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados
13/12/2016 - 19h35

Projeto que cria cadastro de acesso à internet é criticado em audiência

 
Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o PL 2390/15, que altera a Lei nº 8.069, de 12 de julho de 1990, criando o Cadastro Nacional de Acesso à Internet
Especialistas consideraram o projeto restritivo, durante a audiência na comissão  

Durante audiência da Comissão de Ciência e Tecnologia, debatedores criticaram o Projeto de Lei  2390/15, que cria o Cadastro Nacional de Acesso à Internet. Para eles, esse mecanismo poderia violar alguns direitos, como a liberdade de expressão e o acesso livre à informação.

A gerente-geral no Centro de Estudos, Respostas e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil Cristine Hoepers também destacou que a medida pode criar um ponto de falha de acesso à internet. "Qualquer instabilidade no cadastro poderia parar a rede do País`”, disse.

Ela também afirmou que, uma vez criado, o sistema seria um ponto de controle centralizado da internet, o que o faria de alvo para ataques "de autores maliciosos que pretendem roubar informações".

Segundo o presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares, 95% da população entre 15 a 17 anos têm acesso à rede social, e a maior parte dos perfis são públicos. Mas, para ele, falta uma conscientização sobre como se portar na web.

"O projeto é bem-intencionado, mas pode ter efeitos colaterais indesejados", disse. Ele também destacou que o custo para implantar essa medida seria de bilhões e que o cadastramento poderia  ser facilmente burlado caso os usuários utilizassem redes do exterior.

Representante da Associação Brasileira de Internet, Carol Conway avaliou que os softwares de controle paternal são a melhor solução por não interferir na rede. "Esses programas de controle dos pais permitem bloquear os sites indesejados. Não são muito conhecidos porém são úteis", disse.

Sem controle 
Já o autor da proposta, deputado Franklin Lima (PP-MG), citou uma pesquisa cujos dados revelam que 10% dos pais admitem não ter nenhum controle sobre o que os filhos acessam na web. Apenas 38% declararam ter controle sobre essas atividades.

O deputado explicou que o projeto não pretende restringir o acesso à internet aos maiores de idade. "A internet continuará a mesma, só quero criar um aplicativo que exija um cadastro dos usuários, para saber qual é a idade da pessoa, e que esse aplicativo bloqueie sites que não são recomendados para essa idade", disse.

Segundo Franklin Lima, o aplicativo permitiria o acesso apenas a sites que se declarassem recomendados para menores. Ele concordou que o projeto apresenta um retrocesso em termos técnicos, porém acredita que há um lado ideológico positivo.

Tutela 
Por outro lado, a representante do Coletivo Brasil de Comunicação Social, Bia Barbosa, questionou quem seria o encarregado de analisar a recomendação dos conteúdos. Para ela, os sites muitas vezes não fazem a recomendação correta para não restringir o público que irá acessá-lo.

Ela considerou o projeto restritivo porque a navegação dos usuários dependerá de uma aprovação prévia do aplicativo de cadastramento o que, segundo Bia Barbosa, poderá acontecer ou não devido a problemas técnicos.
,
A deputada Luiza Erundina (Psol-SP) também se mostrou contrária ao projeto. Para ela, o texto envolve muita coisa, inclusive o Estatuto da Criança e do Adolescente e, por isso, deveria ser estudado e debatido por mais tempo. "Não cabe ao Estado tutelar o desenvolvimento da criança", disse Erundina.

Tramitação 
O PL 2390/15 está em análise na Comissão de Ciência e Tenologia e é relatado pelo deputado Missionário José Olímpio (DEM-SP). O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado ainda pelas comissões de Seguridade Social e Família; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania

Reportagem - João Vitor Silva
Edição - Rosalva Nunes
Agência Câmara Notícias
 
 

 

Notícias

STJ mantém negativa de indenização por imóvel comprado após restrição ambiental

Restrição preexistente STJ mantém negativa de indenização por imóvel comprado após restrição ambiental Rescisória buscava afastar indenização por imóvel com restrição anterior à compra 1ª seção considerou que o bem foi adquirido após a imposição das restrições e que essas limitações já estavam...

É possível converter contrato de namoro em união estável?

É possível converter contrato de namoro em união estável? Rudyard Rios Contrato de namoro cresce, mas é raro no Brasil. sexta-feira, 30 de outubro de 2026 Atualizado em 29 de outubro de 2026 17:53 O crescimento do uso do chamado “contrato de namoro” no Brasil revela uma tentativa contemporânea de...

Imunidade de ITBI reduz custos e dá previsibilidade ao setor imobiliário

Menos imposto, mais negócio Imunidade de ITBI reduz custos e dá previsibilidade ao setor imobiliário Karla Gamba 28 de outubro de 2026, 14h05 Prefeituras exigiam o tributo quando a empresa destinatária dos imóveis tinha como atividade predominante a compra e venda, a locação ou o arrendamento de...

Compra e Venda pelo Espólio: leia o artigo completo

Compra e Venda pelo Espólio: leia o artigo completo Vanessa Silva, 4 horas ago  0  17 min read  85 Compra e venda outorgada pelo espólio: nomeação extrajudicial de inventariante como ponte para a escritura definitiva *Letícia Franco Maculan Assumpção **Paulo Hermano Soares Ribeiro "O...