Concentração no mercado de sementes preocupa especialistas

08/08/2013 - 16h55 Comissões - Agricultura - Atualizado em 08/08/2013 - 17h04

Debate na CRA aponta preocupação com concentração no mercado de sementes

Iara Guimarães Altafin

A concentração no mercado de sementes, dominado por um pequeno número de grandes empresas, não favorece a competitividade da agricultura brasileira e pode inviabilizar parte dos produtores rurais, em especial os menos tecnicamente preparados. Essa situação, considerada uma tendência hoje no país, foi analisada em audiência pública nesta quinta-feira (8) na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).

De acordo com o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Lopes, os altos custos envolvidos no melhoramento genético e na viabilização comercial de produtos transgênicos têm levado à integração de empresas e formação de grandes grupos, como estratégia de atuação no mercado.

Para assegurar retorno de investimentos em inovação, esses grandes grupos adotam mecanismos de proteção de propriedade intelectual e estratégias de integração vertical. Com isso, condicionam a eficiência da nova semente à adoção de outras inovações, como tipos específicos de herbicidas e outros agrotóxicos, fabricados pelo mesmo grupo que detém a tecnologia da semente.

Mesmo considerando a concentração uma tendência normal de mercado, Lopes alertou para o fato de a redução do número de empresas de sementes colocar em risco o papel mediador do setor publico. Como observou, as inovações geradas conforme a política pública de pesquisa chegam ao produtor por meio do licenciamento de empresas parceiras.

– Quando essas empresas fecham, o setor público perde seu elo com o mercado – afirmou, enfatizando que esse processo impede que o conhecimento chegue aos agricultores.

Sem a presença do Estado, observou o presidente da Embrapa, o país se tornaria mais vulnerável, seja por perder a capacidade de orientar o desenvolvimento da agropecuária ou por não conseguir manter na atividade uma grande gama de produtores rurais.

Décio Lauri Sieb, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), concorda que a redução na oferta de material genético tem impacto direto sobre os agricultores familiares, que perdem a capacidade de escolha.

Para ele, avanço tecnológico e ganho de produtividade devem ocorrer sem a exclusão de agricultores e sem comprometer a biodiversidade e a continuidade de sistemas produtivos tradicionais.

Escolhas

Para Márcio Santos, diretor de Gerenciamento de Produtos da Monsanto, a introdução de biotecnologia no Brasil ocorreu em mercado aberto, permitindo a entrada de muitas empresas. Ele diz ser o produtor rural o direcionador desse mercado, ao escolher a tecnologia que oferece maiores vantagens.

Também Paulo Campante, da Associação Brasileira de Sementes (Abrasem), considera que o mercado de sementes está mais diversificado. Conforme dados apresentados por ele, o país teria hoje mais empresas produtoras de sementes que há dez anos.

Já o representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Reginaldo Minaré, observa que desenvolver, multiplicar e distribuir sementes são atividades complexas, que exigem não só mão de obra especializada, mas laboratórios, áreas para testes, rede de distribuição e assistência técnica ao produtor. Para ele, essa complexidade é uma barreira à atuação de pequenas empresas.

– O Brasil não pode satanizar quem desenvolveu essas tecnologias – disse.

 

Agência Senado

 

Notícias

CNJ rejeita proposta de superpreferência para tramitação de processos

Preferência da preferência CNJ rejeita proposta de superpreferência para tramitação de processos Danilo Vital 24 de fevereiro de 2026, 18h51 Relator do processo, o conselheiro Guilherme Feliciano apontou que o magistrado, com a autonomia na direção dos serviços e independência técnica, pode...

Casamento civil em 2026: Os efeitos do provimento 199/25 do CNJ

Casamento civil em 2026: Os efeitos do provimento 199/25 do CNJ Rudyard Rios O artigo analisa normativas recentes do CNJ sobre o registro civil, com foco no provimento 199/25 e seus impactos no acesso ao casamento civil por populações vulneráveis. quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026 Atualizado às...

Cartórios de todo o Brasil emitem alerta urgente a idosos e brasileiros com bens: novo registro permite escolher quem vai cuidar do seu patrimônio e decisões vitais em caso de incapacidade, evitando brigas familiares

Cartórios de todo o Brasil emitem alerta urgente a idosos e brasileiros com bens: novo registro permite escolher quem vai cuidar do seu patrimônio e decisões vitais em caso de incapacidade, evitando brigas familiares Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 20:00 por Redação A medida é...

O fundamento da usucapião de usufruto

Direito Civil Atual O fundamento da usucapião de usufruto Abrahan Lincoln Dorea Silva William Galle Dietrich 16 de fevereiro de 2026, 13h17 A usucapião é disciplinada, no Código Civil, como meio de aquisição da propriedade. Tanto o artigo 1.238 (usucapião de bens imóveis), quanto o artigo 1.260...